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A temporada em Braga abriu oficialmente com a realização da primeira mão da segunda eliminatória de acesso à Conference League. Trata-se da estreia dos bracarenses neste período de qualificação para a fase regular da competição.
O histórico recente do SC Braga coloca-o entre os favoritos teóricos à conquista do troféu. Contudo, esse favoritismo de nada vale se surgir um percalço que dite a eliminação. Os resultados inesperados fazem parte da essência do futebol e contribuem para aumentar o seu fascínio, alimentado pela imprevisibilidade que, não raras vezes, conduz a surpresas de grande dimensão.
A deslocação ao reduto dos sérvios do Železničar Pančevo foi encarada num contexto de claro favoritismo nas casas de apostas, embora os relvados, por vezes, insistam em contrariar esse tipo de prognósticos. O facto de o relvado ser sintético constituía um fator favorável à equipa da casa, naturalmente mais habituada a esse tipo de piso. Nem consigo compreender como a UEFA, sempre tão exigente com alguns países e clubes, continua a permitir que uma eliminatória desta importância seja disputada nestas condições.
O primeiro objetivo dos bracarenses passava por evitar lesões naquele piso pouco habitual para os lados da Pedreira. Felizmente, todos saíram ilesos do duelo e esse foi o primeiro triunfo. O segundo foi o resultado final, traduzido numa vantagem tangencial que permite encarar a segunda mão com otimismo, mas sem excessos. O capitão Ricardo Horta voltou a fazer a diferença ao apontar o único golo da partida, algo que dificilmente teria acontecido se tivesse ido "passear" até terras americanas com a Seleção de Portugal. Há sempre um lado positivo que pode ser valorizado nas diferentes circunstâncias.
O encontro na Sérvia voltou a evidenciar uma primeira parte sonolenta, consequência da lentidão imposta aos ritmos de jogo, tal como já sucedera na apresentação diante do Celta de Vigo. Como forma de alerta para Carlos Vicens, que certamente não necessita das minhas opiniões, atrevo-me a dizer que a maioria das equipas adotará uma postura semelhante à dos sérvios. Por isso, importa que, nesses momentos, o futebol bracarense seja menos previsível, mais célere e mais acutilante. Nos Balcãs tudo acabou por correr bem, muito graças a Lukáš Horníček, que demonstrou que as suas qualidades permanecem intactas.
Porém, vejo com preocupação acrescida o desempenho da equipa nos últimos dez minutos, quando deixou que o jogo fosse conduzido para um lado caótico, onde o controlo dos acontecimentos parecia fugir entre os “dedos da equipa”. Ainda assim, será importante diversificar a "ementa", tornando o SC Braga menos previsível e mais capaz de ferir os adversários, como desejam a Legião e o próprio grupo de trabalho. Numa análise feita de fora, sem conhecer o conteúdo do trabalho diário, diria que este tipo de adversários, que joga na expectativa do que o SC Braga fará, exige maior rapidez mental e velocidade de execução, acelerando um processo que, nesta fase, se revelou excessivamente lento. Só assim será possível evitar que, mais à frente, surjam dissabores perfeitamente evitáveis.
O processo "Vicensiano" merece o crédito da esmagadora maioria dos adeptos, apesar de as redes sociais revelarem uma pequena franja que critica tudo o que mexe neste contexto. As bases do conhecimento foram lançadas na época passada e a integração dos novos elementos tende, por isso, a ser mais simples, contribuindo para o enriquecimento coletivo da equipa e, naturalmente, para melhores resultados. Ainda assim, a resolução dos problemas colocados pelos adversários exige que esse processo disponha de alternativas capazes de responder a diferentes cenários competitivos. Existem muitos rivais que convivem confortavelmente com a lentidão e, se possível, com a sonolência da equipa, algo que os adeptos manifestamente não desejam.
Dito isto, sublinho que Carlos Vicens continua a merecer crédito total da minha parte e, estou convencido, também da maioria da Legião. É importante que possamos evoluir juntos, sofrer juntos, vencer juntos e celebrar juntos. É dessa forma que se constrói um verdadeiro todo, através da soma das várias partes, cuja crença no processo implementado constitui um fator essencial.
A transição digital que se está a verificar em Braga parece ter nascido de forma demasiado apressada, tal foi a quantidade de erros observados. Esta situação faz-me recordar, de imediato, a transição digital implementada pelo Ministério da Educação nos exames nacionais, cujas consequências foram, em alguns casos, bastante negativas.
Felizmente, em Braga, a forma atabalhoada como a APP do clube foi substituída — passando a existir para o universo Apple e deixando de existir para o universo Android —, bem como o desaparecimento de funcionalidades importantes, não tem efeitos devastadores na vida dos bracarenses. Ainda assim, leva-nos legitimamente a questionar se todo este processo foi devidamente pensado. Pessoalmente, creio que não foi e espero que o futuro permita corrigir as falhas ainda existentes, para além daquelas que têm vindo a ser resolvidas de forma gradual.
Uma nota final para o "SC Braga Day", cujas raízes se fortalecem a cada ano que passa. A edição mais recente mereceu a minha aprovação pela organização e pela proximidade criada entre adeptos e equipa. O crescimento do clube também depende do crescimento da sua massa associativa e adepta, que constitui a base de apoio sustentável de um futuro que todos desejam risonho. É importante que os responsáveis percebam que o SC Braga não pode ser gerido apenas com a lógica de uma empresa que atua nos mercados, porque os adeptos continuam a ser a principal razão de existência de um clube.