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    António Costa
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    O sítio dos Gverreiros
    António Costa

    Uma nova era já conhecida

    2026/07/18
    E0
    "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

    O SC Braga parte para uma nova era do seu projeto, embora uma parte significativa do caminho já seja conhecida, o que facilita a definição dos passos a seguir. Falo, naturalmente, da continuidade de Carlos Vicens, uma opção que favorece a integração dos novos elementos, a partir do conhecimento adquirido ao longo da última temporada pela maioria do plantel.

    A nova época surge como um desafio maior, uma vez que as expectativas dos adeptos sobem com a naturalidade de quem já conhece o percurso precedente. Vou dividir a minha opinião em dois contextos: o interno e o das provas da UEFA.

    A nível internacional, a época passada deixou água na boca, com a chegada às meias-finais da edição anterior da Liga Europa. O capitão Ricardo Horta lembrou, numa entrevista recente, o quanto lhe custou a lesão que o afastou da decisão da eliminatória, uma vez que a vontade de chegar à final era imensa. A lesão sofrida no duelo da primeira mão foi uma forte machadada nas ambições do SC Braga, que já se debatia com vários problemas físicos de elementos importantes do plantel. A situação agravou-se com o afastamento indesejado do histórico Ricardo Horta.

    Assim, a queda para a Conference League é vista como uma despromoção, forçada pela inesperada, mas justa, conquista da Taça de Portugal por parte do Torreense, clube que milita no segundo escalão. O SC Braga surge nas eliminatórias desta competição pela primeira vez e é apontado como tendo algum favoritismo.

    A minha posição sobre a competição internacional, que se apresenta como um palco importante, é a de quem quer ver a equipa arsenalista brilhar, por um lado, mas também de quem não se importaria de ver concentrados esforços nas competições internas, por outro. Como não é possível ter o melhor dos dois mundos competitivos, interno e externo, acredito que a equipa de Carlos Vicens não vai escolher competições para lhes dar menos importância. O caminho europeu, que se inicia já na próxima semana, será, por isso, encarado com muita seriedade.

    Nas competições internas existe, à partida, uma dúvida difícil de resolver. Há a obrigação de tentar fazer melhor na Liga portuguesa do que na temporada anterior, o que pode significar uma concentração de esforços acrescida nesta competição. Qualquer lugar do pódio surge como um caminho milionário, uma vez que Portugal vai voltar a ter três equipas na edição da Liga dos Campeões de 2027/28.

    Ora, se o SC Braga teve um contributo significativo na recuperação verificada no ranking europeu, pelo que é natural que lute pela possibilidade de regressar à prova milionária, ainda que os meios disponíveis para Carlos Vicens sejam, em teoria, inferiores aos dos outros competidores.

    A Taça da Liga tem um formato pré-definido e pode ser um caminho mais acessível para a conquista de um troféu. Trata-se, no atual modelo, que irá ser reformulado, de uma competição com poucos jogos e na qual poucos clubes têm direito a participar. O modelo de final four deverá ser mantido no futuro, mas o alargamento da participação aos restantes clubes profissionais torna a prova mais democrática. Sou favorável à revisão do modelo, uma vez que são precisamente os clubes com menos jogos que ficam atualmente de fora, o que não parece fazer grande sentido.

    A Taça de Portugal é a prova mais aleatória. Os sorteios puros, a partir de determinada altura, podem abrir ou fechar caminhos teóricos. A prática, por vezes, contraria a teoria, como se verificou em Braga na temporada anterior. Águas passadas, naturalmente, mas que importa guardar na memória como aviso para a importância da prova rainha do futebol português.

    Os vários cenários competitivos descritos foram preparados com um cuidado acrescido, próprio de quem acredita no caminho que está a ser trilhado. As saídas, até ao momento, não foram destrutivas para o núcleo duro do plantel e as entradas trouxeram um acréscimo de qualidade global ao grupo que está ao dispor de Carlos Vicens. As trocas efetuadas até agora permitem, também, a existência de soluções alternativas que não existiam na época anterior, em função das características dos elementos recrutados. O jogo pelas alas e a presença na área adversária ganharam novos argumentos.

    O que desejo é que esta vantagem teórica - que, na minha opinião, é real - tenha reflexos práticos ao nível da performance do SC Braga no futuro. Um futuro que, na realidade, já começou.

    Boa sorte, SC Braga.

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