No sentido figurado e coloquial, um “cromo” é quem foge à norma — o excêntrico, o caricato, aquele que dá nas vistas pelas atitudes fora do comum. A palavra nasceu das pequenas imagens colecionáveis, mas ganhou vida própria, sempre com um travo jocoso, por vezes até pejorativo.
Mas há um outro sentido, mais nobre: o do fanático, do enciclopédico, do obcecado por um só tema até à exaustão. Neste caso, o futebol.
Escreve já nos comentários a tua escolha para quando recuperares esta leitura vermos se o teu coincide com o meu — ou se há troca à vista. Porque esta febre, que juntou avós e netos, saltou gerações e reacendeu tradições, espalhou-se como o COVID sem vacina nem quarentena que a travasse.
Ronaldo, Messi, Mbappé, Haaland, Kane... escolhas óbvias. Mas reduzir o Mundial aos avançados é ignorar mais de metade do jogo.
E os médios, ficam escondidos da conversa?
E sem defesas sólidos e um guarda-redes eficaz, nenhuma equipa resiste. É lei do jogo — sempre foi, sempre será.
Também, os bancos têm os seus CRAQUES!
Carlos Queirós, poucos o escolheriam; Roberto Martínez, ficou aquém do objetivo; Scaloni, titubeante, mas sobrevivente; Deschamps, máquina destruidora; Tuchel, convocatória arriscada, resultados à vista. Não merecerão estes líderes o destaque de cromo escolhido?
Sim, o árbitro português. Eleito pelo Conselho de Arbitragem da FPF o melhor árbitro da Liga Portugal 2025/26, foi chamado a apitar o Mundial. E não fosse a novidade de os árbitros passarem a exibir o nome nas costas do equipamento, seria fácil confundi-lo com outro “cromo” se tratava. Depois de dirigir Suíça–Bósnia e Herzegovina e Canadá–África do Sul, foi indicado para os quartos de final: Argentina–Suíça, a 12 de julho, em Kansas City. Prova de confiança. E será prova de mérito? Na Liga portuguesa, apitou 14 jogos, com um tempo útil médio de 54 minutos por partida – 54% do tempo total.

Com as novas diretrizes e regras implementadas pela FIFA e pelo IFAB – lideradas pelo chefe de arbitragem Pierluigi Collina, João Pinheiro transformou-se e focado no combate ao antijogo, tornou o mesmo jogo mais fluido e o tempo de jogo muito mais elevado, aumentando drasticamente o ritmo das partidas.

O resultado fala por si: a bola esteve em jogo quase 60% do tempo total das partidas. Mesmo número de jogadores, mesmo campo, mesma bola, com um motivo polémico para duas pausas e até com mais substituições, ainda assim, o mesmo árbitro conseguiu aumentar o tempo útil de jogo em mais 10%!!!
Aguardemos que o novo diretor técnico de arbitragem – ex-árbitro João Ferreira venha explicar a saída de Duarte Gomes (atenta a suspeição de comportamentos antidesportivos contrários aos valores da verdade, da lealdade e da correção. Factos suscetíveis de alterar de forma fraudulenta a competição desportiva baseada na informação de que no final da época 2025/26, um árbitro profissional partilhou consigo "um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade", lhe suscitaram "preocupações institucionais muito relevantes".
Sem truques e com rigor, é essencial que João Pinheiro traga esta lufada de ar fresco nesta bafienta arbitragem.