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    António Costa
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    O sítio dos Gverreiros
    António Costa

    O homem do leme

    2026/07/04
    E0
    "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

    As palavras que compõem este texto de opinião seguem duas direções distintas, e o título aplica-se com propriedade a ambos os contextos. Refiro-me, naturalmente, ao SC Braga, presença habitual nos meus artigos de opinião, e à Seleção de Portugal, atualmente envolvida na disputa do Mundial de 2026. Comecemos, então, pela Seleção.

    A Nação Valente, provisoriamente instalada em terras americanas, não pode ter residência fixa, uma vez que este torneio mundial se realiza em três países diferentes — Canadá, Estados Unidos da América e México. Olhemos para a prestação lusa até ao momento.

    A fase de grupos foi superada, como seria expectável. No entanto, o favoritismo inicialmente atribuído a Portugal não se confirmou em campo. A nossa Seleção seguiu em frente em segundo lugar, fruto de dois empates com sabor a derrota e de um triunfo expressivo frente ao Uzbequistão. A euforia que antecedeu a competição rapidamente deu lugar a uma desconfiança generalizada após o empate frente ao Congo. A goleada diante dos uzbeques devolveu algum ânimo aos portugueses e aos adeptos, ainda que de forma mais contida e realista. Este Mundial tem demonstrado que são raras as ocasiões em que as seleções mais poderosas impõem claramente a sua superioridade frente a adversários teoricamente mais modestos.

    O último encontro da fase de grupos trouxe novo empate, desta vez frente à Colômbia, e elevou os níveis de preocupação quanto ao “estado de saúde” da Seleção. A postura em campo foi atípica, numa partida marcada por uma superioridade colombiana pouco previsível. Merece aqui registo negativo a gestão pouco competente do plantel por parte do selecionador ao longo dos três jogos.

    A fase a eliminar representava, nas palavras de Roberto Martínez, um “novo Mundial”. Compreendo a ideia, embora discorde profundamente da forma como tem exercido o cargo — e recorde-se que é regiamente remunerado para quem tem apresentado tão pouco rendimento, em função dos recursos de que dispõe. O triunfo frente à Croácia foi alcançado num turbilhão emocional, muito condicionado pelas incidências do jogo. Portugal acabou por vencer um duelo que evidenciou como a tecnologia do VAR veio trazer maior verdade ao futebol, beneficiando desta vez a nossa Seleção.

    Roberto Martínez viu-se obrigado a rasgar o plano inicial e a proceder a quatro alterações em simultâneo, opção que permitiu alcançar o empate, ainda que com uma equipa claramente desequilibrada em campo, lançada numa busca algo desordenada pelo resultado que era desfavorável. Mais tarde, no mesmo encontro, surgiu outra decisão imposta pelas evidências: Portugal perdera o controlo do meio-campo e caminhava para a derrota. A saída de Cristiano Ronaldo e a entrada de um médio devolveram equilíbrio à equipa e deixaram uma constatação importante — Portugal também pode jogar sem o seu Capitão, desde que exista uma gestão mais sensata do grupo e do próprio jogador.

    Segue-se agora a Espanha, adversário que trará novos e exigentes desafios. Resta saber como se comportará o selecionador com um intervalo tão curto entre jogos, ainda que, confesso, as minhas expectativas sejam reduzidas. Na minha opinião, Roberto Martínez tinha — e continua a ter — a obrigação de colocar Portugal a jogar mais e melhor, atendendo à enorme qualidade individual existente no plantel. É inquietante verificar que vários jogadores rendem claramente menos ao serviço da Seleção do que nos respetivos clubes. Por vezes, fica a sensação de que existe ali um grupo de pessoas que mal se conhece e que se junta ocasionalmente para “jogar à bola”.

    Enquanto líder, enquanto verdadeiro homem do leme, Roberto Martínez deixa muito a desejar, embora gostasse sinceramente de vir a retratar-me destas palavras no futuro. Isso seria, sem dúvida, um excelente sinal para Portugal

    Num plano distinto, o SC Braga optou por manter o treinador Carlos Vicens, responsável por um processo exigente, difícil de implementar e que precisava do tempo como aliado. Contudo, ao contrário do que sinto em relação ao selecionador, o técnico espanhol parece ser o homem certo no lugar certo em Braga. O técnico bracarense parece mesmo ser o homem do leme em Braga. Há uma crença generalizada de que, nesta época, todo o trabalho desenvolvido poderá acelerar o chamado “processo vicensiano”, elevando os bracarenses a um patamar superior, sobretudo nas competições internas.

    Acredito que Carlos Vicens tem capacidade para mobilizar toda a Legião, incluindo os críticos habituais que desconfiam sistematicamente de tudo o que mexe. Da minha parte, o apoio será incondicional, sustentado na convicção de que existe ali muito potencial e elevado profissionalismo, mas sem estar imune à crítica.

    A equipa técnica de Carlos Vicens perdeu, entretanto, um elemento querido por uma franja significativa da massa adepta. António Gómez partiu em busca de melhores condições de vida — decisão compreensível, embora, confesso, pouco do meu agrado. Ainda assim, a vaga foi preenchida por um elemento oriundo da Catalunha. Esperemos que, se existirem diferenças, estas sejam claramente positivas e em benefício do SC Braga

    As mais recentes mexidas no plantel da Pedreira parecem ter acrescentado qualidade e equilíbrio ao grupo que atacará a nova temporada. Espero que estas melhorias aparentes, que avalizo, se confirmem no terreno e permitam ao SC Braga lutar pelos lugares do pódio na Liga Portuguesa, sem descurar as restantes competições.

    Que o tempo e a bancada sejam bons aliados de Carlos Vicens e de todo o grupo que lidera.

     

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