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É particularmente saboroso celebrar o centenário do Belenenses dada a quantidade de vezes que foi anunciada a nossa morte. Estes 100 anos de vida são, obviamente, anos de glória, de campeões e, sobretudo, de um imprescindível contributo à prática desportiva em Portugal. Mas são sobretudo anos de superação, de enganar um fim que, noutros contextos, seria certo. Por cada título que conquistámos, um novo obstáculo se colocou à nossa frente. E soubemos sempre superá-los sem termos de passar por reinvenções drásticas, bem pelo contrário – foi em momentos de maiores dificuldades que nos reencontrámos com a nossa identidade, com aquilo que faz do Belenenses uma instituição centenária, consagrada e popular, que teimará sempre em não desparecer.
A nossa longevidade não seria possível sem o grande movimento associativo que sustenta o Belenenses. Recordamos neste centenário, e com toda a razão, os grandes ídolos que pintaram a ouro as páginas da nossa história. São esses ídolos que trouxeram ao nosso museu as incontáveis taças e distinções que cimentam o nosso estatuto de grande do desporto nacional. Mas não nos podemos esquecer dos ‘anónimos’, dos milhares e milhares de belenenses que vemos no pano de fundo das fotografias que constituem a nossa memória visual coletiva. Atrás das magníficas equipas que vestiram a camisola azul e a cruz ao peito, há sempre um mar de gente a apoiá-los incansavelmente. É graças a esta massa associativa, onde com muito orgulho me insiro, que o Belenenses se mantém de pé.
Foi a união entre sócios e adeptos que permitiu ao clube um renascimento de sucesso no passado ano, e é essa a união que se sente ao festejarmos o centenário no inferno das distritais. Não é, de todo, o lugar onde merecemos estar, muito menos a divisão onde imaginaríamos competir no dia dos 100 anos. Mas prefiro olhar para este fenómeno de outra perspetiva: quantos clubes poder-se-iam dar ao luxo de assinalar um século de vida na 5.ª divisão e, mesmo assim, ver os adeptos unidos nas bancadas à meia noite, receber os parabéns das mais variadas instituições do seu país, ter direito a uma gala no CCB praticamente esgotada? A nossa história fala por si, e fala mais alto que qualquer divisão onde militemos até voltamos ao nosso lugar. Somos um grande, um grande centenário a partir de hoje, e a consciência da nossa grandeza nunca se perderá.
Pessoalmente, não tenho muito mais a acrescentar ao que tenho lido hoje. Nem acho que tenha arte ou engenho para me pronunciar mais a fundo sobre o que estes 100 anos significam. Acrescento apenas que o centenário é uma oportunidade para, em conjunto, a massa associativa olhar para a nossa história de forma crítica e daí retirar importantes conclusões para o futuro, e espero que o Congresso anunciado pela comissão do centenário sirva para isso mesmo. Há que garantir que não ficamos à sombra deste século de história e que os próximos 100 anos serão tão ou mais ricos que os primeiros.
Neste centenário, celebremos tudo o que o Belenenses alcançou e pensemos o que poderemos fazer para alcançarmos novos sucessos. Orgulhemo-nos da nossa história, dos nossos ídolos, da nossa massa associativa, das nossas modalidades, das nossas Salésias e do nosso Restelo, e olhemos para o futuro com a mesma ambição dos nossos fundadores que, há 100 anos, num banco de jardim em Belém, projetaram um clube que mudaria o desporto nacional para sempre. O Belenenses é um projeto em constante evolução e tem uma história que se continua a escrever diariamente. Façamos por escrevê-la sempre a letras douradas – ouro sobre azul. Viva o centenário Clube de Futebol “os Belenenses”!