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Hoje escrevo sobre os primeiros passos da nova época do SC Braga. Quando começa uma nova temporada, renovam-se os sonhos dos adeptos. É sempre assim.
A temporada anterior deixou água na boca em alguns momentos, especialmente a nível internacional, e lágrima ao canto do olho dos adeptos nos piores momentos, vividos em janeiro, quando as coisas pareciam não ter emenda e, afinal, a solução existia sem alterações no comando técnico. O processo de Carlos Vicens e a união dos jogadores em torno dos objetivos coletivos falaram mais alto, mostrando que o caminho a seguir era esse rumo definido.
A avaliação da época já foi feita e agora importa partir de «um zero» superior ao da época passada, porque Carlos Vicens e a maioria do plantel já levam muitas horas juntos, num processo em que as aprendizagens demoraram, mas parecem ter chegado a um patamar de alguma consolidação. Contudo, há um fator que se repete a cada época que passa e a cada outra que começa tudo de novo: as mudanças de jogadores, que umas vezes ocorrem em prol da estabilidade financeira do clube e outras porque os atletas não corresponderam às expectativas, sendo preciso encontrar um novo rumo. É por isso que faz sentido o período do defeso, onde entra o mercado de verão, que muitas vezes se complementa com o mercado de inverno, como tem sucedido desde há vários anos.
Para a temporada que se avizinha já chegaram a Braga os seguintes elementos:
Diogo Travassos, proveniente do Moreirense, onde teve um papel relevante na condição de emprestado pelo Sporting CP. Trata-se de um jogador cuja polivalência encaixa muito bem no perfil desejado pelo treinador Carlos Vicens; para o meio-campo chegou o bósnio Denis Huseinbašić, que encontra no plantel o seu compatriota Adrian Barišić, o que facilitará a sua integração; para as alas chegou o brasileiro Gabriel Silva, bem adaptado à realidade portuguesa depois de quatro temporadas ao serviço do Santa Clara; para a baliza chegou Bernardo Fontes, num regresso desejado por ambas as partes, após duas temporadas ao serviço do Tondela, onde evoluiu bastante, a ponto de o SC Braga ter acionado a cláusula de resgate prevista aquando da sua saída; existe, ainda, o regresso de Francisco Chissumba, cujo destino deverá levá-lo a outras paragens, caso surja uma oportunidade de transferência, uma vez que não surge como um nome prioritário para Vicens.
Relativamente às saídas, há a registar até ao momento as seguintes: o guarda-redes marroquino Alaa Bellaarouch segue por empréstimo para o Dínamo de Bucareste (Roménia), com a possibilidade de continuidade no futuro; o central Paulo Oliveira deixa a Pedreira após cinco temporadas, nas quais fez um percurso respeitável, mostrando ser um grande profissional e figurando, nos tempos mais recentes, no lote dos capitães - creio que é justo agradecer a Paulo Oliveira pelo profissionalismo demonstrado sempre que foi chamado à equipa, em valorização do coletivo. Será mais um a ser bem recebido em Braga, caso lá volte como adversário, porque o respeito foi conquistado; o austríaco Florian Grillitsch deixa o plantel dos Guerreiros do Minho, depois de uma época na Pedreira, tempo que pareceu insuficiente para quem tinha aquela qualidade. É uma saída que se lamenta e que acontece por vontade exclusiva do jogador; o uruguaio Rodrigo Zalazar deixa os bracarenses, onde foi figura de destaque, e muda-se para Alvalade, numa transferência que parece ter agradado a todas as partes; o brasileiro Gabriel Moscardo esteve uma temporada em Braga, por empréstimo do PSG, e parte em busca de nova aventura, não sendo uma perda significativa.
O plantel bracarense já trabalha há alguns dias, mas continua a apresentar-se como um esboço inacabado, cujos contornos estão ainda longe de ser definitivos. Persistem várias situações por resolver, tanto no capítulo das entradas como no das saídas, e a sensação é a de que a casa continua por arrumar em Braga. Ainda assim, nesta janela de transferências, é fundamental que o plantel fique mais equilibrado do que na época anterior, marcada pela saída de Roger, que deixou as alas arsenalistas órfãs de soluções. Essa lacuna tornou-se evidente sempre que foi necessário recorrer a um plano alternativo, capaz de explorar o jogo pelos flancos ou a profundidade vertical do ataque perante defesas mais difíceis de desmontar. Esse plano alternativo tem, portanto, de existir e de ser trabalhado, pois não serão poucos os jogos em que os blocos baixos adversários o irão exigir. Resta, por agora, aguardar pelos próximos capítulos.
A formação do SC Braga sofreu grandes remodelações, mostrando que os resultados continuam a ditar leis, mesmo no patamar da formação. Numa observação exterior, parece haver alguma ligeireza na forma como se deixa cair um campeão recente como Pedro Pires, cujo trabalho parece agora desvalorizado por uma prestação menos conseguida na primeira fase de competição dos Sub-19. Sobre os outros elementos substituídos confesso algum desconhecimento, pelo que me abstenho de alongamentos excessivos sobre assuntos que não domino, ainda que os escalões de Sub-17 e Sub-15 tenham terminado os respetivos campeonatos no pódio final. Ainda assim, acredito que as mudanças tenham como pano de fundo o sucesso do SC Braga, mesmo que algumas decisões aparentem alguma crueldade. Estarei atento na próxima temporada, para que o balanço global possa ser feito com rigor.