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Ao jogo 30 de leão ao peito, Luis Javier Suárez Charris chegou à marca nada despicienda de 22 golos. O rapaz de Santa Marta, paraíso caribenho na costa colombiana, fez os dois do Sporting na gloriosa vitória sobre o PSG.
Em Alvalade, ainda há alguma alma a suspirar de saudade por Viktor Gyokeres?
Se Soares foi fixe nas presidenciais de 1986, Suárez é fixe em 2026. Muito fixe.
Luisito pressente como poucos o sangue nas áreas, fareja a perturbação e castiga. O pobre Chevalier que o diga, impotente perante o remate de pé direito (depois de um canto aparentemente perdido) e o cabeceamento colocadíssimo (em recarga) do leão contratado ao Almeria.
Um achado, senhores.
A tendência destes dias perigosos, tumultuosos, passa por relativizar as regras do passado e sabotar o presente. Suárez não alinha em jogos florais e não entra na lufa-lufa de versículos incendiários.
O homem só pensa em estar no sítio certo, à hora marcada, de passo acertado e compenetração nórdica – uma prova mais do globalismo neste mundo da bola.
Não sei se é superior ou não ao antecessor. O viking de músculos e arrancadas deixou 97 golos em pouco mais de 100 jogos, herança mais envenenada do que uma mansão hipotecada deixada à família por um burguês afogado em dívidas.
Suárez é distinto, isso é. Diria, de resto, que a mera existência desta dúvida (Suárez ou Gyokeres?) é a prova maior da qualidade do sul-americano. Rápido, incisivo, tecnicamente capaz, pouco dado a lesões, uma invenção fenomenal do scouting verde e branco.
Chegará aos números de Viktor? Andará perto. E, possivelmente, com mais influência no ataque organizado de Borges, com mais toques na bola, mais participação, mais coordenação com Trincão & companhia.
Por falar em Borges, é bom lembrar o trabalho salvífico do transmontano em 25/26, capítulo II de uma sucessão ingrata à era-dionisíaca de Ruben Amorim.
Não fosse o extraordinário rendimento do FC Porto de Farioli, o que estaríamos a dizer hoje deste Sporting?
Não fosse a derrota em Alvalade no clássico contra o dragão – este SE é maiúsculo, naturalmente -, os leões estariam ombro a ombro com o rival nortenho na I Liga. Assim, resta-lhes não perder o trilho e aproveitar eventuais escorregadelas do líder.
Ah, já agora, a 9 de fevereiro há Porto-Sporting no Dragão. Um jogaço.
PS: o Sporting Clube Portugal tem 385 jogos realizados nas provas da UEFA. 109 para a Taça/Liga dos Campeões, mais dez em rondas de qualificação. É impossível dizer que o 2-1 ao PSG é a melhor ou a mais importante vitória europeia do clube. Essa, parece-me, será sempre a obtida na final da Taça das Taças em 1964, no eterno Cantinho do Morais. Menos arriscado é defender o crescimento agressivo e convincente do Sporting na Europa. Nos últimos cinco anos, caíram em Alvalade equipas de elite: Borussia Dortmund, Tottenham, Manchester City e agora o campeão europeu em título. No deserto dos Sportings passados, erguia-se um 1-0 ao Inter em setembro de 2006, serventia de um golaço de Marco Caneira (não me estou a enganar) e pouco mais. Parabéns a Frederico Varandas e restante administração por este salto gigante. O cognome fica-lhes bem: Suárez é fixe e este Sporting também.