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    António Costa
    António Costa
    O sítio dos Gverreiros
    António Costa

    António Salvador

    2026/06/13
    E0
    "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

    As palavras que hoje escrevo neste espaço têm como destinatário António Salvador, presidente do SC Braga. Não vou distinguir, a não ser que seja forçado a tal, os cargos de presidente do SC Braga e da SAD do clube, a que também preside.

    Era ainda um jovem desconhecido quando António Salvador foi convidado a ir para a linha da frente na guerra de sobrevivência que o SC Braga enfrentava — usando uma linguagem bélica que não me apraz, mas apenas em sentido figurado. O clube bracarense vivia sob o espetro da despromoção e enfrentava dificuldades financeiras que empurravam, sistematicamente, a satisfação das necessidades de tesouraria para o dia anterior. Corria o ano de 2003 quando o atual líder bracarense assumiu o cargo e a missão complicada de evitar a despromoção, procurando em simultâneo um caminho que pudesse conduzir a um sucesso duradouro. Afinal, chegar ao topo pode ser acessível; manter-se lá é uma missão que poucos conseguem, como a história dos clubes portugueses demonstra de forma clara.

    Ao longo dos vinte e três anos em que preside ao SC Braga, António Salvador apenas falhou por uma vez o apuramento para as competições europeias, num clube que antes alternava longos períodos de ausência internacional, com presenças fortuitas, e lutas intensas pela manutenção. Eram os tempos do “Braguinha dos trezentos”, que, ocasionalmente, surpreendia os adversários e conquistava o direito de disputar jogos europeus, em momentos diferenciadores para a cidade de Braga.

    António Salvador foi construindo plantéis com qualidade, formando valores cujas transferências ajudavam a recuperar a estabilidade financeira. Apostou na contratação de jogadores experientes, alguns deles internacionais, para os conjugar com outros de futuro promissor, cuja valorização se revelava essencial na angariação de receitas extraordinárias capazes de saciar os cofres sedentos do clube. Houve também uma mudança estrutural relevante: o tempo em que os clubes autoproclamados grandes iam a Braga buscar os melhores jogadores a troco de pouco dinheiro ficou para trás. As transferências passaram a ser feitas por valores que reconheciam devidamente o valor dos atletas, crescendo de forma sustentada ao longo dos anos. O presidente, que considero de forma inequívoca o melhor de sempre em Braga, jogava em dois tabuleiros essenciais: o das despesas e o das receitas, com a consciência clara de que, globalmente, as receitas tinham de superar as despesas, nem que fosse através de uma “simples contabilidade de merceeiro”.

    Garantida a estabilidade do clube, ainda que algumas épocas servissem para compensar outras, chegou o momento de procurar vencer títulos. António Salvador foi — e é — o reflexo fiel da crença e da determinação de quem quer vencer sempre mais. Há um período antes de António Salvador e outro depois. O SC Braga, que até então contava apenas com uma Taça de Portugal e uma Taça FPF — que vergonhosamente as entidades oficiais tentam escamotear —, foi, durante este “reinado Salvadorenho”, vencedor de mais duas Taças de Portugal, três Taças da Liga e uma Taça Intertoto, integrando o restrito lote de equipas portuguesas que conquistaram troféus sob a égide da UEFA. Para além disso, o SC Braga foi vice-campeão nacional numa época em que a sujidade ajudou a roubar o título às gentes bracarenses, em 2009/2010, marcou presença por três vezes na Liga dos Campeões e esteve presente numa final da Liga Europa, em 2011. Na temporada agora terminada, o sonho de uma nova final europeia foi traído por uma incidência negativa na meia-final frente ao Friburgo, num encontro em que o SC Braga era superior em igualdade numérica e foi gravemente prejudicado por uma expulsão prematura.

    O presidente bracarense, sobre quem escrevo com a independência de quem não mantém quaisquer relações próximas, foi evoluindo ao longo do tempo, tornando-se menos adepto e mais institucional, substituindo a emoção pela razão. Tal evolução é visível, por exemplo, na forma como no passado se mostrava impaciente com os treinadores quando os resultados não correspondiam às expectativas, em contraste com o presente, em que uma postura mais racional o leva a manter no cargo um treinador que a esmagadora maioria dos adeptos não apoia. O exemplo paradigmático é a atualidade: em janeiro, após a derrota numa final da Taça da Liga que não podia perder e uma eliminação surreal em Fafe, frente a um adversário do terceiro escalão, Carlos Vicens foi mantido no cargo, numa crença quase ilimitada no processo que sustenta o atual projeto desportivo do SC Braga. A época só não terminou em delírio total porque o futebol foi ilógico na eliminação sofrida na meia-final da Liga Europa, frente aos alemães do Friburgo, uma equipa de qualidade inferior.

    Com a passagem gradual do tempo, António Salvador foi-se rodeando de pessoas competentes, sendo hoje notória a melhoria em várias áreas, nomeadamente na comunicação, interna e externa, bem como nas múltiplas iniciativas promovidas pelo clube. Estas visam frequentemente o reconhecimento de quem o apoia, seja através de parcerias, das bancadas ou de ações de caráter solidário. Existe ainda margem para melhorar, tanto na relação com os associados como na vertente desportiva, mas o caminho do futuro em Braga parece seguro.

    A avaliação global do presidente do SC Braga, com as virtudes e defeitos que lhe são reconhecidos, é amplamente positiva, e a fé em alcançar algo maior no futuro está bem consolidada. A figura desconhecida do início do seu percurso tornou-se uma referência no plano nacional, com reconhecimento além-fronteiras. O SC Braga afirma hoje uma posição relevante no futebol português, com uma presença internacional que valida o imenso crescimento registado. Está crescido este SC Braga, e o caminho do sucesso cruza-se com o seu destino — se houver alguma aproximação à verdade desportiva no futuro, que todos dizem desejar, mas que poucos parecem querer verdadeiramente.

    Pelo exposto, faço votos de longa vida presidencial a António Salvador, colocando sempre os interesses do SC Braga acima de tudo, mantendo a mente focada na conquista da realidade a partir do sonho de ser Campeão um dia que alimenta a Legião Braguista, praticando uma autorregulação constante do desempenho do seu cargo e procurando aprender sempre mais e melhor, de modo a elevar continuamente o patamar do SC Braga.

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