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O SC Braga está a viver uma época atípica no que à regularidade da liga portuguesa diz respeito. O início de época foi promissor, com a entrada nas competições a dar seguimento aos bons sinais vindos dos trabalhos preparatórios. Esses bons ares foram interrompidos à terceira jornada e surgiu, então, um período de seis jogos na liga sem vencer, o que colocou dúvidas onde estas antes não existiam. Foram pontos a mais que se desperdiçaram para difícil recuperação posterior.
A primeira retoma foi conseguida até à época natalícia, cujas festas parecem ter feito mal à equipa de Carlos Vicens. Os jogos com o SL Benfica, para o campeonato português, e em Leiria, para a Taça da Liga, mostraram de novo que o SC Braga responde bem aos desafios mais exigentes, parecendo que os jogadores necessitam de algo desafiante para colocarem em prática o seu potencial. Os dias mais horríveis da temporada surgiram com a saída das taças internas, uma vez que a nível internacional o apuramento direto para os oitavos de final da Liga Europa significou um sinal claro de afirmação internacional.
O regresso à liga portuguesa tinha como finalidade recuperar o terreno perdido nos dois períodos referidos, especialmente no primeiro, de modo a alcançar o quarto lugar, visto em Braga como objetivo mínimo há muito tempo. As quatro vitórias consecutivas na prova valeram a chegada a esse quarto posto na tabela classificativa.
Este período mais sorridente da Legião coincidiu com a realização de alguns jogos que denotavam uma clara evolução de todo o projeto de Carlos Vicens. O futebol agradável e a eficácia defensiva surgiam com uma certa naturalidade, resultando em alguns golos que são uma elevação do bom futebol. A equipa arsenalista escrevia poesia em movimento no relvado, através de algumas jogadas que evidenciavam a qualidades dos seus melhores intérpretes.
A visita a Barcelos surgia em clima de tranquilidade, de calendário para novos trabalhos do treinador na implementação de novas ideias, e para os adeptos, que viam a equipa respirar a preceito. A elevada importância do jogo no recinto do Gil Vicente não era previsível no início da época, mas como a bola é redonda, caminha muitas vezes para sítios indesejados e torna o futebol tão imprevisível e apaixonante. Foi esta imprevisibilidade que fez subir a importância momentânea do duelo, uma vez que o SC Braga estava apenas dois pontos acima de Barcelos nesta compita.
Os adeptos braguistas responderam à importância do desafio e apareceram no reduto do Galo em número abastado, dando um colorido especial às bancadas. Em relação ao que se passava no relvado, parecia que o SC Braga ia dar continuidade ao bom momento que atravessava, quando se adiantou no marcador, por intermédio do inevitável Ricardo Horta, depois de uma primeira parte em que a sua superioridade existiu.
Contudo, a diferença mínima no marcador permitiu aos gilistas a busca do terreno perdido antes do intervalo, com o seu treinador a promover alterações que indiciavam melhorias na etapa complementar, sem resposta adequada no lado bracarense. César Peixoto ousou e foi feliz, sendo o vencedor da noite no resultado final, que valeu aos galos a chegada ao quarto lugar novamente, ao qual são sérios candidatos nesta altura.
A retoma foi interrompida em Barcelos, de novo nesta temporada. Agora existe espaço para recuperar, num calendário cujas dificuldades crescem e poderão fazer a equipa crescer com ele. A Pedreira será, na próxima jornada, palco da receção ao eterno rival, Vitória SC. Os conquistadores estão a realizar um campeonato abaixo das expectativas dos seus adeptos, ainda que a posição atual não deslustre.
No lado bracarense existe a vontade de corrigir alguns contratempos da temporada. As equipas vêm de resultados e de contextos diferentes, mas isso pouco importa quando a bola começar a rolar. Este dérbi é diferente e deve ser jogado como tal, sendo expectável que as bancadas estejam com muitos adeptos presentes.
O SC Braga tem um mês de fevereiro menos apertado no seu calendário, pelo que a equipa deverá surgir fresca, tal como o seu rival, cujo número de jogos realizados até ao momento é substancialmente menor. As competições europeias são uma montra importante, mas exigem trabalho diferenciado de modo a não se notarem demasiado os efeitos nefastos da realização de mais partidas.
Que a bola role e o futebol brácaro reencontre os caminhos do sucesso.