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O futebol português vive dias airosos no que à subida no ranking europeu diz respeito, especialmente fruto das recentes semanas triunfais das quatro equipas a competir a nível da Europa. Claro que se lamenta a eliminação prematura do Santa Clara, que não estava preparado para disputar a Conference League, como se demonstrou cedo de mais.
O percurso regular das habituais equipas do top quatro tem valido pontos a Portugal que lhe permitiram ir recuperando terreno em relação aos Países Baixos. FC Porto, Sporting CP, SL Benfica e SC Braga têm tido uma crença europeia que lhes valeu a conquista de muitos resultados positivos, desportivos e financeiros, muito superiores ao que o contexto desequilibrado entre os clubes portugueses augurava.
Acrescento, além dos clubes mencionados, a carreira de excelência do Vitória SC na época anterior, que se saúda, num aparecimento oásico nestas disputas europeias. Foi um aparecimento pontual dos vimaranenses, que se estivessem num patamar mais regular e superior, podiam ajudar bastante na posição portuguesa no ranking da UEFA.
Esta temporada foi realmente excecional a nível da superação das fases regulares, quer da Liga dos Campeões como da Liga Europa. Ao nível da Champions, o Sporting CP fez um percurso brilhante e conseguiu o apuramento direto para os oitavos de final, à frente de emblemas teoricamente muito mais poderosos, ao passo que o SL Benfica conseguiu o milagre de se apurar com o golo decisivo a surgir no último do minuto do triunfo frente ao Real Madrid, apesar da incompetência informativa no banco das águias perto do fim do encontro, quando todos pensavam que a vitória tangencial seria suficiente. A águia foi feliz, apesar de tudo, e agora tem novo duelo, desta vez a duas mãos, na disputa do playoff da Champions frente ao Real Madrid.
A Liga Europa teve o FC Porto e SC Braga a apurarem-se diretamente para os oitavos de final, graças à ocupação dos quinto e sexto lugares, respetivamente. Os bracarenses chegavam à última jornada numa posição mais favorável e até podiam disputar a liderança final, algo que não viria a acontecer devido ao contexto e ao nulo registado nos Países Baixos, frente ao Go Ahead Eagles. Os portistas estiveram a perder, mas acabaram a vencer os escoceses do Rangers, o que lhes valeu a subida ao quinto lugar final.
O percurso europeu do SC Braga é digno de elogios, uma vez que venceu dez partidas pela primeira vez na sua história, ao qual juntou uma derrota e três empates neste percurso de excelência.
A fase regular da Liga Europa terminou com um empate sem golos, acima referido, num duelo que pareceu sempre controlado e sem riscos desnecessários, uma vez que os neerlandeses não conseguiram um único remate enquadrado no jogo todo, ao passo que os comandados por Carlos Vicens tiveram diversas oportunidades para vencer, mesmo jogando num ritmo baixo, que mais parecia de um treino em modo de poupança de energias. O embate acabou em festa, entre a equipa e os adeptos presentes no estádio, com a celebração da qualificação superior do SC Braga, certificada pelo seu percurso global.
A performance bracarense não teve eco correspondente na imprensa desportiva, supostamente especializada, senda a capa do Record da última sexta-feira o pior exemplo de todos a esse nível. É absolutamente lamentável a postura desse jornal num momento tão importante do nosso futebol, para o qual o SC Braga deu um contributo tão evidente e que não merecia essa ostracização.
Alguns canais privados de televisão também não dignificaram o jornalismo com a sua (des)informação. Penso que, em especial, a péssima opção de capa do jornal Record, condenado por todos os quadrantes, justificava uma posição institucional do SC Braga, pois quem não se sente, não é filho de boa gente, como bem diz o povo.
Até final da época, deverá acontecer a confirmação da ultrapassagem de Portugal aos Países Baixos, com as vantagens que daí podem advir. Contudo, é preciso aproveitar este período para ir preparando as mudanças que se impõem, tendo em vista a maior competitividade do futebol português, sobretudo a partir da dotação de equipas mais fortes, abaixo das quatro habituais da parte cimeira da classificação. Entre esses contributos estão a reformulação que está a ser discutida das provas nacionais e a centralização dos direitos televisivos, que se revela fundamental para que os clubes de menores recursos se apresentem mais fortes e competitivos.
Ver o líder da liga portuguesa, sem derrotas, com um empate e dezanove triunfos até ao momento é algo impensável numa liga competitiva, sendo caso único a nível das principais ligas europeias.
Espero, sinceramente, que as entidades responsáveis do futebol português promovam o debate e dele possam resultar transformações que tornem o futebol mais forte no futuro. A subserviência de alguns emblemas em relação a outros é um entrave à evolução desta modalidade desportiva que move tantas
paixões.