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Este texto não é sobre futebol.
Nem sobre a Argentina, selecção argentina ou jogadores argentinos, embora Lionel Messi e Diego Armando Maradona sejam dois fabulosos jogadores dessa nacionalidade que estão no restrito lote dos maiores de todos os tempos que a modalidade conheceu.
É sobre pessoas.
E sobre mentalidades.
Pessoas cuja mentalidade as levou a estarem enclausuradas num armário durante quase vinte anos, escondendo as reais motivações dessa clausura, mas que periodicamente deitavam o nariz (a boca e a língua) de fora para tecerem loas e elogios a Lionel Messi.
Que colocavam nos píncaros, que consideravam o melhor de todos os tempos e o mais fabuloso do Universo (mesmo sem se saber se joga futebol noutro planeta que não o nosso), quase reduzindo o futebol a "Messi e os outros".
Não eram argentinos, ao contrário do que se poderia pensar lendo, vendo e ouvindo-os conforme os casos.
Quanto muito "argentinos" de contrafacção e de oportunismo.
Porque eles eram (e são), na realidade, fervorosos anti-Ronaldo.
De quem não gostavam (e continuam a não gostar) pelas mais diversas razões.
Porque tem sucesso, porque é muito rico, porque é admirado em todo o mundo, porque é um português que "por obras valorosas se foi da lei da morte libertando", porque tem a personalidade que tem, porque jogou no Sporting, no Manchester United, no Real Madrid e na Juventus em vez de ter jogado no Benfica (ou Porto), no Liverpool, no Barcelona ou no Milan, porque goza bem a vida fora do futebol - e por mais algumas razões - e porque para eles tudo serve para não gostarem de Ronaldo.
Mas, não tendo a coragem e muito menos os argumentos para criticarem o genial futebolista português (tão português como esses "argentinos" face à lei, mas muito mais na realidade), faziam de cada elogio, cada loa, cada endeusamento de Messi aquilo que na realidade não passavam de ataques, críticas e remoques a Cristiano Ronaldo.
E assim foi durante muitos anos.
Fechados no armário, remoendo raivas e invejas, aproveitando cada sucesso de Messi para menosprezarem Ronaldo e ficando calados que nem ratos perante os incontáveis sucessos de Ronaldo.
Quase vinte anos de frustração. Deve ser duro...
Este Mundial não correu particularmente bem a Portugal nem a Ronaldo.
Embora ficar nas oito melhores selecções do mundo não seja desprestigiante e o facto de se sagrar o jogador mais internacional de sempre e o único que marcou em cinco fases finais de mundiais sejam mais dois recordes absolutamente extraordinários.
Não importa.
Os "argentinos" já não aguentavam mais tanta clausura e até se atropelaram uns aos outros na pressa em saírem do armário para agora criticarem Ronaldo às claras, usando como sempre os elogios a Messi como arma de arremesso.
A raiva, a frustração, a inveja que lhes corroeu as entranhas durante tantos anos encontrou, num insucesso pontual de Ronaldo (e de Portugal), a via ideal para vir à superfície e espalhar o odor nauseabundo a mentalidades tacanhas e bafientas.
Afinal, é o bafio dos que viveram, por opção própria, enclausurados durante quase vinte anos num armário chamado inveja.
É a vida.
Nota: Como sabe, quem tem a paciência de me ler, sempre me recusei a entrar em comparações entre Ronaldo e Messi. Considero-os os dois mais geniais futebolistas do século XXI - e do tal lote restrito dos melhores de sempre - e sinto-me feliz por ter tido a oportunidade de os ver tantas vezes a encherem os relvados da genialidade incomparável que possuem.
Quando estiveram em confronto directo nunca tive dúvidas.
Ronaldo.
Sempre!