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    O sítio dos Gverreiros
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    Números redondos

    2026/02/07
    E0
    "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

    O SC Braga vive um período em que a sua principal equipa de futebol navega em águas mais calmas, depois daquele período conturbado recentemente vivido, em que foi sentido um abalo tremendo em toda a Legião. Falando em fenómenos da Natureza, registo aqui uma palavra de conforto para todas as pessoas afetadas pelas incidências atmosféricas negativas, especialmente a quem perdeu algum familiar ou amigo nesse contexto, sem com isto querer diminuir a dor daqueles que tudo perderam em tão pouco tempo. Parece que a Natureza se zangou com os maus tratos de que é vítima por parte da humanidade, castigando desta vez vários locais de Portugal. É preciso que todos consigam levantar-se, com ou sem as ajudas prometidas, porque a vida tem que continuar.

    Voltando ao futebol, o ar para os lados da Pedreira está agora mais respirável, fruto do levantamento que a equipa bracarense soube fazer, depois de ter sofrido uma queda com demasiado estrondo. As coisas parecem sair agora de uma forma mais natural e leve na equipa que Carlos Vicens comanda. Também o técnico espanhol, bem como a sua equipa, sente agora que as coisas estão melhores, tal como se reflete nos resultados atuais. Só espero que os brácaros não voltem a “esforçar-se” para as coisas piorarem repentinamente, ainda que saibamos que o futebol contém um lado muito aleatório, que o torna várias vezes imprevisível e, por isso mesmo, razão para muitas paixões.

    Registo agora, com prazer, os momentos de comunhão entre a equipa e os adeptos observados nos Países Baixos, depois de confirmado um apuramento direto, bastante merecido, do SC Braga para os oitavos de final da Liga Europa. Tem sido um percurso europeu até ao momento que orgulha qualquer Braguista, havendo por agora lugar ao sonho de um feito ainda maior. Veremos o que o futuro reserva a toda a Legião, cuja vontade de estar nos grandes palcos é enorme.

    A nível interno, o SC Braga está por esta altura apenas concentrado na liga portuguesa, o que permite tempo de preparação da equipa que até aqui não existia nestas doses que o mês de fevereiro vai proporcionar. É agora que Carlos Vicens pode trabalhar coisas novas e aprofundar alguns conteúdos já abordados, o que pode permitir alternativas ao plano que serve de base a todo o trabalho realizado. Recentemente, tem sido notória a evolução na circulação de bola com vocação mais ofensiva e os remates à baliza adversária que em alguns jogos do passado mais pareciam uma proibição.

    Após uma goleada infringida ao Alverca, na Pedreira, o SC Braga deslocou-se à Vila das Aves para defrontar uma equipa que ainda não venceu qualquer jogo na liga portuguesa, mas que na primeira volta empatou em Braga. Assim, quaisquer sinais de facilitismo estavam proibidos sob pena de surgir um indesejado desaire. O jogo terminou com o triunfo claro, por quatro golos sem resposta, da turma arsenalista, que desse modo respondeu ao resultado gordo com que o Gil Vicente derrotara o Famalicão, o que valeu a ocupação do quarto lugar, onde a equipa surge mais próxima do pódio. 

    O resultado abastado dos bracarenses frente ao AFS contrastou com as dificuldades que sentiram as outras equipas que disputaram jogos europeus, uma vez que o Sporting CP bateu em jogo caseiro o Nacional da Madeira no último minuto de descontos, numa cena de película que se vem repetindo várias vezes esta temporada, o SL Benfica empatou em Tondela e o FC Porto perdeu, pela primeira vez na liga, no terreno do Casa Pia.

    O duelo da Vila das Aves começou com um golo simbólico da lenda viva Ricardo Horta, que inaugurou o marcador e, assim, chegou ao golo 150 com a camisola do SC Braga. O Capitão bracarense vai batendo recordes num clube que aprendeu a amar mais tarde do que é normal, mas ainda a tempo que deixar o seu nome registado pelas diversas marcas atingidas, sempre com muito sentimento. Este golo do camisola 21 foi, ao mesmo tempo, o golo 3000 dos bracarenses na liga portuguesa. Em ambos os casos foram atingidos números redondos que importa sublinhar, porque nos dois casos sublinham páginas relevantes que foram escritas.

    Uma nota final para formular votos de prolongamento deste estado de ânimo positivo atual no SC Braga e que Carlos Vicens consiga o tão desejado tempo para o trabalho específico que o calendário que tem existido impediu. 

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