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Desde o último artigo de opinião aqui publicado, já muita turbulência foi sentida em Braga, algo que estava fora dos planos braguistas, naturalmente. Para o estado grave em que se encontra o SC Braga foram determinantes as derrotas frente aos vizinhos Vitória SC, na final da Taça da Liga, e AD Fafe, na Taça de Portugal, duas equipas, em teoria, inferiores, mas que foram competentes no relvado, aproveitando as fragilidades evidenciadas pela turma bracarense.
Abordemos, ainda que de forma breve, por já se encontrar desfasada no tempo, a final realizada em Leiria, que permitiu aos vimaranenses a conquista da sua primeira Taça da Liga e a consequente festa das suas gentes. Repentinamente, esta competição passou a ter um valor acrescido em Guimarães. O triunfo dos conquistadores foi conseguido após mais uma remontada.
Foi assim nos três jogos do seu percurso vitorioso, frente a FC Porto, Sporting CP e SC Braga, equipas que, quando estiveram em vantagem, nunca foram capazes de definir o resultado através da concretização de alguma das oportunidades existentes para ampliar a margem. Globalmente, pelo percurso efetuado, o Vitória SC acaba por ser um justo vencedor, aproveitando bem as fragilidades dos seus adversários.
A nota mais negativa de Leiria foi a morte prematura de Luís Azevedo, que faleceu a ver o clube do seu coração jogar, não chegando sequer a conhecer o desfecho da partida. Triste notícia para a Legião, que ficou, certamente, mais pobre com este acontecimento.
Ainda com as feridas da final perdida bem abertas, o SC Braga tinha todas as condições para vencer em Fafe e ajudar na sua cicatrização, uma vez que o adversário milita no terceiro escalão e já havia sido derrotado, esta temporada, pela equipa secundária bracarense. Contudo, como «cartão de visita», os fafenses apresentavam também as eliminações, nesta época, de Moreirense e FC Arouca, o que deveria ter servido de aviso para os riscos de uma abordagem pouco séria ao jogo.
O desempenho arsenalista no encontro de Fafe foi simplesmente miserável e conduziu a uma eliminação que impede a equipa de marcar presença nas meias-finais da competição. A situação foi tão grave que António Salvador sentiu a necessidade de ir ao balneário e falar à imprensa para pedir desculpa aos sócios e adeptos braguistas. Contudo, Sr. Presidente, as desculpas não se pedem, evitam-se, e era isso que o grupo de trabalho deveria ter compreendido.
O sentimento geral aponta para uma falta de honra coletiva, referida pelo responsável bracarense. Eu acrescento que houve, acima de tudo, uma falta de vergonha dos jogadores, cujo desempenho deveria conduzi-los a noites de insónia, caso sentissem minimamente o símbolo que ostentam. Deste modo, Fafe ficará registado como um dos momentos mais negros da história recente do SC Braga, cujo rendimento está muito aquém dos milhões investidos.
O presidente António Salvador afirmou que há valores inegociáveis, como «honra, vontade, ambição, querer e orgulho», acrescentando que a época começava no dia seguinte ao jogo. Discordo. Na minha opinião, a época terminou em Fafe, pois, na Liga Europa, a discussão resume-se à eventual passagem de uma ou duas eliminatórias, enquanto, no campeonato, a distância para o pódio torna essa luta uma utopia.
Neste momento, importa levar o barco para águas mais tranquilas do que as atuais, cuja agitação faz naufragar qualquer ideia de projeto ou processo. Não há paciência para mais do que se tem visto, num percurso oscilante e irregular que desgasta os adeptos. A equipa bateu no fundo.
A eliminação da Taça de Portugal foi simplesmente vergonhosa, depois da já lamentável perda do título da Taça da Liga. O caminho acessível que resultou dos sorteios da Taça de Portugal recomendava uma resposta mais competente do SC Braga no acesso à final.
Estes últimos dias foram uma autêntica miséria de vermelho e branco, que nem as desculpas presidenciais conseguem atenuar.
O mês de janeiro conduzirá todos à gala da tristeza em que, subitamente, se transformou a Gala da Legião. Esta passou a ser uma festa que já poucos querem ver, face ao contexto negativo criado. O momento atual em Braga é mau demais para ser verdade.
O crédito da equipa esgotou-se e ela está em dívida com os adeptos por muito tempo. Neste momento, não há quem acredite neste processo, nestes jogadores e nesta equipa. Não são fiáveis nem confiáveis. É imperativo reconhecer e corrigir os erros cometidos.
A equipa caiu com um estrondo impensável e agora é hora de reagir. Levantem-se como verdadeiros Gverreiros do Minho e mostrem a honra que cada um tem por este símbolo do SC Braga.