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Sou contra o VAR.
Mas calma.
Não me batam ainda.
Sou contra esta nova tecnologia que não me deixa festejar golos.
Que me faz esperar quase cinco minutos por decisões tão claras à primeira vista.
E por foras de jogo que são marcados aleatoriamente.
Ora milimetricamente bem decididos.
Ora milimetricamente mal decididos.
Onde, não sei se já repararam, alguns elementos do banco têm alguém que está a ouvir, ou mesmo a ver a transmissão televisiva.
E faz de VAR ainda antes do próprio VAR.
Avisando jogadores das irregularidades vistas no ecrã.
Os próprios árbitros defendem-se com isto.
Não tomam decisões.
Esperam por quem tem melhor “visibilidade”.
E “escondem-se”.
Mas afinal o que mudou com o VAR?
Discutimos menos?
Existem mais decisões certas?
Ou revertidas?
Parece-me que se perdeu muito mais do que se ganhou.
E atenção.
Dou o braço a torcer pois já houve lances em que o recurso ao vídeo foi muito bem utilizado.
Mas não deveria ser isso sempre?
Quando aderimos ao vídeo-árbitro não era isso que supostamente seria o normal e corriqueiro.
Não.
E este NÃO é de fácil explicação.
Porque o VAR depende da interpretação de humanos.
Que falham.
A diferença é que antes falhavam porque não viam.
E agora falham porque não têm competência para ver.
Ou analisar.
E mais.
O mesmo lance analisado por dois árbitros com recursos às imagens.
Com repetições em câmara lenta, vezes e vezes sem conta.
E com todos os ângulos possíveis.
Mesmo esse lance pode ter interpretações diferentes.
Já não vos aconteceu o mesmo com um amigo que também entende da matéria?
Olharem para o mesmo lance e interpretarem de forma diferente do que foi ajuizado.
A verdade desportiva ficou mais ameaçada com VAR do que sem.
Hoje tudo se mete em causa.
Eu sempre fui contra.
Nem tudo o que veio para evoluir o futebol me fascinou ou convenceu.
Basta lembrar aqueles dois árbitros de baliza na Liga Europa.
Importantes, não é?
Fundamentais para o jogo, não é?
Nunca se perguntaram que influencia ou decisões tiveram aqueles senhores desde que existem?
Eu sei.
Nenhuma.
São apenas espectadores com lugares privilegiados.
Falem-me do olho de falcão.
Isso sim, importante.
Com decisões que podem e mudam o jogo.
Bola está dentro ou fora?
Não tem discussão possível.
Tudo o resto perdoem-me, mas não vai resultar.
Haverá decisões revertidas e corretas.
Mas, na mesma medida, vão existir decisões que nos vão chocar de tão erradas.
O melhor VAR, para mim, vai continuar a ser um árbitro sério e competente.
Perto dos lances.
Sem condicionantes e condições à sua volta para apitar.
E mesmo esse amigos vai falhar.
Portanto.
Por muito que nos custe.
E mesmo que não queiramos ver.
O VAR está a matar o futebol.
E nós estamos a ser cúmplices.