Fui jogador do desporto que nos apaixona. Joguei na distrital e na I Liga. Vivi o melhor e o pior. E em todos os momentos senti sempre que expressava melhor as minhas ideias com as mãos do que com os pés. Aqui vou escrever sobre tudo o que importa saber do jogo de forma livre e sem barreiras
Era não era?
O Sporting tinha uma Acuña encravada e não era de agora.
Foi o acordo possível.
Também sou da opinião que pudesse valer um pouco mais.
Mas não muito mais.
E isto porquê.
Porque a pandemia meteu a maior parte dos jogadores em saldos.
O “absurdo” que valiam antes.
Nada tem a ver com o que valem agora.
Exceptuando a zona de Almería e Wolverhampton que não aderiram à campanha de promoções.
Mas admito que o facto do jogador ser internacional pelo seu país.
Pudesse render mais “um ou outro milhão".
Ao contrário do que tenho ouvido dizer.
Esta desvalorização que se tem vendido nada tem a ver com o facto do argentino treinar à parte.
Aliás o Sporting geriu o processo da melhor maneira.
Ou pelo menos da maneira possível.
Meteu o jogador a treinar à parte enquanto negociava.
Não correndo riscos com lesões e eventuais processos disciplinares.
O Sporting não meteu Acuña a correr na estrada.
Foi Acuña que meteu Acuña a correr na estrada.
Para publicar nas suas redes sociais propositadamente.
Ninguém o mandou treinar daquela maneira a não ser ele mesmo.
Com o intuito de pressionar e despertar a empatia que nunca teve com os adeptos.
Eu já “vivi” em balneários.
Sei ou imagino o que traz ao grupo um jogador com este temperamento e a sua vontade de sair.
Porque a verdade é essa.
Acuña tinha zero interesse em ficar no Sporting.
Já se tinha noticiado por outras vezes que queria sair.
Que não treinava à espera de negociações.
Portanto não é de agora.
O lateral esquerdo argentino completa 29 anos em outubro.
Fez três épocas onde rendeu ao clube três taças.
Foi utilizado sempre que esteve disponível.
E sai pelos mesmos valores que entrou.
Mais coisa menos coisa.
Portanto o clube tirou o máximo rendimento dele.
E não conseguindo ganhar dinheiro.
Também não o perdeu.
Foi um “aluguer de serviços” bom para todos.
Gosto dos sportinguistas que hoje dizem que foi mal vendido porque era um jogador que dava tudo.
O problema foi que muitas vezes dava demais.
Era assim quando ficava no limite da expulsão por várias vezes.
Estes últimos anos então até os próprios adversários já se aproveitavam disso para o provocar.
E quando dava tudo onde não devia.
Foi assim também no Aeroporto na Madeira.
Naquela discussão que tão más consequências trouxe ao clube.
Portanto lembrem-se disso antes de dizer que ele dava tudo.
Podia e devia ter dado um bocadinho menos em algumas alturas.
A sua personalidade e ímpeto também iam ser postos à prova este ano.
Aliás já o ano passado foram.
Porque o Sporting tem por esta altura um dos melhores laterais esquerdos portugueses.
Esse sim valerá bem mais que 10 milhões.
Como iria o argentino lidar com essa concorrência?
Ser obrigado como foi o ano passado a jogar noutra posição que não a dele.
Se bem que nunca se percebeu bem qual a sua posição.
Alternou entre um defesa que não sabendo fechar dentro atacava muito bem.
E um extremo que não “tendo golo” defendia com agressividade a sua zona.
A sua arma mais forte na minha opinião eram os cruzamentos.
Em 2014 já o era quando o argentino jogava no Ferro Carril Oeste.
Pois.
O tempo como sempre dirá quem fez melhor negócio.
De qualquer forma.
Ficará sempre na memória o papel abnegado e esforçado que tinha em todos os lances.
A agressividade que discutia cada bola.
E a gratidão por ter verdadeiramente suado a camisola.