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Falta pouco menos de um mês para o arranque oficial da época 2017/2018 com a disputa da Supertaça Cândido de Oliveira, entre Benfica e Vitória de Guimarães.
A Supertaça Cândido de Oliveira, à semelhança da Primeira Liga, parece ser uma competição feita à medida dos “três grandes”. Apenas Vitória de Guimarães (1988) e Boavista (1979/1992 e 1997) venceram este troféu para além dos três clubes habituais.
A primeira edição teve lugar no ano de 1979 e conta uma das histórias mais surreais do futebol português, que faço questão de partilhar.
O troféu tinha um carácter não oficial (mais tarde veio a ser reconhecido e contabilizado) e foi disputada entre o vencedor do Campeonato e o vencedor da Taça de Portugal.
Estávamos em pleno Verão de 79, o Futebol Clube do Porto era o campeão em titulo e o Boavista Futebol Clube tinha vencido dois meses antes a final da Taça de Portugal contra o Sporting, com um golo marcado por Júlio Carlos, após uma enorme fífia de Botelho:
(https://www.youtube.com/watch?v=MBs5n87dSwg)
Albertino, o motivo pelo qual Jorge Nuno Pinto da Costa tinha sido empurrado para a chefia do departamento de futebol azul e branco, tinha trocado o Boavista pelo Porto, seu rival da Supertaça.
O jogo disputa-se numa só mão no Estádio das Antas (!) e marca o reencontro dos axadrezados com José Maria Pedroto, emblemático treinador que venceu duas Taças de Portugal pelo Boavista, num dérbi espicaçado.
O Boavista apresentou-se em campo com um onze formado por Matos, Artur Ferreira, Adão, Eliseu, Ailton, Manuel Barbosa, Óscar Duarte, Júlio Carlos, Moinhos e Salvador. Entraram ainda, durante o encontro, em campo (o Grande) Queiró e Fernando Folha.
Já o Porto apresentou um onze constituído apenas por portugueses, com João Fonseca, Jacinto, Carlos Simões, Alfredo Murça, Rodolfo Reis, José Alberto Costa, Quinito, Frasco, Romeu, Albertino (o tal) e Fernando Gomes. Entraram ainda no decurso do jogo em campo Vital e Duda.
A tarde tinha tudo para ser uma tarde de festa para os azuis e brancos, contra um rival enfraquecido pela perda do seu melhor jogador, a jogar em casa, com uma equipa recheada de craques e com uma equipa de arbitragem “à moda do Porto”.
É nesta página que se começa a escrever umas das maiores epopeias da memorabilia do Bessa.
O Boavista inicia a partida a todo o gás e, ainda no primeiro minuto, adianta-se no marcador com um golo do ex-portista Júlio.
Aos 62’, o mesmo Júlio aumenta a vantagem dos axadrezados para 2-0 e deixa os portistas completamente furiosos.
Após esse golo, os jogadores portistas desatam a distribuir pancada pelos adversários, provocando autênticas batalhas campais e, em conluio com o árbitro, conseguem expulsar dois jogadores boavisteiros (Manuel Barbosa e Queiró) e assinalar um penalti que Fernando Gomes não conseguiu converter. Serviu apenas de consolação o golo marcado por Romeu aos 77’.
O Boavista Futebol Clube do Porto, contra tudo e contra todos, tinha vencido a primeira edição da Supertaça de Portugal num jogo que claramente não estava feito para vencer.
Na altura da entrega da Supertaça, os adeptos do Porto, absolutamente furiosos com a vitória do Boavista, bloqueiam o acesso dos axadrezados à tribuna presidencial e não permitem que estes vão receber o troféu.,
O troféu acaba por ser entregue ao capitão axadrezado nos balneários das Antas, numa noite absolutamente épica para todos os Boavisteiros.
Boavisteiros que, como eu, nasceram inspirados pela história de onze valentes que foram às antas e fizeram do balneário um autêntico salão de festas.
Obrigado Porto.