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    José Pedro Pais
    José Pedro Pais
    O meu mundo aos quadrados
    José Pedro Pais

    O concierge do futebol

    2019/12/17
    E8
    "O meu mundo aos quadrados” é uma coluna de opinião que pretende fugir ao império comunicacional dos três grandes, sob a perspetiva de um adepto do futebol pela positiva, profissional e transparente, que por acaso é boavisteiro.

    Lito Vidigal foi despedido do Boavista sem grandes surpresas após quatro derrotas nos últimos cinco jogos.

    No futebol, como na vida, o que hoje é verdade, amanhã é mentira. Não existem verdades absolutas e não se devem passar cheques em branco.

    Lito especializou-se ao longo do tempo “a fazer a sua própria cama” por todos os clubes por onde passou e, no Boavista, não foi diferente.

    O grande responsável por este fim é, então, o próprio, que persiste na arrogância, prepotência e teimosia permanente, por vezes com uma tremenda falta de respeito pelos clubes que representa, e que culmina numa invariável e fulminante falta de empatia com os adeptos.

    A partir desse momento, converte-se num treinador à condição em qualquer clube, sendo essa condição a dos resultados obtidos, que naturalmente oscilam durante as temporadas.

    Como tive oportunidade de referir anteriormente: Lito Vidigal era o “meu” treinador enquanto apresentasse resultados, e assim foi.

    Estes para mim são os principais pecados capitais de Lito que irão continuar a persegui-lo na sua carreira caso não tenha a capacidade ou a intenção de mudar.

    Para além disto, existem também falhas a apontar (esta temporada) no plano desportivo ao treinador.

    Às surpreendentes eliminações nas taças, somaram-se inúmeras exibições paupérrimas, um futebol descolado e pouco ambicioso, variações permanentes no onze inicial e opções técnicas amplamente discutíveis: tudo em nome do apregoado pragmatismo, uma antítese da imagem do clube.

    Chegou o fim da linha.

    Chegados - novamente - a este ponto, cumpre voltar a agradecer ao treinador pelo extraordinário trabalho desenvolvido no final da época passada e desejar-lhe os maiores sucessos para o seu futuro. Aqueles que representam com profissionalismo a nossa casa serão eternamente reconhecidos.

    Agora virá um novo treinador. À hora a que escrevo esta crónica, ainda não foi oficializado qualquer treinador, apesar de os jornais sugerirem que provavelmente a escolha recairá sobre Daniel Ramos.

    Eu sou da opinião que já não existem muitos treinadores disponíveis (e acessíveis) que possam acrescentar algo de verdadeiramente diferente ao
    clube neste momento. Existe uma longa “carteira de treinadores” (onde Daniel Ramos se inclui) que alterna pela maioria  dos clubes da primeira liga, e que vão tendo mais ou menos sucesso, mas sempre a prazo.

    O que me leva à identificação de um problema comum à maioria dos clubes: a inexistência de uma política de gestão desportiva profissional.

    Idealmente, a política de gestão desportiva é definida por um Diretor Desportivo (principal pivot do futebol) que idealiza o modelo desportivo acertado para o clube, e procura implementar os mecanismos de desenvolvimento desse modelo desde a base (formação) até ao futebol sénior, identificando os treinadores que mais se aproximem ao modelo preconizado.

    Em Portugal, na maioria dos clubes, opta-se pela solução mais fácil, a da identificação de treinadores com aparente sucesso, entregando-lhes a estrutura - numa espécie de aproximação à função de “Manager” - e permitindo-lhes moldar as equipas completamente ao seu gosto, ainda que por vezes as suas ideias sejam diametralmente opostas às ideias do seu antecessor. Um erro de médio e longo prazo, na minha opinião.

    Independentemente de tudo, e do treinador que aí vier, existe apenas uma garantia: para todos nós Boavisteiros, passará a ser o melhor treinador do mundo e defendê-lo-emos com unhas e dentes desde o primeiro momento, contra tudo e contra todos.

    Porque essa é a nossa essência.

    Vamos em frente!

    Comentários

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    Motivo:
    BA
    batuko 18-12-2019 13:13
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Melhores opções para o Boavista
    Domingos Paciência - pode ser uma boa opção para relançar a carreira de treinador.
    Jesualdo Ferreira - uma boa opção de regressar a Portugal, experiente, conhecedor.
    Miguel Cardoso - um excelente trabalho no Rio Ave, no estrangeiro muito mau. Pode-se dar mais uma oportunidade e ver se vale a pena.
    Pedro Emanuel - tem feito alguns bons trabalhos, jogador formado no Boavista.
    Jaime Pacheco - técnico campeão pelo Boavista, bastante experiente, quem sab...
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    koshito 18-12-2019 07:57
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Os remendos. . .
    Sem noção despedir um treinador em oitavo lugar. O Voavista pelo menos este ano corria e lutava não era só porrada e anti-jogo como nas ultimas 3 épocas.
    Mas os meus parabéns por essas ambições sem noção e ansia de futebol espetáculo, estão no caminho certo para acabar a época ombro a ombro com o Vit. Setubal ( no sofrimento).
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    zegureteo 18-12-2019 07:55
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Artigo de José Pedro Pais
    Diz o Sr José Pais. . . "O grande responsável por este fim é, então, o próprio, que persiste na arrogância, prepotência e teimosia permanente, por vezes com uma tremenda falta de respeito pelos clubes que representa, e que culmina numa invariável e fulminante falta de empatia com os adeptos. " Digo eu o seguinte: Bons são os treinadores que fazem o que os adeptos querem! Bons são os treinadores que abrem as pernas aos dirigentes! Bons são os treinadores que são submissos aos j...
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    CA
    Cabare 18-12-2019 07:33
    Editado a 2021-04-26 00:00
    O que interessa são os resultados
    Este artigo, não deixa de ser um artigo de opinião. Mas no futebol, ninguém se lembrará se a equipas jogaram bem em x, y ou z jogos, mas lembrar-se-iao dos resultados e da classificação final da equipa.
    Factos são factos, o boavista tem 4 derrotas nos últimos 5 jogos, mas já que olhamos para os números, olhemos para a classificação à 14ª jornada da temporada passada (13º) e para esta temporada (8º).
    Estamos a falar de um treinador equipa técnica que em qua...
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    Rodri24 18-12-2019 04:01
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Ridículo
    Lito Vidigal é um excelente treinador e voltou a prová-lo. 4 derrotas nos últimos 5 jogos? Todas as equipas têm momentos bons e menos bons. À 14. ª jornada estão em 8. º lugar (com os mesmos pontos do Europeu Braga e do Surpreendente Tondela) a 3 pontos do 5. º lugar, que dá acesso à Liga Europa. O plantel do Boavista permite exigir algo mais do que ficar na metade da tabela?

    Lamento esta fraca análise, sinceramente sem noção.
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    Kilburn 18-12-2019 01:26
    Editado a 2021-08-16 00:00
    O quê mesmo?
    Artigo fraquito. Li e fiquei sem saber qual a mensagem articulista queria fazer passar. Fala em manager à inglesa, fala das ideias do clube não serem às do treinador. Mistura tudo e não saiu nada. Enfim. . .
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    BA
    batuko 17-12-2019 23:46
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Boavista
    Enquanto não houver estabilidade os clubes não conseguem crescer, em Portugal devia existir uma rede de scouting a nível nacional, existem talentos escondidos, devemos saber o orçamento dos clubes e quais os jogadores que pode contratar, porque por exemplo um Tondela não pode concorrer directamente com um Braga, sem menosprezar nenhum clube, mas entre aqueles orçamentos, existe aquele jogador x, y e z, que pode ser uma boa solução. Em Portugal vai-se muito pelos resultados, ...
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    rs24bfc 17-12-2019 23:02
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Jose Pedro Pais
    Não concordo com alguns pontos. Parece-me natural o treinador funcionar como manager, o problema é que em Portugal vivemos muito dos resultados e de emoções. Aí entra a falta de profissionalismo. As direções não aguentam as pressões dos adeptos, não sabem gerir a situação. . . querem agradar aos adeptos a curto prazo e ser populares, mas não é essa a função. Estas políticas podem servir para minimizar riscos maiores mas não para ambicionar outros palcos. O treinador pr...
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