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Lito Vidigal foi despedido do Boavista sem grandes surpresas após quatro derrotas nos últimos cinco jogos.
No futebol, como na vida, o que hoje é verdade, amanhã é mentira. Não existem verdades absolutas e não se devem passar cheques em branco.
Lito especializou-se ao longo do tempo “a fazer a sua própria cama” por todos os clubes por onde passou e, no Boavista, não foi diferente.
O grande responsável por este fim é, então, o próprio, que persiste na arrogância, prepotência e teimosia permanente, por vezes com uma tremenda falta de respeito pelos clubes que representa, e que culmina numa invariável e fulminante falta de empatia com os adeptos.
A partir desse momento, converte-se num treinador à condição em qualquer clube, sendo essa condição a dos resultados obtidos, que naturalmente oscilam durante as temporadas.
Como tive oportunidade de referir anteriormente: Lito Vidigal era o “meu” treinador enquanto apresentasse resultados, e assim foi.
Estes para mim são os principais pecados capitais de Lito que irão continuar a persegui-lo na sua carreira caso não tenha a capacidade ou a intenção de mudar.
Para além disto, existem também falhas a apontar (esta temporada) no plano desportivo ao treinador.
Às surpreendentes eliminações nas taças, somaram-se inúmeras exibições paupérrimas, um futebol descolado e pouco ambicioso, variações permanentes no onze inicial e opções técnicas amplamente discutíveis: tudo em nome do apregoado pragmatismo, uma antítese da imagem do clube.
Chegou o fim da linha.
Chegados - novamente - a este ponto, cumpre voltar a agradecer ao treinador pelo extraordinário trabalho desenvolvido no final da época passada e desejar-lhe os maiores sucessos para o seu futuro. Aqueles que representam com profissionalismo a nossa casa serão eternamente reconhecidos.
Agora virá um novo treinador. À hora a que escrevo esta crónica, ainda não foi oficializado qualquer treinador, apesar de os jornais sugerirem que provavelmente a escolha recairá sobre Daniel Ramos.
Eu sou da opinião que já não existem muitos treinadores disponíveis (e acessíveis) que possam acrescentar algo de verdadeiramente diferente ao
clube neste momento. Existe uma longa “carteira de treinadores” (onde Daniel Ramos se inclui) que alterna pela maioria dos clubes da primeira liga, e que vão tendo mais ou menos sucesso, mas sempre a prazo.
O que me leva à identificação de um problema comum à maioria dos clubes: a inexistência de uma política de gestão desportiva profissional.
Idealmente, a política de gestão desportiva é definida por um Diretor Desportivo (principal pivot do futebol) que idealiza o modelo desportivo acertado para o clube, e procura implementar os mecanismos de desenvolvimento desse modelo desde a base (formação) até ao futebol sénior, identificando os treinadores que mais se aproximem ao modelo preconizado.
Em Portugal, na maioria dos clubes, opta-se pela solução mais fácil, a da identificação de treinadores com aparente sucesso, entregando-lhes a estrutura - numa espécie de aproximação à função de “Manager” - e permitindo-lhes moldar as equipas completamente ao seu gosto, ainda que por vezes as suas ideias sejam diametralmente opostas às ideias do seu antecessor. Um erro de médio e longo prazo, na minha opinião.
Independentemente de tudo, e do treinador que aí vier, existe apenas uma garantia: para todos nós Boavisteiros, passará a ser o melhor treinador do mundo e defendê-lo-emos com unhas e dentes desde o primeiro momento, contra tudo e contra todos.
Porque essa é a nossa essência.
Vamos em frente!