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    Filipe Dias
    Sempre (In)festa
    Filipe Dias

    O jejum do futebol

    2019/12/28
    E1
    "Sempre (In)festa" é uma coluna de opinião de um director de um clube amador que vos tenta trazer algo pouco explorado na globosfera que é a precariedade em que estes clubes vivem, entre outros assuntos, mantendo sempre a imparcialidade e respeito por todos os demais.
    O Sporting prepara-se para igualar em anos o recorde do FC Porto sem vencer o campeonato português. Em 2020, os já 13 pontos de distância que tem para o líder Benfica parecem ser inalcançáveis, mas no futebol tudo pode acontecer.
    O Sporting, que já não vence o campeonato desde 2002, ou seja, vai a caminho de 19 anos de "jejum", tal como o FC Porto entre 1959 e 1978, já esteve 18 anos (1982 a 2000) sem conhecer o sabor da conquista do maior ceptro nacional, assim como o Benfica, que esteve 11 temporadas consecutivas, entre 1994 e 2005. Em todos estes casos, associam-se a "crises" que os clubes passam ou passaram, gerando grandes controvérsias entre grupos de adeptos, dirigentes, etc...
     
    No entanto, basta sair de Portugal, mas permanecendo na Europa, para encontrarmos um caso de um clube que também já não vence o campeonato há muito tempo, mas que não se fala em crise. No noroeste de Inglaterra, na terra dos Beatles, o Liverpool não conquista a Premier League desde 1990, ou seja, vai fazer 30 anos em Maio de 2020. Mas entre este período de tempo, o clube inglês venceu vários troféus nacionais e internacionais, entre eles duas Champions, uma Taça UEFA, três supertaças europeias e o mais recente Mundial de Clubes. Pode-se falar em cenário de crise no Liverpool? 
     
    Os "reds", justamente no período em que a Liga Inglesa se reformula e que começou a atrair os olhos do mundo pela qualidade do espectáculo e da sua competitividade, nunca mais conseguiram vencer o troféu, mas mantiveram o seu poder institucional, mediático e financeiro. Esta é a realidade do Liverpool, um clube tradicional com história nos primórdios do futebol mundial, uma massa adepta apaixonada com o vibrante "You'll Never Walk Alone" em Anfield Road, mas que raramente entrou em guerras internas, entre dirigentes ou adeptos. Exceptuando a temporada passada, em que ficou a apenas 1 ponto do City, a campanha de 2013/14, quase seria a da quebra do jejum do Liverpool, mas, na jornada 36, quando a equipa capitaneada por Gerrard e treinada por Brendan Rogers recebeu o Chelsea, tinha 3 pontos a mais para o Manchester City e 5 para os londrinos treinados por José Mourinho, porém, a escorregadela do capitão a meio campo que deu origem ao primeiro golo da derrota frente ao Chelsea, em casa, por 0-2, fez com que animicamente a equipa perdesse o título tão desejado duas jornadas depois para os citizens de Manuel Pellegrini. No entanto, não viraram cara a luta e a atmosfera em torno do clube continuou em alta.
     
    O carisma puro do clube, ainda para mais com um treinador como Jürgen Klopp, fez com que após a terceira melhor temporada de sempre - no que toca ao número de pontos conquistados - o clube entrasse para esta época com a vontade de cedo resolver o assunto, aproveitando também os deslizes que o Manchester City de Guardiola tem tido até à data para se isolar na liderança, com mais 13 pontos que o Leicester, que é segundo.
     
    E é essa a grande diferença dos portugueses para os ingleses. Um ano, basta um ano, para que cá se comece a falar em crises e mais algumas coisas para justificar o insucesso interno.
     
    O Liverpool é um exemplo máximo da perseverança, persistência e afinco que superou adversidades e obstáculos para atingir os seus objectivos, mas como já escrevi acima, no futebol tudo pode acontecer...

    Comentários

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    Motivo:
    Torinha 28-12-2019 16:47
    Editado a 2021-04-26 00:00
    A diferença
    No Liverpool FC, e penso que em quase todos os clubes ingleses das principais divisões, não existe democracia. Quem manda é o dono do clube, que o adquiriu, e isso impede as guerras de propaganda, contra-informação e jogo de bastidores que se vêem por cá em vésperas de eleições de um clube, e mesmo várias vezes durante o mandato de uma direção, sendo o caso mais paradigmático o do Sporting CP. Não existe tanto foco nos líderes dos clubes como existe aqui.

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