22/06 - 18:00
22/06 - 22:00
23/06 - 01:00
23/06 - 04:00
23/06 - 18:00
23/06 - 21:00
24/06 - 00:00
24/06 - 03:00
22/06 - 18:00
22/06 - 22:00
23/06 - 01:00
23/06 - 04:00
23/06 - 18:00
23/06 - 21:00
24/06 - 00:00
24/06 - 03:00
23/06 - 01:00
23/06 - 04:00
23/06 - 18:00
23/06 - 21:00
24/06 - 00:00
24/06 - 03:00
Em semana de Sporting de Braga vs Vitória Sport Clube seria verdadeiramente imperdoável não escrever esta pequena crónica sobre aquele que é o dérbi mais antigo de Portugal cujo significado ultrapassa em muito os noventa minutos de cada jogo.
Um jogo entre Vitória e Braga é sempre muito mais que um jogo. Seja em futebol, seja qual for o escalão, seja noutras modalidades em que os dois clubes se encontrem (também em qualquer escalão) por toda a carga emotiva e pela vontade de vencer que passa dos adeptos para os técnicos e destes para os atletas e que transforma um triunfo sobre o eterno rival em mais qualquer coisa do que o triunfo desportivo.
Escrevi no primeiro parágrafo que Vitória e Braga protagonizam o dérbi mais antigo do nosso país, o que deve ter escandalizado de imediato todos aqueles que julgam que o nosso desporto se esgota em três clubes, e que todos os restantes são meros comparsas das festas e triunfos desses três, e deixado interrogações sobre a antiguidade deste dérbi face aos que envolvem os chamados “grandes”, dado estes serem clubes mais antigos.
Pois são. Mas Vitória e Braga são os expoentes máximos, e mais visíveis face ao mediatismo do futebol, de uma rivalidade milenar (sim, milenar) entres as comunidades de Guimarães e Braga e que ao longo de mais de mil anos encontrou muitas formas de expressão, nem sempre pacificas, que o desporto em geral e o futebol em particular encarnaram nas últimas décadas.
Por isso considero, e já o escrevi muitas vezes, que os dérbis entre Benfica, Sporting e Porto são uma brincadeira face a um Vitória - Braga ou a um Braga - Vitória que tem uma intensidade e um significado mais fácil de encontrar em dérbis de outros países, como um Bétis - Sevilha, um Milan - Inter, um Celtic - Rangers ou um Liverpool - Manchester United, do que nos dérbis que por cá se disputam entre os tais clubes que referi.
Depois, um dérbi, e nisso são todos idênticos, tem sempre aquela imprevisibilidade, aquele habitual agigantar da equipa que em cada momento parece estar num momento menos bom, aquela incerteza que rodeia o resultado que são essenciais para transformar esses jogos em lendas e aumentarem a paixão (e a rivalidade) dos adeptos pelos seus clubes.
Como vitoriano já assisti a umas largas dezenas de dérbis entre Vitória e Braga. Entre equipas A, equipas B, futebol de formação e modalidades. Já vi de tudo. Vitórias justas, derrotas injustas, arbitragens excelentes e outras paupérrimas, grandes momentos de apoio dos adeptos e momentos sem os quais o futebol passava muitíssimo bem dado caracterizarem-se por uma violência sempre condenável.
Recordo particularmente dois: Um foi o primeiro jogo em que José Maria Pedroto orientou o Vitória depois de ser contratado para substituir Fernando Peres face à época dececionante que a equipa vinha fazendo. O Braga entrou no D. Afonso Henriques como favorito, mas ao intervalo o Vitória já ganhava por 4-0 (o resultado final foi de 5-0) depois de um vendaval de futebol ofensivo como raramente me recordo de ter visto.
O outro é mais pessoal e passou-se em 2002, no ultimo Braga - Vitória disputado no 1.º de Maio entre as equipas A dos dois clubes. Ao tempo desempenhava um cargo oficial que levou a que tivesse assistido ao jogo na tribuna do estádio entre responsáveis do clube anfitrião e do município bracarense. Quando o Vitória entrou em campo, causou admiração o equipamento que envergava, constituído por camisola meia branca meia amarela e calções pretos, que era o terceiro equipamento dessa temporada, e levou os meus vizinhos de cadeira a perguntarem jocosamente que raio de equipamento era aquele. Não respondi de imediato. Mas ao intervalo, com o Vitória a vencer por 3-0 (o resultado final seria de 4-2 a nosso favor), não resisti a dizer-lhes que eram os equipamentos… de treino.
Também destas pequenas picardias e provocações se faz a história dos dérbis e também elas dão a esses jogos um sabor tão especial que os tornam indispensáveis ao sucesso do futebol como o desporto mais popular em todo o mundo.
P.S. Confesso que no dérbi desta jornada, quando vi o Vitória entrar com o terceiro equipamento, me lembrei de imediato da história atrás contada e tive o feeling de que um velho borrego com 14 anos podia ser morto. E foi!