solverde
    Luís Peres
    Bota que chuta
    Luís Peres

    Hoje o Papel principal é teu

    2017/03/07
    E1
    “O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso”. A frase é do lendário Bill Shankly, mas permitam-me a mim - menos lendário mas bem mais bonito – discordar veementemente. A vida sem escárnio é uma chatice brutal, e já nem falo da morte. Este espaço trilha esse caminho intermédio entre a vida e a morte. Aqui cabe o “Panenka” directo ao aconchegante colinho do keeper, o bigode farfalhudo a ocupar a lateral esquerda ou o ponta-de-lança mortífero que leva meia-dúzia de épocas para marcar três golos. Este é o cantinho deles.

    À jornada 24, o 25 de abril de Ary Papel. Finalmente, a coação exercida por esta coluna de opinião semanal deu os seus frutos! Augusto Inácio, pressionado por hordas sedentas de sangue e Papel, cedeu: Ary estreou-se na primeira Liga ao minuto 79 da partida entre o Moreirense e o Boavista. Deixamos um pequeno resumo da sua brilhante prestação:

    - 79’ : Ary Papel entra em campo. Violinos tocaram e o firmamento pintou-se de rosa. Iván Bulos diria mais tarde que esta fora a entrada em campo mais majestosa que jamais vira.

    - 81’ : Ary Papel toca pela primeira vez no esférico. Sete anjos ascendem ao céu e algodão doce brota do chão.

    - 83’ : Ary Papel ensina Fábio Espinho a falar holandês, checo e mandarim em apenas 43 segundos. “foi como se tivesse sido tocado por Deus”, afirmou o boavisteiro. #pentecostes

    - 85’ : Ary Papel curou a sida e o cancro, mas ninguém quis saber. Malditos lóbis farmacêuticos.

    - 88’: Ary Papel, entediado, decidiu acabar o jogo mais cedo e mandou tudo para o balneário. Os intervenientes obedeceram com um sorriso nos lábios.

    Foi bonito, pá, mas a vida continua.

    Regressando ao futebol mundano, a luta pelo título continua ao rubro. O FC Porto enfiou sete batatas na sopa do Nacional madeirense, motivando Jokanovic a exclamar entre lágrimas que “foi o meu pior momento frente a gajos de azul e branco desde que o Latapy fez o favor de deixar-me com um pé virado para Belgrado e outro para Novi Pazar. E o boi nem sequer me foi visitar ao hospital”, conclui entre soluços. Latapy, quando confrontado com tais declarações, afirmou que “até gostaria de ter ido visitar o homem ao hospital, mas o Clint não me emprestava o carro e o Lewis tinha um chaço, um Lada de 1984. Eu tinha medo que aquela bosta não chegasse à Madeira e fiquei em casa. Depois o Baroni disse-me que a Madeira era uma ilha e eu até fiquei contente de ter recusado ir de carro com o Lewis. Bons tempos.”

    Domingo começou com um Paços Ferreira x Tondela parco em momentos empolgantes para além do facto de a equipa da casa ter “FIXPAÇOS” orgulhosamente escrito no peito. A paucidade futeboleira levou as 37 almas cuidadosamente pintalgadas na bancada a ponderar se não teria sido melhor terem antes ido ao concerto da Mafalda Veiga. Na defesa do suculento desporto-rei, em detrimento de uma sandes de tédio musical, aqui fica uma lista de motivos de interesse referentes a este desafio:

    - O Cláudio Ramos passou a segunda parte inteira com um pedaço de algodão da toalha enfiado na barba.

    - O treinador do Paços é um sósia do Brody, da série Homeland.

    - O cabelo do Gegé parece uma esponja de lavar a louça.

    O CS Marítimo, por sua vez, limpou a travessa ao Vitória setubalense, mercê de um golo do brasileiro Fransérgio, que não é Francisco, nem é Sérgio. Por outro lado, também não é Sérgio, nem sequer Francisco. Talvez seja uma mão cheia de nada, ou então um pouco dos dois. Não sei, é confuso.

    Falemos então do Barça do Marão, que aterrou em Lisboa com Batatinha no onze, provavelmente com o intuito de aterrorizar os adversários que padecem de coulrofobia. Coulrofobia é o termo utilizado para designar fobia a palhaços. Permitam-me uma reflexão sobre esta problemática: quem foi o génio que, na ânsia de divertir uma cambada de pirralhos, chegou à conclusão que a abordagem correta seria encher um adulto de maquilhagem grotesca e exagerada, enfiar-lhe um nariz vermelho em forma de bola, aumentar-lhe mãos e pés de tamanho até ficarem selvaticamente desproporcionais e encorajá-lo a utilizar uma buzina ruidosa e irritante? Por muito boas que fossem as intenções, há sobretudo que lamentar o facto desta lastimável ideia ter aterrorizado gerações de petizes mundo afora.

    Aproveitando a deixa, e na sequência da menção a artes circenses e gerações emocionalmente marcadas: falemos do Sporting. Ou melhor: falemos das eleições no Sporting.

    Ou então, melhor ainda: não falemos nem do Sporting, nem das eleições no Sporting.

    Isso, assim está bem.

    Comentários

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    Motivo:
    Nivia1997 10-03-2017 00:47
    Editado a 2021-04-26 00:00
    nao tem ponta por onde se lhe pegue
    e que tal falar de bola que e o que realmente interessa?
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