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Da atípica à excelente - Entre as muitas constatações e análises que se fizeram sobre o SC Braga e o seu percurso na época 2019/20, a mais badalada e notória foi de que o clube tinha tido ao longo da época 5(!) treinadores e de que havia sido uma “época atípica”, expressão que recordo para comparar com a “época excelente” com que um comentador SPORT TV adjetivou a campanha 20/21 da formação orientada por Carlos Carvalhal. Certo é que continuo a preferir épocas atípicas em que se termina no pódio a épocas excelentes em que não se vai além do quarto lugar. Contudo ainda existe a Taça de Portugal e isso poderá alterar toda uma definição de época desportiva.
Ainda (há) a Taça - Carlos Carvalhal, na antevisão ao jogo com o Paços de Ferreira, arriscou definir a época do Braga. Colocou-a entre o “Bom e o Excelente”, algo que parece exagerado atendendo ao facto de ter deixado escapar uma das “três vagas” na Champions. Todavia, o Braga realizou, a par do que já havia feito na época transata sob a batuta de Ruben Amorim, jogos excecionais. Os que permitem chegar às finais das Taças, da Liga e de Portugal, são exemplo concreto disso. Claro está que falta jogar a final da Taça de Portugal e, em caso de vitória, o Braga coloca a época no patamar do “Muito Bom”, mas nunca do “Excelente”. Caso a Taça de Portugal não rume ao Minho acredito que na próxima época o lugar de Carlos Carvalhal não seja no banco do SC Braga.
“Jogar de 3 em 3 dias” vs “jogar de 7 em 7 dias” - Não raras vezes Carlos Carvalhal falou da situação do Braga estar em envolvido em muitas frentes (Campeonato, Liga Europa, Taça da Liga e Taça de Portugal), e ter de realizar jogos de três em três dias, algo que não permitia, na verdadeira aceção da palavra, treinar. Curiosamente, nessa altura, a formação bracarense não perdeu fulgor e, de forma sapiente, Carlos Carvalhal produzia alterações no onze inicial que davam resposta competente, tanto do ponto de vista exibicional como do ponto de vista do resultado. Porém, quando o SC Braga passou a ter tempo para “treinar” e recuperar, estando envolvido em “apenas uma” competição (a final da Taça será o último joga da época) e jogando com um maior intervalo de dias, a equipa perdeu o brilho exibicional de outrora, com jogos sofríveis e resultados dilacerantes. Acredito que as constantes alterações geradas no onze inicial de jogo para jogo, a lembrar a altura em que não havia tempo para “treinar”, estejam a ser contraproducentes.
Não há paraquedistas
No sábado ficou a saber-se que António Salvador é candidato único à presidência do SC Braga, algo que lhe confere, desde logo, mais quatro anos à frente dos destinos nosso clube. Uma boa notícia a anteceder o jogo paupérrimo que o Braga realizaria no dia seguinte em Barcelos.
Não aparecer ninguém com a ideia peregrina de achar que fazia melhor do que o atual presidente é também ela uma boa notícia. A verdade é que os bons resultados saram feridas, estancam o sangue, afastam predadores e expedem para o futuro qualquer sonho de presidência.
“Retirar Hugo Viana do XI do século do SC Braga”
Foi esta a petição que circulou nas redes sociais a solicitar que o antigo jogador do SC Braga, agora diretor desportivo do Sporting CP, fosse excluído do onze do centenário. Feliz ou infelizmente, há petições para tudo, até para isto.
Pode considerar-se que Hugo Viana teve, no último Braga - Sporting, um comportamento desajustado ao seu passado em Braga, mas não apaga o que ele fez em campo com as nossas cores. Hugo Viana foi um jogador de excelência em Braga, reconhecido e escolhido pelo sócios, em eleição promovida pelo SC Braga, como um dos melhores de sempre! No que toca à petição, foi assinada por 365 pessoas, provavelmente nem todas sócias do SC Braga. Tudo dito!
Clima de guerrilha do futebol nacional
Demasiada gente nos bancos de suplentes, normalização do vernáculo e do gesto obsceno assente na justificação de que “quem não sente não é filho de boa gente”, multas desadequadas aos ordenados auferidos pelos prevaricadores, castigos constantemente suspensos por providências cautelares e uma comunicação social sedenta de fait-divers e que ecoa em demasia a propaganda de newsletters e diretores de comunicação só têm contribuído para o acentuar de um clima de guerrilha e suspeição no futebol português nada condicente com as divisas de país Campeão da Europa e detentor da Liga das Nações.
Sporting (quase) campeão
Depois de ter sido excluído da Liga Europa e da Taça de Portugal, conquistou a Taça da Liga e prepara-se agora para juntar o título maior, Campeão Nacional. Nesta maratona de 34 jogos, em que o Sporting CP partiu como outsider, o clube de Alvalade fez pela vida e quando faltou qualidade ao jogo sobrou em crença e ambição. Coates é o MVP (jogador mais valioso) da Liga NOS 20/21, pelos golos decisivos que marcou, pelos golos adversários que evitou e por tudo o que ensinou aos “miúdos”.
Superliga Europeia
O futebol e os adeptos (ainda) não ganharam o que quer que seja. O anúncio da criação de uma Superliga Europeia, que deixou o futebol em alvoroço, mais não serviu do que de demonstração de força e capacidade de confronto perante uma UEFA e uma FIFA que até, invariavelmente, cedem aos intentos dos “ricos”. Foi também uma espécie de “teste de mercado” para aferir ações e reações. E se estas foram na sua generalidade negativas, com clubes, federações, governos e adeptos a colocarem-se ao lado da UEFA, outros, como o Real Madrid e Barcelona, parecem estar de pedra e cal no projeto.
Acredito que num futuro não muito distante a “superliga” seja uma realidade, contudo sob a alçada da UEFA, com mais dinheiro a cair em Nyon e a verter para as lavandarias, vulgo cofres, dos clubes ricos de Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha.
Mas convenhamos, a “superliga” já existe há algum tempo sob a denominação de “Champions League” que, apesar do dinheiro que gera e distribui, dos sorteios condicionados que realiza e de metade das vagas na fase de grupos destinadas a clubes do “big four” (Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha), ainda é um modelo “light” da versão 2.0 que os ricos querem implementar. Esperemos pelos próximos episódios.