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Com o campeonato a encaminhar-se para a fase das decisões, parece-me oportuno reflectir sobre alguns casos que tem marcado as últimas semanas dos cinco primeiros classificados e a influência que esses casos podem ter na sua carreira até final da prova.
Farei a análise do primeiro para o quinto correspondendo à presente classificação da Liga.
O primeiro caso é o nervosismo do Benfica. É verdade, o Benfica está nervoso. E isso é patente de várias formas, a começar pela última conferência de imprensa de Rui Vitória em que o treinador benfiquista apareceu num registo que não lhe é nada habitual em termos de exaltação e contundência das afirmações.
Mas é patente também neste pedido urgente de reunião com o conselho de arbitragem numa muito mal disfarçada tentativa de pressão, nas exibições descoloridas das últimas jornadas ou naquela milagrosa vitória sobre o Borussia Dortmund num jogo que teve tudo para os alemães vencerem por goleada.
O triunfo tangencial em Braga pode ajudar a dissipar algum desse nervosismo, mas a verdade é que sentir no pescoço o bafo do “dragão” não está a fazer nada bem a este Benfica.
O segundo caso é a cirúrgica contratação de Soares pelo Porto. Única contratação dos “dragões” na reabertura de mercado, o ponta de lança tem tudo para se transformar num jogador decisivo no Porto (acho até que já o é…) como no próprio campeonato, podendo significar para a sua equipa a diferença entre ser ou não ser campeão.
Porque marca golos, dá dimensão e agressividade ao ataque, segura a bola de forma exímia, dando tempo à equipa para subir e ainda pressiona tremendamente os adversários.
Uma grande contratação e ainda por cima a preços de segundos saldos!
O terceiro caso tem a ver com o regresso de Francisco Geraldes ao Sporting em Janeiro. O jovem médio estava a fazer uma época notável no Moreirense, onde era o “cérebro” da equipa, teve papel importantíssimo na conquista da taça CTT pelos “cónegos” e foi de forma súbita mandado regressar ao Sporting para ajudar a colmatar as vagas criadas no plantel leonino pelo descartar apressado de algumas sonantes contratações de Verão que se tinham revelado autênticos flops.
Chegado a Alvalade, no primeiro jogo foi para o banco, no segundo para a bancada (estava nos vinte convocados) e no terceiro nem para a bancada depois de ter ido jogar pela equipa B frente ao Varzim.
Ou seja, passou de uma equipa onde tinha espaço para o crescimento e afirmação, que lhe permitiriam no final da época ser um jogador mais preparado para outros níveis de exigência, para o limbo que sempre existe para os jovens que andam entre as equipas A e B dos tradicionais candidatos ao título.
Oxalá não se perca nessa zona de indefinição, porque me parece um jogador de grande talento e que se der (e o deixarem dar…) os passos certos pode chegar longe.
O quarto caso tem a ver com o despedimento de José Peseiro pelo Braga.
Regressado à “Pedreira”, onde tinha deixado muito boa imagem em anterior passagem pelo clube, o técnico ribatejano iniciou a época com grandes expectativas face ao percurso do Braga na temporada anterior e aos reiterados desejos da sua SAD em conquistar títulos e troféus.
E a verdade é que, sem poder contar com um plantel tão rico em soluções como alguns dos seus antecessores, o Braga de Peseiro vinha fazendo um bom campeonato, jogando bom futebol e lutando pelo terceiro lugar.
Mas depois veio a “trágica” noite com o Covilhã para a Taça de Portugal. Peseiro não resistiu à já conhecida impaciência do presidente bracarense e foi substituído por Jorge Simão. Com quem o Braga passou a jogar pior, a perder mais vezes, a atrasar-se na luta pelo tal terceiro lugar e a perder a final da taça CTT para o Moreirense.
Depois da derrota caseira com o Benfica, e com o Sporting a seis pontos, parece restar ao Braga a defesa de um quarto lugar para o qual o principal concorrente (o Vitória) não se tem cansado de fazer cerimónia para ocupar.
Ou seja, mudou para pior. Prova de que as soluções mais fáceis nem sempre são as melhores.
O quinto caso é o já tradicionalmente fatídico Janeiro para o Vitória.
Que vinha fazendo uma boa carreira, também ele na luta por um terceiro lugar que estava acima dos objectivos , mas perfeitamente ao seu alcance, como se foi vendo pelo desenrolar da prova, mas depois vendeu dois jogadores essenciais (Soares e João Pedro), perdendo com o primeiro tudo que ele deu ao Porto, e que já está atrás descrito, e com o segundo um médio com visão ampla do jogo, com capacidade de passe longo, bom remate de meia distância e capaz de pressionar a toda a largura do campo.
E pese embora as optimísticas declarações de Pedro Martins sobre um plantel mais equilibrado e com mais soluções, a verdade diz-nos que nos últimos doze pontos possíveis o Vitória fez apenas dois (!!!), perdeu o Sporting de vista e já sente sobre ele a pressão de Marítimo e Chaves.
Veremos, lá para Maio, até que ponto estes casos influenciaram realmente as carreiras e classificações dos actuais cinco primeiros classificados da Liga.