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Ontem, no final do jogo Portimonense - Vitória, um sujeito que se dá pelo nome de Yago Cariello, que enquanto jogador (ia escrever profissional de futebol, mas ele não merece) marcou o segundo golo dos algarvios, veio para a rede social Instagram procurar justificar as vergonhosas atitudes que tomou em campo. Com um árbitro a sério, essas atitudes valer-lhe-iam vermelho direto em vez da impunidade disciplinar de que gozou, com acusações mentirosas de racismo aos adeptos vitorianos.
A gravidade destas declarações ultrapassa em muito a nula importância do sujeito que as proferiu.
Porque é fácil perceber que, depois da sua tresloucada atitude no relvado, e do receio de punição disciplinar consequente (como estamos em Portugal não me parece nada provável que isso venha a acontecer, mas alguém resolveu jogar pelo seguro), é óbvio que algum especialista em comunicação lhe soprou ao ouvido para escrever aquilo, desviando a atenção das suas graves atitudes e concentrando o foco das atenções em adeptos que são alvo fácil.
O grave, embora grave, não está aí.
Está sim nessa cartilha inventada por outro tresloucado e com grande repercussão na comunicação social, em colunistas de jornais, cartilheiros televisivos e até em altas figuras do Estado que, por conveniência do politicamente correto mesclada com profunda ignorância, alinharam prontamente nessa ideia de que os adeptos do Vitória são racistas.
Não são. Nunca foram.
E se há clube que é anti-racista desde sempre por atos e princípios e não apenas por palavras é, por ironia do destino, o Vitória.
Mas há uma cartilha a querer fazer passar a ideia contrária.
Porque os vitorianos são únicos no apoio ao seu clube, porque Guimarães nunca cedeu à parolice de ser cidade satélite dos três do costume, porque onde vai o Vitória leva sempre uma enorme falange de apoio (em Portimão, a 600 km de Guimarães, estavam mais de 2000), porque no nosso estádio nunca, em 100 anos, os vitorianos deixaram de ser uma imensa maioria independentemente do adversário.
E isso suscita invejas, provoca ódios, acicata a vontade de reprimir por todas as formas (o comando distrital da PSP de Braga tem-se esmerado nisso, mas sem qualquer sucesso) para que o excelente exemplo do Vitória e dos vitorianos não frutifique noutras paragens, perturbando um "status quo" que tanto agrada aos tais três e à sua fiel e devotada comunicação social.
O que levou à cartilha do racismo e da acusação de que os vitorianos são racistas.
Talvez para que sejamos vistos como adeptos desprezíveis, talvez para nos enclausurarem num gueto da vergonha, talvez para fazerem de nós estrangeiros num país que, outra ironia, em nós começou!
E a gravidade das declarações do sujeito é essa.
A de alimentar uma mentira, a de perpetuar uma calúnia, a de prosseguir esse objetivo de fazer de nós o que nós não somos, nunca fomos, nem nunca seremos.
Há que reagir na proporção do agravo.
Processando judicialmente, com pedido de indemnização, o caluniador, participando dele aos órgãos disciplinares da FPF, dando 24 horas ao Portimonense para se demarcar das declarações do seu empregado sob pena de corte de relações, fazendo uma conferência de imprensa para repor a verdade dos factos e denunciar vigorosamente esta campanha difamatória.
Ficar calado, como o Vitória está até ao momento em que escrevo estas linhas, é incompreensível sob o prisma da defesa do bom nome do clube e inaceitável pela falta de defesa de adeptos que dão tudo pelo clube e merecem, ao menos, que o clube esteja ao seu lado quando são atacados, caluniados e difamados.
Quem cala... consente.
E consentir, neste caso, é ser cúmplice de quem não nos respeita.