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    Filipe Inglês
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    Vénia ao 3º Anel
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    Benfica, não é preciso panicar

    2023/08/27
    "Vénia ao 3° Anel" é a visão de um Benfiquista profundamente apaixonado pelo ideal do seu clube, mas por isso exigente e racional com quem momentaneamente o representa. A águia tem sempre que voar alto

    O ano passado foi tudo muito claro desde o princípio. Um 4-2-3-1 com Florentino e Enzo no meio, Rafa, João Mário e Aursnes (ou Neres) na frente e Gonçalo Ramos como referência atacante. Na baliza também não havia dúvidas e na defesa também não. Gilberto começou como titular, mas havia a noção clara que Bah acabaria por se superiorizar e depois aconteceu apenas a surpresa de Morato se lesionar e António Silva pegar de estaca. Logo desde os primeiros jogos da pré-temporada, Roger Schmidt estabilizou este onze e usou e abusou dele. E bem, porque o arranque de época do Benfica foi em alta rotação. Também assim teria que o ser à conta das duas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões.

    Depois durante o ano surgiu apenas o desafio de colmatar a saída de Enzo Fernández em janeiro. Schmidt testou Aursnes, mas o rendimento do «bacalhau» não foi o mesmo, apostou em Chiquinho e pareceu resultar (até as bancadas da Luz acharam piada), mas em boa hora surgiu João Neves mesmo nas jornadas finais para ajudar a segurar um barco que passava por águas perigosas. Mas tudo fica bem quando acaba bem. Com um onze estabilizado o ano todo, o Benfica foi campeão. Apesar de ter ficado curto nas taças nacionais e deixar a sensação de desgaste na parte final (quando já sonhava em ir ainda mais longe que os 1/4 de final na Champions), reforçando a ideia que o Benfica precisava de mais soluções fortes no banco e maior rotação do seu treinador.

    Já em janeiro tinham chegado Guedes, Schjelderup e Tengstedt para reforçar o recheio do plantel e é também nesse prisma que mesmo surgindo Di María, o Benfica resiste a não abdicar de nenhum dos médios ofensivos que já tinha.

    Só que este ano está tudo um pouco mais complexo e duvidoso. Pela primeira vez na era Roger Schmidt, sentimos que o alemão não está seguro do que está a fazer. Há indefinição na baliza. Vlachodimos foi afastado por uma má exibição (e porque, sejamos francos, nunca foi fenomenal), Samuel Soares tenta fazer pela vida e Trubin aguarda pela sua oportunidade. O Benfica precisava mesmo que o ucraniano fosse o Oblak de 2013/14. Nos primeiros jogos dessa mítica temporada, também no início o Benfica sofria vários golos com Artur e depois chegou o esloveno e fechou a cadeado a baliza do Benfica. Trubin vai acabar por ser o titular e será muito importante que confirme todos os elogios que lhe fazem. Que pegue de estaca. Se não, o Benfica tem um problema na baliza.

    Também há indecisão na lateral esquerda. Grimaldo era um esteio nessa posição nos últimos largos anos e agora o Benfica está órfão dele. As primeiras sensações de Jurásek não foram boas e entretanto lesionou-se. Ristic até começou a titular contra o Porto na Supertaça, mas não saiu mais do banco. Há algo que nos escapa, porque nos poucos minutos em campo, nunca pareceu assim tão mau jogador. E à conta disso andamos com Aursnes a jogar adaptado a essa posição, o que, pese a qualidade e o voluntarismo do nosso querido «bacalhau», é um claro equívoco. Perdemos o seu talento lá na frente e torna-se num jogador limitado pelas circunstâncias.

    Também há dúvidas no meio-campo. Kökçü parece intocável (deveria ser? Mesmo tendo custado 25 milhões? Não há dúvidas da sua qualidade, mas ainda parece em busca de adaptação a novo contexto) e, ao seu lado, Schmidt vai hesitando entre Florentino e João Neves. E mais à frente? Novas questões! Di María diz que não gosta de sair, David Neres já faz má cara ao banco, João Mário é a extensão do treinador no campo, mas procura recuperar a melhor forma do ano passado e só Rafa continua a voar, mesmo que aqui e ali continue a desesperar os adeptos com o seu «end product». Schjelderup aparentemente já percebeu que pouco jogará e terá pedido para sair.

    E o ponta-de-lança? Também aí Roger tem dores de cabeça. O ano passado era muito óbvio: Ramos o titular, Musa o suplente. Mas este ano Musa entrou bem, só que teve a expulsão. Comprou-se Arthur Cabral, que até agora pouco mostrou. E até Tengstedt veio baralhar um pouco as contas, porque parecia que já nada contava e afinal foi o herói improvável na vitória sobre o Estrela da Amadora.

    O Benfica é um barco gigantesco e tudo em si é ampliado. Para o bem e para o mal. É por isso que no bem surge muitas vezes a sensação de euforia e no mal surge a sensação de crise e pânico. Até porque os nossos adversários (e não inimigos, expressão horrível que Pinto da Costa tantas vezes usa nos seus habituais discursos contra os moinhos de vento do centralismo) estão sempre, quais abutres a rondar presas feridas, desejosos de atiçar o fogo no clube da Luz. Mas é importante os benfiquistas terem cabeça fria e parar um pouco e respirar fundo.

    Schmidt já mostrou o ano passado a sua competência. O Benfica tem o mais forte e recheado plantel do futebol nacional. Tem uma massa associativa incomparável. Nas três primeiras jornadas ganhou duas e perdeu uma, num daqueles jogos que acontecem uma vez em 20. E conquistou a Supertaça Cândido de Oliveira, dando um amasso ao seu maior rival na segunda parte (aquele que se diz tantas vezes contra quem tem complexos mentais). Amasso esse que só acabou pouco destacado, porque Pepe e Sérgio Conceição chamaram a si os holofotes com um descalabro mental na parte final. Fossem todas as "crises" dos clubes estas, hein? Problemas de abundância no plantel, um troféu já conquistado e um início de campeonato que não tem sido perfeito, mas nada põe em causa.

    O que é importante é Schmidt estabilizar o seu onze, provavelmente lançando Trubin na baliza, resolver a questão do lateral esquerdo e acreditarmos na subida de forma de Kökçü e Arthur Cabral. Isso aliado a nova casa cheia na Luz contra o Vitória de Guimarães na próxima semana e o Benfica tem tudo para voltar a fazer muito boa temporada.

    Problemas de plantel? Problemas a sério era quando outro técnico alemão que tivemos, Jupp Heynckes, tinha que decidir se punha a lateral direito Okunowo ou Rojas. Se punha no meio-campo Uribe ou Machairidis. Agora Florentino ou João Neves, Di Maria ou David Neres?

    Prefiro muito mais esta vida de rico.

    Comentários

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    Motivo:
    Commando79 27-08-2023 21:16
    Sempre a mesma lenga lenga
    Esta forma de estar de alguns adeptos benfiquistas começa a enjoar.
    O Jurasek é um coxo, o Arthur é uma betoneira (como ouvi alguém a dizer há uns tempos), o Kokcu é lento que dói e por aí adiante.

    Este discurso só vai parar quando a máquina estiver bem oleada, as rotinas estiverem bem entranhadas e as performances de luxo aparecerem.
    Aí o Jurasek passa de repente a ter um pé esquerdo fenomenal, o Arthur passa de betoneira a tanque de combate, ...
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    John23 27-08-2023 20:27
    Opinião (talvez) impopular
    Ao contrário da maioria dos benfiquistas (tendo como referência as opiniões mais "gostadas" nas redes sociais do Clube) defendi que Otamendi não deveria renovar e também não fiquei eufórico com o regresso de Di Maria.

    Compreendo a importância de um plantel ter jogadores com experiência para liderarem os mais novos e serem referências positivas no crescimento dos seus colegas, mas fico sempre com receio que o estatuto se sobreponha à qualidade quando cabe ao treinador ...
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    Besteirense 27-08-2023 20:26
    PotentEagle
    Nos últimos 40 jogos entre Benfica e Porto, o primeiro ganhou apenas 10. Destes, em apenas 6 o Benfica ganhou por dois ou mais golos de diferença: final da Taça da Liga 2009/10, primeiro duelo após os 5-0 de 2010, clássico após a morte do Eusébio, meia-final da Taça de Portugal em 2013/14, bis do Lima no Dragão em 2014/5 e Supertaça 2023.

    Dando de barato que o Benfica "amassou" o Porto nestes 6 jogos (o que não concordo; por exemplo, no jogo do bis do Lima houv...
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    PotentEagle 27-08-2023 17:18
    Besteirense
    E não é assim tão incomum. No caso da Supertaça, houve uma superioridade clara do Benfica, mas não foi o único jogo. No empate 1-1 de janeiro de 2021, por exemplo, o SLB foi claramente superior ao FCP no jogo jogado e só saiu de lá sem a vitória por manifesta ineficácia. Perder no Bessa, de resto, não é assim tão incomum, mas perder daquela forma, com duas bolas na trave e uma mão cheia de erros individuais na defesa depois de estar a ganhar por duas vezes, é extremame...
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    AngelEyes 27-08-2023 16:25
    Benfica
    Se o RS não conta com o Ristic, temos que ir buscar dois laterais.
    Para mim, João Victor é para ser vendido ou emprestado, só está cá a fazer número e já se viu que, independentemente da qualidade do jogador, o treinador só o vê como LD, coisa que não é!
    Vlachodimos é para sair, sim ou sim, e ficamos com o Samu como 2ª opção e Trubin como 1ª. Quando o André Gomes estiver disponível, penso que pode saltar na hierarquia e passar a ser o nosso segundo GR....
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    Besteirense 27-08-2023 15:10
    PotentEagle
    Se quiseres ser linear e interpretar um em 20 como 0. 05, então o Benfica perder um jogo fora em que está em inferioridade numérica também não acontece apenas uma vez de vinte em vinte jogos.

    Onde eu queria chegar é que, para o autor, o Benfica perder no Bessa foi azar, acontece raramente, mas o Benfica dar um "amasso" ao Porto já não foi sorte mas sim superioridade e qualidade.
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    Taument_da_Silva 27-08-2023 15:01
    Schmidt
    Acho que a única coisa que se lhe pode apontar neste momento é a grave falta de soluções nas laterais. Não é exclusiva responsabilidade sua pois a direcção é quem, em última instância, faz as contratações, mas se havia tantos milhões para atacar o mercado, é inaceitável chegarmos a este ponto sem laterais.

    Se não confia no Ristic, porque ficou o jogador no plantel? Se não havia planos para trazer outro lateral-direito, porque não ficou o Gilberto no plan...
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    PotentEagle 27-08-2023 14:47
    Besteirense
    A pior série do Benfica contra o Porto não excedeu os dez jogos. Com Schmidt, foi a segunda vitória em três partidas frente ao dito rival, por isso a resposta à pergunta é, simplesmente, não.
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    Besteirense 27-08-2023 14:16
    _OrgulhoBenfiqu ista
    Em 2017/8, e face à época anterior, o Benfica perdeu Ederson e Júlio César, Lindelöf, Semedo, Horta, Carrillo e Mitroglou e reforçou-se com Varela e Svilar, Rúben Dias, Douglas, Krovinović, Diogo Gonçalves e Seferovic. Com um plantel claramente mais fraco, conseguiu acabar o campeonato em segundo lugar, à frente do Sporting do J Jesus e do Braga do Abel.

    Vaticinar um quarto lugar ao Benfica depois de quatro jogos, quando as épocas são longas e têm o...
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