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Este domingo foi dia de dérbi e de muitas emoções à solta entre os aficionados do Vitória SC, de Guimarães, e do SC Braga. Nunca será apenas mais um jogo e quem, no plantel de cada equipa, não entender isso está a precisar, claramente, de apoio pedagógico acrescido, capaz de o dotar das competências que lhe permitam perceber a importância que este jogo tem, que deve ir muito para além do desejo permanente de vencer. Em boa verdade, um triunfo apenas acrescenta três pontos, mas para os adeptos é algo bastante acima disso, pois existe uma rivalidade que merece ser vivida com entusiasmo e total dedicação. As paixões deste autêntico clássico ficaram bem evidentes quando os olhares dos adeptos se cruzavam, tanto fora como dentro do estádio.
Para o lado brácaro, que atuava na condição de visitante, tudo começou bem cedo, com necessidade de chegar atempadamente ao local de concentração, nas imediações do “AMCO Arena”, definido pelo clube. Cerca de três horas antes estava marcada a partida, que aconteceu uns minutos depois do que estava no plano inicial, com os adeptos devidamente acomodados nas dezenas de autocarros que os transportaram até à vizinha e histórica cidade de Guimarães. Não espantou que os veículos chegassem cedo ao parque do polo vimaranense da Universidade do Minho, onde haveriam de repousar à espera de fazer o percurso inverso, depois de terminado o encontro.
A polícia organizou um cordão de segurança que levou os adeptos em grupo até ao estádio, sempre de modo seguro, conseguindo uma entrada atempada no estádio de Guimarães. É louvável o trabalho global, muito positivo, realizado pela polícia, tantas vezes criticada de forma justa por outros trabalhos negativos.
E o jogo lá começou parecendo que nunca passou da entrada em campo dos jogadores, em função da pouco emotividade proporcionada às bancadas, de onde chegava um apoio constante ao relvado sem a devida correspondência das equipas. Há jogos assim, em que a performance dos jogadores fica aquém do expectável. Não admirou, pelo fraco jogo realizado pelas duas equipas, que o nulo tenha prevalecido até ao fim, premiando a eficácia defensiva e a inoperância atacante, ainda que sobre o limite de tempo os conquistadores tenham estado perto de um golo que nenhuma equipa fez por merecer.
O encontro terminou e os aplausos aos jogadores foram uma realidade, uma vez que a sua transpiração substituiu a desinspiração global observada. Era tempo de esperar as ordens policiais para que a saída fosse efetuada, algo que é habitual na maioria dos estádios portugueses, o que contrasta com outros locais do planeta. A este propósito refiro o exemplo recente de Bruxelas onde jogou o SC Braga com o Union St. Gilloise, em que os adeptos puderam sair logo após o fim da partida, viajando com tranquilidade no mesmo metro que muitos adeptos belgas. Era assim que deveria ser, com a rivalidade bem evidente no estádio e findo o espetáculo cada um deveria poder ir à sua vida, sem receios de atos de violência, que devem ser banidos de vez, a bem da promoção do desporto como algo rentável. Afinal, há vida para além do futebol.
Em seguida começou a viagem de regresso aos autocarros, sempre com cânticos a preceito, em modo de provocação ao rival, numa repetição menos efusiva do que se vira antes do duelo. E lá seguiram os veículos a viagem até junto da Pedreira, onde cada um pôde rumar ao conforto do seu lar. Para trás ficaram umas absurdas nove horas gastas para ver um jogo de futebol entre duas equipas que estão separadas por vinte quilómetros e por muitos pontos na tabela classificativa, com mais vantagem bracarense, que em nada surpreende. Numa avaliação globalizante, pode-se dizer que desta vez houve muito mais emoção para além do dérbi do que dentro do relvado.
O SC Braga retirou do dérbi o ponto que mereceu e, com isso, perdeu uma oportunidade de se aproximar ao primeiro lugar, uma vez que o líder não foi além de um empate caseiro. Esta edição da liga está mais nivelada do que se previa, para isso muito tendo contribuído as alterações verificadas nos quatro clubes da frente ao nível técnico e de plantel, com a mudança mais significativa a ser a saída de Rúben Amorim do Sporting CP para Inglaterra, onde está longe de ser feliz por agora.
Agora é tempo de olhar em frente e não ter medo de buscar algo mais, pois a ambição deve ser proporcional à vontade imensa de singrar da juventude que compõe o plantel dos Gverreiros do Minho. Todos os jogos devem representar um desafio para chegar ao sucesso e a luta pela vitória deve ser constante. O futuro pode ser promissor, mas o trabalho será certamente exigente.