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O SC Braga estava a viver um período positivo, que lhe valeu a recente chegada ao quarto lugar, após uma ultrapassagem inapelável ao Gil Vicente. Os Galos ficaram imediatamente a seguir ao pódio quando venceram os bracarenses em Barcelos, há quatro jornadas, mas as duas jornadas seguintes proporcionaram à equipa de Carlos Vicens uma rápida recuperação de um quarto lugar que parece dar maior conforto na tabela, depois de dois triunfos consecutivos, em contraste com as derrotas sofridas pelos barcelenses.
A última jornada da liga registou muitos empates, entre eles os de gilistas e brácaros, o que manteve inalteradas as distâncias na separação pontual entre ambos. A igualdade do SC Braga frente ao Sporting CP foi conseguida já sobre o limite do reduzido tempo de descontos concedido pelo árbitro Miguel Nogueira. O curto período adicional atribuído, numa altura em que os leões venciam na Pedreira após uma segunda parte em que praticamente assistiram ao jogo, parecia uma brincadeira do juiz da partida. Nada contra Miguel Nogueira, que parece ser um valor seguro entre os mais novos da arbitragem e que aprecio de um modo geral. Contudo, a condução da partida não foi das suas melhores prestações até ao momento.
A Pedreira terminou em festa, porque o golo do empate soube a reposição de alguma justiça, num duelo que os leões pareciam vencer, até tudo mudar no final. Os empates nos confrontos entre os quatro primeiros classificados deixaram as distâncias pontuais entre eles inalteradas, ainda que o FC Porto, após empatar na Luz um jogo que parecia controlado, depois de alcançar uma vantagem de dois golos, tenha ficado mais perto de poder vir a sagrar-se futuro campeão.
Encerrado este pequeno ciclo interno, era altura de o SC Braga jogar o seu futuro na Liga Europa, ao visitar Budapeste para defrontar o Ferencváros. Os húngaros são heptacampeões e atuais líderes da sua liga, mas pareciam um adversário perfeitamente alcançável para os arsenalistas. Contudo, a lógica e o futebol raramente moram na mesma casa, pelo que as cautelas nunca devem ser desprezadas.
O SC Braga abordou o duelo contra os magiares com alguma sobranceria, ao contrário do seu adversário, que foi mais humilde, incisivo, competitivo, intenso e eficaz. Os húngaros marcaram pela primeira vez depois de descoberta uma cratera, uma vez mais, na defesa bracarense, e isso pareceu ter mudado o destino da partida, para desgosto e resignação da Legião do Minho. O segundo golo, obtido na segunda parte, representou um golpe duro para os comandados de Carlos Vicens, que voltaram a oferecer um mar de facilidades no caminho para a sua baliza. Assim, um golo em cada parte transformou uma eliminatória que parecia acessível numa montanha muito difícil de escalar, com vista à chegada aos quartos de final da Liga Europa. Afinal, Istambul parece longe por estes dias, e veremos se a próxima semana irá reduzir distâncias ou tornar esse destino, em definitivo, inalcançável para a equipa de Carlos Vicens.
A postura global do SC Braga, em que ninguém conseguiu sobressair pela positiva e vários jogadores se destacaram pela negativa, foi castigada com uma derrota que dificulta sobremaneira a sua tarefa no jogo da Pedreira, a realizar ao início da tarde da próxima quarta-feira. Trata-se de mais um horário indecente, uma vez que o jogo será disputado a horas impróprias. Deixo aqui uma sugestão aos responsáveis bracarenses: oferecerem entrada às várias escolas da cidade, de modo a garantir um apoio que ajude a reparar a fraca imagem deixada na Hungria.
O adiamento antecipado do jogo da liga portuguesa frente ao Casa Pia permite mais tempo para trabalhar soluções alternativas que permitam contornar o obstáculo em que os húngaros se tornaram. Será necessário o melhor Braga para inverter o resultado, que, mesmo assim, parece ainda atingível, embora a tarefa que se avizinha na Pedreira seja bastante complicada.
Uma nota final para a fraca semana europeia de Portugal, em que apenas o triunfo do FC Porto em Estugarda salvou a honra lusa e garantiu a ultrapassagem definitiva aos Países Baixos no ranking europeu, com as vantagens daí resultantes para as nossas equipas.