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Dentro da sua pitoresca organização, da qual se destaca pela negativa um sorteio que consagra filhos e enteados, o nosso campeonato maior chegou ao fim da primeira volta, pelo que é tempo de dele fazer um balanço.
Deixando de lado as polémicas na arbitragem, os incidentes entre dirigentes com mais ou menos cigarros electrónicos à mistura, ou a forma como alguns clubes vêem os seus jogos calendarizados, concentremo-nos no que é realmente importante que são os jogos e as equipas.
Como é habitual, e mal seria se assim não fosse, nada está ainda decidido no que toca a título, apuramentos europeus ou descidas de divisão mas há já tendências mais ou menos claras sobre aquilo que apenas em Maio se definirá.
Começando pelo título parece-me evidente que ele será discutido entre Benfica e Porto já que o Sporting se tem “entretido” nas últimas semanas num curioso “hara quiri” que ainda ninguém sabe como acabará.
O Benfica é, do meu ponto de vista, o mais forte candidato. Porque é campeão em título, porque lidera o campeonato, mas essencialmente porque vive em “paz” interna com um bom plantel, uma equipa técnica competente e discreta, um treinador inteligente, avesso a polémicas e que soube construir um forte balneário blindado contra todas as provocações e tentativas de destabilização de fora para dentro.
Como da parte da SAD e do presidente existe forte sintonia com a equipa e com os técnicos, estão criadas as condições necessárias à conquista de um inédito tetra que só poderá ser posto em risco por um Janeiro desastroso em termos de saídas (pouco provável) ou por causas atribuíveis ao futebol como lesões ou abaixamentos globais de forma e que teriam necessariamente de passar também por uma segunda volta de grande nível do Porto.
Para o Porto ser campeão, e já não depende só de si próprio para o ser, para além da necessária perda de pontos do Benfica seria necessário um grande acerto na ida ao mercado até 31 de Janeiro de molde a compensar fragilidades vindas da pré temporada e a par disso uma estabilização do nível de jogo em padrões que lhe permitissem a tal segunda volta em cheio. Aguardemos para ver.
O Sporting, por culpa sua, não será campeão este ano. À partida era um forte candidato, quiçá o mais forte de todos, mas as saídas de Slimani e João Mário a par de alguns erros nas contratações revelaram fragilidades insuspeitas e a equipa de Jorge Jesus e Bruno Carvalho está neste momento numa posição em que vai ter de lutar pelo acesso à pré eliminatória da Champions porque nem isso tem garantido face às boas campanhas de Braga e Vitória.
Sócios irritados, divergências entre plantel e presidente, Jorge Jesus cada vez mais farto da instabilidade interna como é fácil de constatar são um obstáculo demasiado grande para os “leões” poderem sequer ter esperança de anular a enorme desvantagem pontual para o Benfica.
Se a isso juntarmos o facto “explosivo” de o clube estar a caminho de eleições perceber-se- á que uma vez mais o Sporting está a caminho do célebre “…para o ano é que é…”! Em termos europeus Vitória e Braga disputarão na pior das hipóteses o quarto e quinto lugar e na melhor espreitarão o terceiro dependendo para isso da dimensão do descalabro sportinguista.
Até ao fim do mês, na razão directa das entradas e saídas, cada um dos clubes “dirá” qual é a sua ambição em termos de luta pelos lugares de topo e especialmente pela possibilidade de apuramento para a pré eliminatória da liga dos campeões. O Braga-Vitória da próxima jornada será quase decisivo no escalonamento das duas equipas entre elas.
Logo a seguir aparecem Marítimo, Chaves e Rio Ave ainda com perspectivas de luta por um lugar europeu dependendo de variáveis diversas, Arouca Setúbal e Boavista jogam para um campeonato tranquilo que estará mais ou menos assegurado e daí para baixo o que está em causa é apenas a manutenção.
E aí nem vale a pena fazer previsões. Bastará constatar que o último é o Tondela, numa posição já algo delicada, mas todos nos lembramos que já na época passada assim era e depois operou uma recuperação espantosa.
Temos campeonato.
Oxalá que com mais futebol e menos polémicas.