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    O sítio dos Gverreiros
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    A consolidação do processo

    2025/08/23
    E0
    "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

    O SC Braga encontra-se numa etapa de transformação em relação ao passado, tendo em mente a obtenção de objetivos maiores no futuro próximo, sendo este entendido como não sendo imediato, ainda que, se isso for possível, nenhum elemento da Legião do Minho se incomode com feitos maiores antes do que possa estar planeado.

    O último artigo de opinião que escrevi foi a seguir à vitória confirmativa do apuramento brácaro para o play-off de acesso à fase regular da Liga Europa. Outrora, esta fase já foi chamada de “fase de grupos" pelo que não espanta que ainda exista quem refira esse nome, sem qualquer diminuição visível do atual modelo da competição.

    Os romenos do Cluj juntaram-se ao Levski de Sofia no rol de vítimas do grupo que o espanhol Carlos Vicens comanda na presente temporada. Carimbada a passagem à derradeira etapa que pode conduzir o SC Braga à fase regular da Liga Europa, as atenções viraram todas para a liga portuguesa, onde os Gverreiros do Minho viajaram até Alverca para apadrinhar o regresso dos ribatejanos ao escalão principal, agora sobre os comandos do “adotado” elemento de toda a Legião do Minho, Custódio Castro.

    Cientes da importância do duelo, os adeptos braguistas não foram de modas e rapidamente esgotaram os bilhetes disponíveis, o que resultou numa deslocação em massa assinável que, por certo, ajudou a superar os alverquenses, onde o clima de apoio sem condições foi notório ao longo de todo o jogo. Houve momentos em que as bancadas proporcionaram momentos arrepiantes, aos quais ninguém, para além da tendenciosa comunicação social, consegue ficar indiferente.

    O jogo foi resolvido rapidamente e, ao intervalo, os três golos arsenalistas não tinham qualquer resposta efetiva, nas várias tentativas de superar a fria muralha brácara vinda da República Checa, que atua sob o nome de Lukas Hornicek. O guardião do templo bracarense soube esperar em Braga pelo seu momento e não deitou fora a oportunidade de se tornar uma referência incontornável dos atuais sucessos parciais registados, integrando o leque de Capitães da turma brácara e tendo exprimido recentemente o orgulho que sentiu por ter assumido esse cargo em Alverca.

    Atualmente, as expectativas são de um crescimento continuado no tempo que possam conduzir o guardião checo ao estatuto de referência internacional a médio prazo. A gestão da segunda parte disputada no Ribatejo foi feita com maturidade e nem as oportunidades concedidas ao adversário ofuscam o triunfo obtido.

    Contudo, é bom que exista consciência que a desejada consistência defensiva da equipa não dê tantas esperanças aos adversários, sob pena de um destes dias todos lamentarem algum indesejado insucesso. O êxito em Alverca, conseguido num contexto de mudanças elevadas no onze inicial, levou o SC Braga para o pleno de triunfos na liga portuguesa, curiosamente por três golos sem resposta em ambas as ocasiões, o que permitiu corrigir a perda de pontos habitual e não recomendável frente a adversários de teórica valia inferior.

    A competição oficial não dá tempo para tréguas pelo que o SC Braga teve uma preparação necessariamente rápida da deslocação ao Algarve para defrontar os gibraltinos do Lincoln, que haviam causado surpresa na eliminação dos arménios do Noah, na eliminatória anterior. A equipa de Gibraltar, pouca habituada a andanças tão avançadas, demorou tempo de mais a comunicar as condições de acesso ao jogo e de negociação da transmissão televisiva.

    Ora, o desconhecimento levou o SC Braga a definir tarde as condições de mobilização dos adeptos ao Algarve, para apoiar a equipa arsenalista, porque como é usual dizer-se “vencemos juntos”, equipa e adeptos. O contexto criado recomendava um breve e oportuno comunicado do clube aos seus adeptos garantindo a deslocação, mesmo sem conhecer as condições, algo que, infelizmente, não aconteceu.

    Fica o sublinhado negativo. Indiferentes às dificuldades do contexto, os adeptos mobilizaram-se e o SC Braga sentiu, uma vez mais, o carinho dos seus, algo que tem acontecido regularmente e merece ser realçado sem equívocos. O jogo no Estádio Algarve acabou com o segundo maior triunfo de sempre do SC Braga registado fora de casa nas competições europeias.

    Da última semana europeia sobressai o nome maior de Rodrigo Zalazar, com quatro golos e uma assistência, ele que um dia deixará saudades como um craque que jogou como na Pedreira. O sucesso escancara as portas da fase regular da Liga Europa e promove a consolidação do processo que Carlos Vicens está a implementar em Braga e que se deseja de conquistas no futuro.

    Agora é hora de encarar um desafio exigente frente ao AFS, uma vez que os avenses tentarão tirar partido de algum deslumbramento que os resultados positivos possam promover. Vamos à luta, juntos.

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