Numa altura em que está quase a fazer o primeiro aniversário da sua saída do Benfica e ida para o Equador, Renato Paiva contou ao zerozero como tem sido a experiência no Independiente del Valle e o caminho rumo à possibilidade de fazer história. Além disso, o treinador português falou dos seus largos anos de ligação ao Benfica, de vários dos jovens que lhe passaram pelas mãos, e surgem agora no radar da equipa principal, e do momento da saída de Bruno Lage.
- Parte I - Renato Paiva e um ano no Equador: «Estamos a fazer um trabalho notável»
- Parte II - «Em Portugal o projeto é despedir o treinador ao fim de cinco jornadas, se não apresentar resultados»
- Parte III - Renato Paiva recorda Benfica: «Estava preparadíssimo para ser eu o treinador, doeu-me…»
- Parte IV - Renato Paiva: «Potencial de Paulo Bernardo não tem fim, será a futura maior venda do Benfica»
zerozero (ZZ): Numa altura em que um dos assuntos do momento no Benfica é a lesão do Lucas Veríssimo, fala-se da possibilidade do Benfica ir ao mercado no inverno, mas há bastantes opções nas equipas secundárias. O Tomás é um dos nomes que se tem falado...
Renato Paiva (RP): O Tomás, é curioso, é uma aposta nossa de equipa B, um menino na altura. Até gerou ali algum incómodo, mas para mim era claro. É, juntamente com o Rúben Dias, o central mais completo que eu treinei até hoje. Tem tudo, absolutamente tudo. Comparando as idades, é superior ao Rúben Dias tecnicamente na parte da construção, o Rúben um bocadinho mais concentrado no trabalho e agressivo. O Tomás tem tudo. Tem capacidade técnica, tem saída de bola que parece um médio, não treme de maneira nenhuma com a bola nos pés, nem perto da sua linha de golo. Super rápido. Podia ser um bocadinho mais concentrado e agressivo. Assim como o Paulo, acho que ele vai conseguir. Acho que vai ser um dos centrais top do Benfica, agora não sei quando. O Benfica tem um grande treinador para tomar essas decisões e estará certamente a par, até trabalhou com ele na pré-época, do trabalho que o Tomás Araújo está a fazer e do trabalho que os centrais da primeira equipa estão a fazer. No futuro? Tenho zero dúvidas. Vai ser o central referência do Benfica, se tiver saúde e não tiver problemas.
«O Jota é dos jogadores com atributos técnicos e táticos do melhor que apanhámos, mas tinha sempre uma visão do jogo muito lúdica»
ZZ: O Jota está a passar um momento extraordinário no Celtic e o Renato chegou a dizer que se ele fosse aposta regular tinha potencial para ser um dos melhores. Como olha para o caso dele?
RP: O Jota é mais desenvolvido, mas o grande pecadilho do seu jogo era a «parte infantil» boa que ele dava ao jogo dele, ou seja, menos real no futebol de hoje em dia. O Jota fintava um jogador e se pudesse esperava por ele para o fintar mais duas ou três vezes. O Jota é dos jogadores com atributos técnicos e táticos do melhor que apanhámos, mas tinha sempre uma visão do jogo muito lúdica. Pouco «séria» no que o jogo pedia. Queria sempre adornar, fazer o mais difícil e às vezes no futebol isso não é assim. Custou-lhe. Eu sempre disse que o Jota quando desse o salto «maturacional», não só em termos físicos, mas também em termos de perceção do jogo, quando começasse a usar o sem número de atributos técnicos e táticos que tem para o jogo e a aplicá-los de forma efetiva, ia rebentar e ser um caso sério. Está a acontecer agora. E agora vai acontecer mais, porque ele está a crescer e vai perceber que está a funcionar. Ele é super inteligente. O Jota consoante vai crescendo como pessoa, vai crescendo como jogador.








