Outra vez, Benfica. Tal como no estádio do Dragão, a equipa perdeu o jogo já nos descontos (1x2). O Chelsea é o novo vencedor da Liga Europa. Caiu o pano sobre esta edição da competição europeia. Está encontrado o sucessor do Atlético Madrid.
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Amsterdam ArenA encheu para ver a final
O estádio encheu com o vermelho da Luz e o azul londrino. Adeptos de todos os cantos do Mundo, todos, sem exceção, movidos pela sua doutrina da fé clubística, ou simplesmente pela curiosidade de assistir a um jogo de tal gabarito.
As bancadas animaram-se com os elementos simbólicos de ambos os clubes. Bandeiras, cachecóis e bonés. Não faltaram, pois, objetos religiosos de uma prática emanada ao longo dos tempos, que passou de pai para filho, de tio para sobrinho, ou apenas por simples convicção.
Em Amesterdão, o Benfica procurava voltar a erguer um troféu europeu. Já o Chelsea, por seu lado, entrava em campo com a fixa ideia de se tornar na primeira equipa a deter os dois principais troféus de clubes em simultâneo.
Na sua nona participação numa final europeia, o Benfica teve pela frente um Chelsea que chegava pela quinta vez na sua história ao último jogo de uma competição da UEFA. Talvez por isso, e por outras coisas mais, os treinadores preferiram não atribuir favoritismo antecipado, pois sabiam que isso não serviria de garantia para a vitória.

Só deu Benfica na primeira parte
Uma final é sempre um jogo que encerra certas particularidades tão concretas que acabam, é certo, por limitar toda e qualquer comparação com outros jogos da temporada ou mesmo de épocas anteriores.
Na capital da Holanda, os benfiquistas quebraram um jejum de 23 anos sem estar num jogo decisivo europeu. Não admira, por isso, que fossem os encarnados a ter um nervosismo nitidamente maior, apenas fora de campo.
Um nervosismo que se fez maior depois do rude golpe no Dragão, quando os encarnados já não contavam com ele.
Na mente estavam, pois, os 90 minutos onde tudo se ia decidir, a não ser que fosse necessário esticar um pouco mais para os 120 ou para as grandes penalidades.

Do outro lado, Rafael Benítez viu-se forçado a uma alteração, com Gary Cahill no lugar do lesionado John Terry, mantendo David Luiz a fazer dupla com Ramires em zonas mais recuadas do meio-campo. O técnico do Chelsea optou ainda por deixar Victor Moses no banco e lançou para a titularidade o brasileiro Oscar.
Os campeões europeus começaram por mostrar alguma (pouca) circulação de bola mas o Benfica cedo assumiu as despesas de jogo. Numa primeira parte onde o conjunto da Luz praticou um futebol mais intenso, as melhores ocasiões de golo tiveram as cores de "Portugal". Contudo, o Benfica teve muita cerimónia nos vários lances que criou em zona frontal à baliza dos ingleses.
Aos 34 minutos, por exemplo, Nico Gaitán tentou o golo de trivela, aproveitando uma segunda bola, após uma jogada de entendimento do ataque encarnado.
O Chelsea, que raramente conseguiu ligar setores e levar perigo à baliza de Artur, procurou segurar as investidas da equipa de Jorge Jesus. Todavia, os blues até podiam ter ido a vencer para o intervalo. Aos 39 minutos, Frank Lampard, de fora da área, obrigou Artur a uma defesa de recurso, uma vez que a bola fez uma uma trajetória traiçoeira; o guarda-redes do Benfica, em desequilíbrio, ainda conseguiu defender com a mão esquerda, para canto.
Benfica deu mais espaço, Chelsea aproveitou

Embalados pelos adeptos que não largaram no apoio à equipa, a nação benfiquista gritou golo, aos 51', mas o golo foi anulado. O árbitro entendeu que Cardozo estava em posição irregular no momento do passe de Gaitán.
Ainda que fosse o Benfica a estar por cima, nesta segunda parte, as águias deram mais espaço ao adversário que, claro está, ia aproveitando para lançar ataques rápidos.
Foi, de resto, num desses ataques a grande velocidade que o Chelsea chegou ao golo por Fernando Torres, aos 59 minutos. Cech meteu na frente, Mata, no meio-campo, simulou o toque mas deixou para El Niño que atirou a contar, depois de fintar Artur Moraes. O atacante espanhol colocava os ingleses na frente do marcador, era a festa azul na Amsterdam ArenA.
Mas a festa dos ingleses não iria durar muito. Aos 68', numa altura em que Lima e Ola John já estavam em campo por troca com Melgarejo e Rodrigo, Cardozo empatou a final na marcação de uma grande penalidade. O paraguaio não falhou frente ao guarda-redes checo do Chelsea; o árbitro entendeu que Azpilicueta tocou com a mão dentro da área.
Empatados, esperava-se uma parte de final de encontro com muita emoção. Cardozo, aos 82', quase fazia o segundo mas Cech aplicou-se para evitar o tento de Tacuara. O paraguaio recebeu à entrada da área e rematou fortíssimo.
Respondeu o Chelsea por Lampard, aos 89 minutos. O médio inglês rematou mas a bola foi embater nos ferros da baliza de Artur Moraes.
Estavam jogados os 90 minutos. Nenhuma equipa queria arriscar a perder tudo nesta fase. Cheirava a prolongamento. Cheirava mas não aconteceu. A sorte voltou a ser madrasta para o Benfica. Tal como no Dragão, as águias sofreram o golo da derrota já em tempo de descontos, num canto batido na direita por Mata, Ivanovic saltou mais alto que André Almeida e encaixou a bola no canto esquerdo da baliza de Artur.
Já não deu tempo para mais. O Chelsea venceu o Benfica. Lágrimas dos adeptos e jogadores encarnados.



