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* Chefe de Redação
O dirigismo do futebol português tem as vistas enviesadas. Só vê o que lhe interessa.
Novidade nisto? Nenhuma. Quem perde, normalmente reage da forma mais primária possível: através de gritos e acusações – mas sem responder a questões da comunicação social.
O último capítulo desta penosa trivialidade teve Frederico Varandas no centro do palco, iluminado pelo holofote da derrota na final de Leiria.
O Sporting perdeu, sentiu-se prejudicado pela arbitragem e o máximo dirigente leonino decidiu falar. Usou os microfones dos jornalistas, disse o que quis e foi embora.
Problema número um: errou factualmente nos dados apresentados.
Problema número dois: perdeu uma boa oportunidade para elucidar os sportinguistas sobre temas prementes.
Onde falhou, então, o presidente Varandas?
«Nos últimos cinco jogos contra o FC Porto o Sporting tem seis expulsões, contra apenas uma.»
Vamos aos factos.
11 de fevereiro de 2022: FC Porto-Sporting, 2-2. Seba Coates expulso por duplo amarelo (o primeiro, na minha opinião, mal exibido), Pepe, Marchesín, Palhinha e Tabata expulsos após o final.
2 de março de 2022: Sporting-FC Porto, 1-2. Clássico sem expulsões.
21 de abril de 2022: FC Porto-Sporting, 1-0. Pedro Porro expulso – entrada violenta por trás sobre Galeno.
20 de agosto de 2022: FC Porto-Sporting, 3-0. Pedro Porro expulso – evitou com a mão um golo.
28 de janeiro de 2023: FC Porto-Sporting, 2-0. Paulinho expulso – cotovelo na cara de Otávio.
Conclusão: há quatro expulsões leoninas durante os jogos, mais duas para cada lado já depois do apito final. Frederico Varandas lançou o ruído que mais lhe interessou, certamente mal briefado.
Varandas fica ainda pior na imagem, se comparado com Ruben Amorim. O treinador do Sporting, cuja contratação foi o melhor ato de gestão do ‘varandismo’, perdeu um jogo importante e esteve na sala de imprensa a responder a todas as questões com uma elevação e inteligência raras neste mundo.
Um senhor.
Manteve a calma, detalhou as opções tomadas, assumiu a época difícil, não fugiu a nenhum dos temas mais delicados. Só não respondeu sobre a possível saída de Pedro Porro, porque aí a influência do treinador será praticamente nula.
Frederico Varandas teve um batalhão de microfones à disposição para poder esclarecer os adeptos do Sporting – transferências, resultados, finanças, havia tanto por onde escolher.
Optou pelo caminho mais fácil e munido de informações factualmente erradas. Esqueceu-se que até o adepto comum já faz fact checking.
Um péssimo princípio.