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O SC Braga viajou até Bruxelas, para disputar o penúltimo jogo da fase regular da Liga Europa, onde jogava uma cartada demasiado importante tendo em vista o apuramento dentro dos primeiros vinte e quatro clubes da classificação. O apuramento direto, nos primeiros oito lugares, há muito passou a ser uma miragem, pelo que restava tentar ganhar o direito de disputar um playoff de acesso aos oitavos de final da competição.
Carlos Carvalhal tentou retirar pressão aos seus jogadores ao classificar o encontro na Bélgica como não sendo decisivo, mensagem que aligeirou a importância na mente dos jogadores, face ao que se viu no “ervado” do Estádio Rei Balduíno, outrora designado como Heysel Park. A intenção do técnico brácaro podia até ser boa, mas o resultado foi desastroso, porque a performance da equipa ficou muito aquém do desejado e a derrota surgiu com uma preocupante naturalidade.
O jogo começou bem cedo no centro de Bruxelas, onde havia a concentração dos adeptos braguistas surgidos de diversos países, ainda que a maioria viajasse de Portugal. Viveram-se momentos de muito e puro braguismo, sempre sem complicações ou confusões, onde o álcool ajudava de contornar o frio
belga. Era um autêntico ambiente familiar, desportivamente falando, que ali observava, que ficou registado em muitas imagens captadas pelos diversos telemóveis ou pelo departamento de comunicação do SC Braga. A marcha seguiu alegremente de metro até perto do estádio e nada parava
a esperança braguista em ver in loco a conquista de uma vitória que era praticamente obrigatória, em função do objetivo de apuramento já referido.
O Atomium testemunhava ali bem perto a passagem da Legião rumo às bancadas do recinto emprestado ao Union de Saint Gilloise, cujo próprio estádio não
reúne condições para duelos europeus. Contudo, o estádio onde joga a seleção belga tinha um relvado tão fraco que não deveria acolher uma partida de tanta importância, pois não se entende como a UEFA, tão exigente em determinados locais e parâmetros, permite um jogo naquelas condições.
A surpresa era geral pelo facto de haver cerveja com álcool à venda no estádio, o que contrasta com Portugal, onde a sua existência é proibida. Nem por isso a Bélgica regista mais incidentes do que Portugal, porque os bons comportamentos são fomentados ao longo dos tempos.
Com a Legião instalada, o apoio estava garantido sempre na esperança que a equipa correspondesse, naquela espécie de relvado. Os Gverreiros do Minho eram favoritos, porque em teoria são melhores e, ainda, porque o adversário surgia desfalcado de meia equipa habitualmente titular. As coisas nem começaram mal, porque o SC Braga se adiantou no marcador, na primeira ofensiva digna de registo, nada mais de relevante fazendo a equipa até ao intervalo. O segundo tempo teve os belgas a forçarem o ataque e não foi preciso esperar muito para que o primeiro erro grave defensivo, característico de
uma equipa de escalão bem inferior, desse origem ao empate. Os brácaros voltaram a tentar o ataque, mas uma falha dupla inacreditável não traduziu em golo uma chance demasiado evidente, algo que viria a ter um preço elevado quando novo erro defensivo, numa espécie de cratera aberta na defesa
bracarense, deu origem ao golo de um triunfo que deixou a equipa praticamente afastada da próxima fase.
Recordo que na derradeira jornada a Pedreira acolhe, já na próxima quinta-feira, a Lazio de Roma, líder da classificação da Liga Europa, o que faz antever sérias dificuldades para os lados de Braga, com a agravante de a equipa agora não depender apenas de si para conseguir um apuramento que aparece agora num horizonte muito distante.
Findo o encontro os adeptos não gostaram de mais uma pálida exibição da equipa e os jogadores viram os aplausos substituídos por manifestações de desagrado, que surgiram de modo espontâneo e muito natural por parte de quem fez a deslocação para apoiar os seus. Foi uma equipa sem Rei
(Balduíno), nem Roque aquela que foi derrotada naquele estádio e praticamente se despediu de mais uma época europeia. Oxalá eu esteja enganado.
A semana europeia garantiu um pleno negativo para Portugal, com futuras consequências no ranking europeu. Nada que não se tenha visto no passado e que deveria fazer refletir as entidades que regem o futebol português, de modo a obrigarem os egoístas dirigentes dos clubes mais fortes a partilhar as
receitas e a garantir uma liga portuguesa mais forte e competitiva. Esta situação é absolutamente inaceitável, pelo que o futebol português agradece mudanças que evitem o seu definhamento internacional.