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    Luís Rocha Rodrigues
    Na Minha Secreta Área
    Luís Rocha Rodrigues

    Roma e Pavia...

    2017/01/18
    E2
    O Na Minha Secreta Área é um espaço de opinião do jornalista Luís Rocha Rodrigues. Nas gavetas, há sempre um bloco de notas e uma caneta para se anotar o futebol.

    ... não se fizeram num dia. E um clube hegemónico também não. Precisa de tempo. Pinto da Costa (primeiro como diretor do futebol, depois como presidente) precisou de uma década para dar dimensão nacional e internacional ao FC Porto. Mas conseguiu. Luís Filipe Vieira (também com tarefa inicial de diretor desportivo) demorou quase uma década a ombrear de igual para igual com o FC Porto e, depois, a assumir a hegemonia que agora os títulos traduzem.

    Vem isto a propósito do Sporting, claro. É tema do momento a situação delicada do clube em termos desportivos. E há aqui, desde logo, um aspeto relevante: é uma crise desportiva e de comunicação e não financeira, ao contrário das várias que o clube já teve este século. E isso é inegável mérito de Bruno de Carvalho e da sua gestão contida e rigorosa dos primeiros anos de mandato, que permitiu uma almofada que suporta alguns erros deste ano.

    A seguir a essa contenção entrou num despesismo próprio de quem está num clube que necessita de se alimentar urgentemente de títulos num país onde o médio/longo prazo no futebol praticamente não existe.

    Cometeu erros? Sem dúvida. Vários. Nomeadamente ao nível comunicacional, quando deu o salto para real candidato após a chegada de Jorge Jesus. Aliás, a falta de filtro na comunicação de ambos (que não é de agora) parece-me ser a base para o atual cenário. Bruno de Carvalho e Jorge Jesus estão ao mesmo nível na paixão pelo que desempenham e na forma como são impulsivos na reação. Ao nível mediático, isso acaba por ter custos, como se viu na época passada, na qual Jorge Jesus não soube medir o timing para parar a provocação a um rival que estava no chão e que se reergueu com esse eco (e ego) do ex-treinador das águias.

    Não é a primeira vez que Jorge Jesus se estica nas palavras, que refletem uma sobranceria que certamente existirá no trabalho de casa, mas que suscita paixões mais acerbadas (ódios, se formos mais crus na palavra escolhida). Há um momento capital na passagem pelo Benfica que inverteu o destino de vencer do clube e do treinador. Após o verão de 2013, doloroso depois de momentos como os protagonizados por Kelvin ou Ivanovic, houve uma inversão na postura de Jorge Jesus. Aprendeu (ensinaram-lhe... ou impingiram-lhe) uma postura de humildade que, verdadeira ou ensaiada, se traduziu num discurso muito mais aborrecido, embora eficaz: respeito pelo adversário, mérito coletivo e não individual, etc. Nessa época 2013/2014 ganhou quase tudo.

    Voltamos à atualidade. Faltam 17 jogos para a temporada do leão acabar. A solução passa por conseguir 51 pontos, mas nem assim é líquido (longe disso) que seja uma época salva. Vale mais contar espingardas, apanhar cartuchos e selecionar as balas certas para a nova época.
    Com Bruno de Carvalho (que vai a sufrágio em março) e com Jorge Jesus - a menos que a este surja uma proposta do estrangeiro que será menos provável depois destes dois maus anos europeus. Com uma nova comunicação, mais contida e pragmática - Nuno Saraiva e Paulo Cintrão estarão à altura da missão. E com uma ligeira reformulação do projeto.

    É mais do que evidente que a política de contratações tem que ser repensada e mais ponderada, que há demasiada matéria-prima que pertence aos quadros e que está a render noutras paragens e que há todo um conjunto de jogadores do plantel que não tem categoria para entrar nos livros dourados do clube.
    Mas também é mais do que evidente que há muito não se via um Sporting com tanta saúde numa crise (qualquer adepto rival sensato o reconhecerá). Isso é bom e claramente não acontece por gestões financeiras como as que se viram antes da atual. Falta saber se os comandantes da frota em crise saberão identificar e corrigir os erros próprios, em sede própria, e apanhar novamente o sabor do vento.

    Comentários

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    Motivo:
    prehistorico 19-01-2017 14:38
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Auto Crítica? do BdC?
    enquanto não despir a camisola de «ultra», não me parece.

    até porque é o disc urso de Presidente/Membro de Claque que tanto empolga os sportinguistas que não investem no clube.

    o trauliteirismo da redes sociais, eventualmente, deixará de satisfazer até o menos exigente sportinguista. . . com mujita pena minha e de outros benfiquistas
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    GL
    Gloriosovp 19-01-2017 12:57
    Editado a 2021-08-16 00:00
    Saúde?
    Veremos a saúde no fim da época e em que posição vai ficar a tal saúde! Porque sem LC não há dinheiro e não me venham com os direitos televisivos porque o Sporting já antecipou o pagamento dos dois primeiros anos! Aí se precisarem de investir, primeiro terão de vender entre Adrien, William e Gelson, para depois comprarem um central que substitua Coates. . .
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