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O artigo de opinião de hoje incide, prioritariamente, sobre a seleção nacional, que vai marcar presença no Mundial de 2026, a realizar-se em diferentes países. A época foi longa e desgastante para alguns dos jogadores anunciados por Roberto Martínez na sua recente e definitiva convocatória, ainda que outros surjam mais frescos, fruto da menor utilização ao longo da temporada.
Quaisquer que fossem as escolhas do selecionador, nunca seriam consensuais, embora alguns nomes mereçam esse consenso. O responsável pela seleção lusa faz questão de recordar que existem critérios que orientam a elaboração da lista de convocados.
Contudo, esses critérios não são públicos e, quando utilizados como justificação para determinadas opções, soam a falso, porque o que serve para uns, não serve para outros. Na minha opinião, a meritocracia deveria ser sempre um fator determinante, pois premiaria quem fez mais e melhor, em detrimento da permanência injustificada de alguns nomes que estão sistematicamente no grupo, muitas vezes sem justificação plausível.
Caro Roberto Martínez, a sua função consiste em comandar a seleção, procurando os melhores caminhos que a possam conduzir ao sucesso, objetivo maior de qualquer projeto desportivo. Contudo, meu caro selecionador, nunca se esqueça de que, nos nomes que o senhor chama para o grupo das quinas, existem seres humanos, com sentimentos e capacidade de pensamento - felizmente. Esses seres humanos definem objetivos e trabalham diariamente para os atingir, sendo enorme o desconforto quando as suas expectativas são injustamente destruídas.
Em Braga existia uma expectativa elevada em torno da possível chamada de Ricardo Horta, cuja performance ao longo das últimas temporadas alimenta o legítimo desejo de integrar, de forma regular, o grupo da seleção nacional. Nesta época, o capitão bracarense apresentou números impressionantes ao nível dos golos e das assistências, sobretudo para quem não atua regularmente em zonas de finalização, como um ponta de lança.
Para lá dos números, Ricardo Horta é um profissional sério, dedicado e extremamente competente, elevando o rendimento da sua equipa em múltiplos momentos através das suas ações. Neste artigo abordarei apenas a ausência de Ricardo Horta, deixando os casos de Palhinha, Pote e outros para a reflexão de outras pessoas.
Ricardo Horta não foi chamado para a fase final do último Campeonato da Europa, ficando Roberto Martínez a lamentar uma decisão que ele próprio tomou, sabe-se lá com que influências externas. A ausência do jogador manteve-se ao longo da fase de apuramento para o Mundial que se avizinha, mas o nível exibido nesta temporada foi tão elevado que se tornou impossível ignorá-lo.
Assim, o selecionador acabou por chamar Ricardo Horta, juntamente com outros nomes pouco habituais, para uma longa e questionável viagem às Américas, onde se realizaram dois jogos particulares. Foi suplente não utilizado no empate a zero frente ao México e jogou os últimos quarenta e cinco minutos diante dos Estados Unidos da América, exibindo um desempenho irrepreensível e um entendimento pelo corredor esquerdo que apenas surpreendeu quem não o conhece.
Roberto Martínez levou Ricardo Horta para o 'experimentar', algo difícil de compreender num jogador com tanta experiência, quer em Braga, quer na seleção, onde manifesta gosto em estar. Por vezes, o selecionador insulta a nossa inteligência.
O momento do anúncio da lista final foi aguardado com grande expectativa por toda a Legião do Minho, embora Martínez sempre soubesse que não iria convocar Ricardo Horta. A minha discordância com o senhor Roberto, para além desta ausência, estende-se à incompreensível chamada de cinco laterais, quatro deles destros. A estes quatro jogadores poderiam sempre juntar-se, em caso de necessidade, nomes como Tomás Araújo, várias vezes utilizado nessa posição, ou João Neves, que o próprio Roberto Martínez já adaptou, quando não encontrou outra forma de integrar no onze o talentoso médio que atua em França.
Outro ponto de divergência prende-se com a valorização que o selecionador faz da competição da Arábia Saudita, em comparação com a portuguesa, cujo nível é claramente superior. Acrescem ainda as justificações apresentadas para determinadas decisões, que por vezes roçam o ridículo.
O SC Braga reagiu rapidamente à ausência de Ricardo Horta da seleção nacional que vai disputar o Mundial 2026. Na minha opinião, reagiu bem, porque, como diz o povo, quem não se sente, ou não sente os seus, não é filho de boa gente.
Ao capitão bracarense deixo uma palavra de solidariedade pela frustração do momento, desejando que as férias lhe permitam regressar a Braga na próxima temporada em elevado nível competitivo, algo que se reflete sempre no rendimento coletivo da equipa