09/07 - 21:00
10/07 - 20:00
Portugal é, como se sabe, um país onde o que de mais moderno se faz lá pelo estrangeiro demora a cá chegar e ainda mais a implementar quando se trata de inovações com aplicação local, chamemos-lhe assim.
Por isso, o futebol português, precisamente por ser português, não foge a essa regra e, tal como a Coca-Cola, primeiro estranha e só depois entranha aquilo que é novo.
Foi o caso das equipas B. Que há uns anos atrás apareceram em meia dúzia de clubes mas sem um enquadramento competitivo que as tornasse interessantes e, por isso, foram efémeras e rapidamente extintas em todo o lado exceto, salvo erro, no Marítimo, que manteve sempre a sua equipa B em funcionamento e com resultados compensadores.
Meia dúzia de anos atrás, provavelmente inspirada no exemplo de décadas da existência de equipas B noutros países, nomeadamente Espanha, a Liga resolveu abrir aos clubes a possibilidade de terem equipas B, sendo que aquelas que pertencessem a clubes da Primeira Liga começariam o seu percurso no escalão imediatamente abaixo e no âmbito das competições profissionais.
Foi assim que Vitória, Sporting, Braga, FC Porto e Benfica criaram as suas equipas B, que vieram juntar-se ao resistente Marítimo B, e que, em 2012/2013, essas seis equipas disputaram pela primeira vez a Segunda Liga.
Hoje, resistem nela apenas cinco porque os madeirenses desceram ao terceiro escalão (o Vitória B também já desceu, precisamente na época inaugural, mas voltou a subir no ano seguinte) e mais nenhum clube da Primeira Liga apostou em equipas B embora, curiosamente, existam na Segunda Liga clubes que têm equipas B a disputarem competições não profissionais como é o caso do Varzim e do Aves, entre outros.
Creio que as equipas B são hoje uma realidade consolidada e qualquer um dos cinco clubes de primeiro escalão que tem equipa B já dela tirou evidentes proveitos desportivos com a maturação de jovens talentos que depois viriam a ganhar as respetivas “esporas de cavaleiro” ao serviço das equipas A dos seus clubes.
Exemplos? Paulo Oliveira no Vitória, Renato Sanches no Benfica, Gelson Martins no Sporting, André Silva no FC Porto, são exemplos de jogadores que cumpriram os seus percursos de formação, passaram pelas equipas B dos seus clubes e, depois de se afirmarem nas equipas principais, até chegaram a internacionais A.
Alguns deles até já nem estão nos clubes que os lançaram.
Penso, isso sim, que cinco anos depois do início dessa nova fase do nosso futebol, talvez fosse tempo de reformular algumas das condições em que as equipas B competem, tirando ensinamentos não só destes cinco anos como também adequando a sua realidade à de um futebol que também ele evoluiu.
Dou três exemplos. Penso que as equipas B deviam poder ter em cada ficha de jogo três atletas com mais de 23 anos (atualmente só podem ter um) porque isso não só lhe daria solidez competitiva como também permitiria que as equipas A tirassem outro partido das suas equipas B, nomeadamente para rodarem jogadores menos utilizados.
Devia ser imposto um limite de estrangeiros nas equipas B, muito mais restritivo, de molde a que essas equipas fossem cada vez mais um espaço de afirmação dos jovens talentos portugueses e não, como aqui e ali acontece, um espaço que os empresários de futebol utilizam para exporem os seus “produtos”, alguns dos quais vindos sabe-se lá de onde.
Finalmente, admito que mais polémica esta ideia, as equipas B deviam poder participar na Taça de Portugal e na Taça da Liga. Há objeções, é verdade, mas também teria vantagens e recordo sempre que, em 1979/1980, o Castilla (assim se chamava então a equipa B do Real Madrid) fez um percurso tão brilhante na Taça do Rei que chegou à respetiva final na qual encontrou pela frente o…Real Madrid. A final foi no Santiago Bernabéu (onde havia de ser?) e a equipa principal venceu 6x1.
As equipas B são uma aposta ganha.
Agora, o desafio é dar-lhes condições para poderem ir mais longe, reforçando a sua competitividade e permitindo que os jogadores que as integram possam ter desafios ainda mais competitivos.
Estou certo que valerá a pena.
P.S.: A equipa B do Vitória tem inegável sucesso desportivo. Por lá passaram jogadores como Paulo Oliveira, Ricardo Pereira, Tiago Rodrigues, João Pedro, Bernard e Hernâni, já transferidos (embora estes dois últimos tenham regressado como emprestados), e titulares da atual equipa A como Josué, Miguel Silva ou Konan.
A equipa B do Vitória é, de longe, a que tem melhores médias de assistência de todas as equipas B, teve épocas em que foi a que teve mais assistentes na Segunda Liga e esta época, mesmo com vicissitudes de que falarei, está nas vinte primeiras equipas das competições profissionais em número de espectadores.
Acontece que o Vitória só tem um estádio para duas equipas.
Por isso, a Liga (e a Sport TV) deviam ter essa realidade em atenção quando calendarizam jogos da equipa A e terem mais respeito pelo clube.
O Vitória jogou ontem à noite (domingo) com o Rio Ave e, por isso, a equipa B, que recebe o Cova da Piedade, vai ter de jogar hoje, segunda-feira, às 15h00, uma hora completamente imprópria para uma competição profissional.
Já não é a primeira vez que tal acontece e isso prejudica, como está bom de ver, as suas médias de assistências.
Custaria alguma coisa a equipa A ter jogado no sábado à tarde para que a B pudesse jogar no domingo? Creio que todos estaremos de acordo que não!