A Luz preparava-se para celebrar mais uma vitória, mas saiu gelada no último suspiro. O Benfica empatou 1-1 com o Santa Clara e perdeu os primeiros pontos da época em casa, num jogo que parecia controlado, mas que acabou por expor uma equipa demasiado conformada com o mínimo.
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Os números davam conforto: mais de 50 jogos seguidos a marcar em casa na Liga, oito vitórias consecutivas frente aos açorianos, três triunfos já somados no arranque do campeonato. O guião parecia escrito. Ainda mais quando, aos 37 minutos, Paulo Victor foi expulso e deixou os visitantes reduzidos a dez. Só que, em vez de acelerar, o Benfica adormeceu.
A primeira parte já deixava sinais dessa letargia. Richard Ríos tentou incendiar de fora da área, mas faltava imaginação e presença na área. O jogo arrastava-se e, por instantes, até foi o Santa Clara a estar mais perto do golo, quando Adriano Firmino percorreu meio campo com a bola dominada sem oposição.
O alívio chegou ao minuto 59: Aursnes levantou para a área, Otamendi ganhou no ar e Pavlidis, oportuno, atirou para dentro. Era o golo da tranquilidade e parecia a senha para uma vitória segura. Mas não passou disso mesmo, uma sensação. Em vez de carregar sobre um adversário fragilizado, as águias contentaram-se em gerir. Houve mais posse do que aceleração, mais cálculo do que chama. Pavlidis ainda falhou o 2-0 de forma incrível, mas a tendência era clara: o Benfica estava confortável em vencer por pouco.
E foi nesse conforto que nasceu a surpresa. Já em tempo de compensação, Otamendi falhou em zona proibida, Vinícius Lopes aproveitou e gelou a Luz. Um golo que não só resgatou um ponto para os açorianos, mas que também expôs a passividade de um Benfica que, em superioridade numérica durante quase uma hora, nunca soube impor definitivamente a sua lei.
O empate não apaga o bom arranque da temporada, mas serve de aviso. Uma equipa que se habitua a jogar apenas para vencer arrisca-se a não convencer e, em noites como esta, a nem sequer vencer. No fundo, o Santa Clara saiu de Lisboa com muito mais do que um ponto: saiu com a prova de que até o gigante pode ser vulnerável quando abdica de ser dominante.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Vangelis Pavlidis (Benfica): O grego foi a figura representante do Benfica. Marcou, mas podia ter feito mais. A dupla com Ivanovic não parece estar a dar muitos frutos, pelo menos para o melhor marcador do Benfica na época passada. Anda mais desaparecido e, quando aparece, a eficácia não o acompanha sempre.
Vinícius Lopes (Santa Clara): A voz da alma açoriana em Lisboa. Entrou já tarde no encontro mas chegou mais do que a tempo para espalhar o caos na capital. Foi oportunista e soube sentenciar aquilo que o Santa Clara procurou durante todo o encontro- ferir um Benfica passivo.
Nicolás Otamendi (Benfica): Uma noite para esquecer por parte do capitão do Benfica. Apesar de não ter feito uma má exibição ao longo dos 90 minutos, o erro que cometeu sentenciou o resultado e é isso que vai ficar na memória das pessoas que viram este jogo. O argentino assumiu a responsabilidade e pediu desculpa mas a redenção já só será possível numa outra noite. Esta, é certamente para servir de aprendizagem.
Richard Ríos (Benfica): A contratação mais cara dos encarnados. O jogador que chegou com esse rótulo e que luta por merecê-lo vezes e vezes sem conta durante o jogo. No entanto, a luta parece vir a ser complicada apesar das sucessivas tentativas. Ainda não foi a noite ideal de Richard Ríos, contudo, não deverá tardar.
O Árbitro
João Pinheiro, num plano geral, esteve à medida do encontro. Foi criterioso no momento da expulsão e não poupou também o cartão amarelo, que saiu do bolso algumas vezes.
Incidentes: O filme do jogo







