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    História da Edição

    Verde e branco, finalmente!

    Texto por Luís Rocha Rodrigues
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    Foram 19 anos de espera, a maior do seu historial (superando os 18 entre 1982 e 2000), e aconteceu numa das épocas em que menos parecia possível. Um rival era campeão e apostava na continuidade, outro rival recuperava um treinador que ali tinha ganho muito e oferecia-lhe reforços de peso. Mas foi em Alvalade, numa época em que os adeptos tiveram de ver a uma grande distância, por causa da pandemia, que o troféu foi levantado, por um grupo jovem, sem historial de vitórias, mas com muita organização defensiva e um treinador que deixou marca.

    A vitória do Sporting nesta época começa a explicar-se na anterior. Rúben Amorim fora contratado em março de 2020, por um muito contestado Frederico Varandas, que fez uma arriscadíssima jogada ao pagar os 10 milhões de euros da cláusula de rescisão ao SC Braga, onde o jovem técnico tinha tido dois meses de sonho. Ainda assim, apenas dois meses ao mais alto nível e de alguém com somente 35 anos - não fossem as lesões, ainda estaria a jogar nesta altura. Isto além da agravante de ser um nome que fizera juras de amor ao rival Benfica, o que foi desde logo usado como arma de arremesso pelos ruidosos contestatários de Frederico Varandas.

    A época tinha sido interrompida pela pandemia, Rúben Amorim pôde fazer uma espécie de pré-temporada para os últimos jogos e estudar jovens talentos do clube para se inserirem nas escolhas - Nuno Mendes, Matheus Nunes ou Tiago Tomás são exemplos. Perdeu o terceiro lugar, muito provavelmente, por causa de ter tomado esse risco, mas o tempo dar-lhe-ia razão. Para o começo de 2020/21, não foi a surpreendente derrota contra o LASK Linz, ainda antes da fase de grupos da Liga Europa, um motivo para desânimo. Pelo contrário, por estar menos atestado de jogos do que os rivais diretos, numa temporada especialmente densa, o técnico pôde fazer uma gestão mais folgada dos jogadores, que se revelou fundamental.

    O Benfica tinha acabado a temporada anterior de forma penosa, mas a contratação de Jorge Jesus conferia uma nova injeção de ânimo aos adeptos, que se avolumou com as chegadas milionárias de Waldschmidt, Pedrinho, Darwin ou Everton. Contando depois com Vertonghen, a custo zero, e Otamendi, envolvido no negócio de Rúben Dias, foram mais de 100 milhões de euros investidos, numa garantia de ambição redobrada para o regresso aos títulos. E o começo até foi muito bom, pese embora a queda na 3.ª pré-eliminatória da Champions contra o PAOK, pois na Liga NOS, num campeonato que começou apenas a meio de setembro, as águias fecharam outubro com 5 jogos, 5 vitórias e uma liderança que soava a natural. Só que tudo ruiu depois...

    Antes, já tinha ruído no Dragão. Novamente com Sérgio Conceição, e com uma política de contratações que, desta vez, ficou muito dentro de portas (Toni Martínez veio do Famalicão, Taremi do Rio Ave, Carraça do Boavista, Cláudio Ramos do Tondela, Zaidu do Santa Clara), os dragões tiveram um mau arranque. Aliás, à sexta jornada já tinham as duas derrotas, em casa com o Marítimo e em Paços de Ferreira, com que acabaram o campeonato, para além do empate em Alvalade. A equipa reencontrar-se-ia depois disso, fazendo sete vitórias seguidas até à receção ao Benfica, já em janeiro, que acabou com igualdade. Por essa altura, os encarnados estavam numa terrível fase, em termos pandémicos, com uma razia global do plantel que até chegou a colocar em causa a sua participação na final-four da taça da Liga, no fim de janeiro.

    Uma prova que seria ganha pelo Sporting, numa altura em que a equipa de Rúben Amorim já era muito mais do que um caso de sucesso momentâneo, e que serviu como selo de garantia, para os adeptos e a crítica, de que não falharia em momentos decisivos.

    Com o Benfica e o SC Braga praticamente arredados da luta, fevereiro parecia ter tido a sentença final, depois de três empates seguidos do FC Porto (Belenenses SAD, SC Braga e Boavista), a que se seguiu igualdade entre dragões e leões, que fez com que o Sporting saísse do Dragão com mais 10 pontos que o adversário. Março parecia confirmar, abril trouxe um pequeno tremor de terra a Alvalade, vindo de Moreira de Cónegos (1x1), com mais duas réplicas em casa (Famalicão e Belenenses SAD), o que encurtou a vantagem para 4 pontos, ainda com uma ida à Luz para cada.

    O fim de semana que selou o campeonato acabou por ser o da jornada 29. Em Braga, um Sporting tremido por esse aproximar do FC Porto, viu Gonçalo Inácio ser expulso muito cedo (18') e precisou de recuar e saber sofrer. O jogo ficou marcado por um enorme Adán e por um intransponível gigante Coates, que já tinha sido decisivo com vários golos, mas que na Pedreira foi superlativo a limpar tudo. Perto do fim, uma cavalgada de Matheus Nunes deu no golo da vitória. No dia seguinte, o FC Porto saiu de Moreira de Cónegos com um empate, muita fúria com a arbitragem - Sérgio Conceição seria suspenso - e com silêncio praticamente total até final da época, sem mais conferências de imprensa.

    Depois desse Cabo das Tormentas, a tão desejada conquista finalmente chegou. O troféu de campeão foi erguido em Alvalade, numa época em que os adeptos estiveram de fora, mas que puderam estar mais perto nesse dia, numa autêntica invasão às imediações do estádio e também ao Marquês de Pombal. E, se a luta pelo título até foi resolvida antes do fim - só depois disso os leões perderiam pela primeira vez (4x3 na Luz, já campeões) -, outra teve horas extra e... polémica. Pedro Gonçalves passou a época a marcar golos, Seferovic foi encurtando distâncias aos poucos e chegou-se à frente, acabando o campeonato com mais dois que o português... que ainda não tinha jogado. Fê-lo logo a seguir, no jogo que fechou a época, marcou três e sagrou-se artilheiro da prova. Um desencontro de timings que Jorge Jesus não perdoou.

    Duas surpresas boas, uma má, outra péssima

    Depois de se apurar para a Europa na época anterior, o Rio Ave esteve em vias de eliminar o poderosíssimo Milan nos Arcos, às portas da fase de grupos da Liga Europa, sofrendo o empate no último minuto do prolongamento e desperdiçando três penáltis que dariam a vitória por essa via. Esse bom arranque da equipa de Mário Silva deu, depois, em clara depressão. O treinador não resistiu, Miguel Cardoso regressou para ajudar a que se navegasse por águas mais tranquilas, mas a equipa já estava em plenas areias movediças, sempre com dificuldades para estar em zona respirável. Acabou por conseguir acesso ao playoff, mas teve aí um cruel desfecho, sendo batida pelo Arouca, de tal forma que o treinador até acabou despedido a meio dos dois jogos - Augusto Gama assumiria o jogo final, sem sucesso, e a descida de divisão acontecia.

    Também andou perto o Famalicão, depois de uma primeira época acima das expectativas. A primeira volta foi um desastre, João Pedro Sousa saiu, Jorge Silas entrou e não foi melhor, durando apenas um mês, mas Ivo Vieira apareceu a acabar fevereiro e tirou a equipa do precipício em tempo útil - acabaria perto da Europa.

    ... Tal como o Vitória, embora esse a entrar no capítulo das desilusões. Pese embora a saída precoce de Tiago Mendes, a chegada de João Henriques encarreirou a equipa, onde a estrela era Ricardo Quaresma, só que uma segunda volta penosa resultou na queda fatal dos lugares europeus na última jornada. Aproveitou o Santa Clara, numa época absolutamente histórica, com a melhor classificação do clube e o apuramento para a Conference League, juntando-se a um Paços de Ferreira que, no 4x3x3 de Pepa, foi a grande sensação desta Liga NOS.

    Fazemos referência a esse sistema tático, porque esta foi a época da viragem, já que a maioria das equipas passou a jogar com três defesas (3x4x3 ou 3x5x2). O sucesso do Sporting de Rúben Amorim foi o mote, mas esse sistema foi uma constante em clubes como o SC Braga, a Belenenses SAD, o Tondela ou o Moreirense, sendo também adotado a meio da época por Jorge Jesus no Benfica, depois da chegada de Lucas Veríssimo. Um sistema que, diga-se, parece ter chegado para ficar alguns anos...

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