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O Sporting voltou a sagrar-se campeão nacional, mas a história foi totalmente distinta daquela que dois anos antes levou o clube ao seu primeiro título em muito tempo. Mantinha-se Rúben Amorim ao leme e o seu fiel 3-4-3 como base, mas o foco estava cada vez menos no lado defensivo do jogo e os leões assumiam-se, de uma vez por todas, como a melhor equipa em Portugal.
90 pontos, 96 golos marcados e pleno de vitórias em jogos caseiros (29V, 3E e 2D no registo geral) são dados que servem como ponto de partida para contar uma história de domínio absoluto. Não fosse a listada verde e branca e questionaríamos se seria mesmo o Sporting em campo, semana após semana, mas todos os testes provaram que se tratava mesmo do leão rampante. Sem hipérbole, a melhor versão do leão em largas décadas.
Seria difícil considerar o Sporting, à partida, como o principal candidato ao título. Vinha de um quarto lugar na Liga em 2022/23, depois de primeiro e segundo lugar nos dois anos anteriores, pelo que começava a mostrar sinais de estar em queda. O verão veio dar uma nova saúde.
O mercado ditou a saída de Ugarte por 60 milhões de euros, abrindo um espaço que meses depois foi preenchido pela acertadíssima contratação de Morten Hjulmand. De resto, tudo apontava para a contratação de um ponta de lança. Os adeptos exigiam-no, a venda de Chermiti ajudava e até Amorim, outrora mais teimoso no tema, começava a ver Paulinho como arma insuficiente no ataque a um título.

A seu tempo, o acordo surgiu e o novo camisola 9 foi apresentado. Também a seu tempo, todos os que duvidaram recuaram na sua opinião, uma vez que Gyökeres atingiu o futebol português como um furacão.
Dois golos na estreia, frente ao Vizela, serviram de aviso. E não mais pararam de surgir, sendo norma, inclusivamente, nos jogos frente aos rivais. O Sporting tinha no seu ataque uma presença monstruosa, capaz de aterrorizar as defesas adversárias com um físico potente, que podia segurar adversários e também explodir na profundidade, mas também com técnica apurada no drible e no remate.
Essa presença quase mitológica do ataque leonino foi desafiando leis científicas, mas a matemática foi batendo certo e, tudo somado, o avançado sueco valeu 57 golos em 50 jogos aos leões, na soma dos 43 que marcou e 14 que assistiu na temporada de estreia. Contando apenas a Liga, foram 29 golos e nove assistências.
Fora o sueco, ou em torno dele, uma equipa funcional e bem capaz de rivalizar com as melhores de sempre no campeonato português, ou pelo menos relativamente ao século XXI.
Paulinho, sem a pressão de ser o principal avançado, subiu o nível e passou a ser uma figura adorada pelos adeptos, que não apreciaram a saída no final da temporada. Morten Hjulmand provou ser também uma contratação de topo, liderando o meio-campo e, a seu tempo, a equipa. Pedro Gonçalves continuou a ser fulcral no equilíbrio do ataque e tudo isto era protegido por uma defesa composta por três centrais de inegável qualidade: Gonçalo Inácio, Seba Coates e Ousmane Diomande.
Foi com esta matéria-prima que Ruben Amorim construiu um Sporting capaz de, pela primeira vez na sua história, atingir a marca dos 90 pontos no campeonato.

Nem tudo foi perfeito, até porque a reta final da luta pelo título trouxe uma ligeira polémica com uma viagem de Ruben Amorim até Londres para conversar com os responsáveis do West Ham. O treinador acabou por escolher o Sporting e pedir desculpa aos adeptos, tendo não muito depois celebrado o seu segundo título de campeão nacional, na sequência de uma derrota do Benfica em Famalicão.
Como este último parágrafo indicou, o Benfica foi quem durante mais tempo ameaçou o título do Sporting. As águias vinham de uma temporada em cheio sob o comando de Roger Schmidt, mas não conseguiram manter o nível nem alcançar o ambicionado bicampeonato, sendo que o alemão chegou ao fim da temporada já com a confiança dos adeptos perdida.
Numa campanha sem um goleador de referência, Ángel Di María e Rafa Silva assumiram-se como as principais figuras da equipa no plano ofensivo, enquanto João Neves foi a grande revelação. Ainda assim, tudo isso se provou insuficiente e a derrota por 5-0 no Dragão, num primeiro dia de março que abriu feridas antigas, apagou parte da crença numa campanha vitoriosa.

Rafa Mújica e Cristo González, dupla de espanhóis do ataque goleador do Arouca, foi outro dos fatores marcantes desta temporada que acabou com os lobos a venderem ambos ao Al-Sadd no verão seguinte por uma soma que chegou aos 19 milhões de euros. Costinha (Rio Ave) e Ricardo Velho (Farense) foram outros grandes destaques da Liga.
A temporada ficou marcada também por uma grande luta pela manutenção. GD Chaves e Vizela foram os primeiros e principais perdedores, caindo de volta ao segundo escalão, sendo que o Portimonense acabou por descer também pela via do playoff, depois de terminar com os mesmos pontos que o Boavista e menos um ponto que Estrela e Estoril.
