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    História da Edição

    A brilhante vigésima do leão

    Texto por Ricardo Miguel Gonçalves
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    O Sporting voltou a sagrar-se campeão nacional, mas a história foi totalmente distinta daquela que dois anos antes levou o clube ao seu primeiro título em muito tempo. Mantinha-se Rúben Amorim ao leme e o seu fiel 3-4-3 como base, mas o foco estava cada vez menos no lado defensivo do jogo e os leões assumiam-se, de uma vez por todas, como a melhor equipa em Portugal.

    90 pontos, 96 golos marcados e pleno de vitórias em jogos caseiros (29V, 3E e 2D no registo geral) são dados que servem como ponto de partida para contar uma história de domínio absoluto. Não fosse a listada verde e branca e questionaríamos se seria mesmo o Sporting em campo, semana após semana, mas todos os testes provaram que se tratava mesmo do leão rampante. Sem hipérbole, a melhor versão do leão em largas décadas.

    O temível Viktor Gyökeres

    Seria difícil considerar o Sporting, à partida, como o principal candidato ao título. Vinha de um quarto lugar na Liga em 2022/23, depois de primeiro e segundo lugar nos dois anos anteriores, pelo que começava a mostrar sinais de estar em queda. O verão veio dar uma nova saúde.

    O mercado ditou a saída de Ugarte por 60 milhões de euros, abrindo um espaço que meses depois foi preenchido pela acertadíssima contratação de Morten Hjulmand. De resto, tudo apontava para a contratação de um ponta de lança. Os adeptos exigiam-no, a venda de Chermiti ajudava e até Amorim, outrora mais teimoso no tema, começava a ver Paulinho como arma insuficiente no ataque a um título.

    A máscara, em celebração do golo ao FC Porto. @Kapta+
    Aí entrou em cena Viktor Gyökeres. A escolha caiu sobre o sueco e seguiram-se longas negociações com o Coventry City e com o próprio jogador, que preferia a Premier League. A novela levou adeptos ao desespero, até porque o preço recorde (20M€ mais quatro em potenciais objetivos) parecia excessivo para um jogador em final de contrato e que aos 25 anos nunca tinha jogado numa primeira divisão. 

    A seu tempo, o acordo surgiu e o novo camisola 9 foi apresentado. Também a seu tempo, todos os que duvidaram recuaram na sua opinião, uma vez que Gyökeres atingiu o futebol português como um furacão.

    Dois golos na estreia, frente ao Vizela, serviram de aviso. E não mais pararam de surgir, sendo norma, inclusivamente, nos jogos frente aos rivais. O Sporting tinha no seu ataque uma presença monstruosa, capaz de aterrorizar as defesas adversárias com um físico potente, que podia segurar adversários e também explodir na profundidade, mas também com técnica apurada no drible e no remate. 

    Essa presença quase mitológica do ataque leonino foi desafiando leis científicas, mas a matemática foi batendo certo e, tudo somado, o avançado sueco valeu 57 golos em 50 jogos aos leões, na soma dos 43 que marcou e 14 que assistiu na temporada de estreia. Contando apenas a Liga, foram 29 golos e nove assistências.

    Caminhada tranquila até ao ouro

    Fora o sueco, ou em torno dele, uma equipa funcional e bem capaz de rivalizar com as melhores de sempre no campeonato português, ou pelo menos relativamente ao século XXI.

    Paulinho, sem a pressão de ser o principal avançado, subiu o nível e passou a ser uma figura adorada pelos adeptos, que não apreciaram a saída no final da temporada. Morten Hjulmand provou ser também uma contratação de topo, liderando o meio-campo e, a seu tempo, a equipa. Pedro Gonçalves continuou a ser fulcral no equilíbrio do ataque e tudo isto era protegido por uma defesa composta por três centrais de inegável qualidade: Gonçalo Inácio, Seba Coates e Ousmane Diomande.

    Foi com esta matéria-prima que Ruben Amorim construiu um Sporting capaz de, pela primeira vez na sua história, atingir a marca dos 90 pontos no campeonato.

    Bis de Geny Catamo frente ao Benfica foi chave na conquista do título. @Kapta+
    As 29 vitórias também foram um máximo e os poucos tropeções surgiram apenas fora de casa. O Sporting empatou nas visitas ao SC Braga, Benfica e Vitória SC na primeira volta. Na segunda perdeu apenas quatro pontos, tendo empatado no terreno do Rio Ave e do FC Porto. Mais memoráveis que as perdas de pontos foram as goleadas de 5-0 ao SC Braga, 8-0 ao Casa Pia e 6-1 ao Boavista.

    Nem tudo foi perfeito, até porque a reta final da luta pelo título trouxe uma ligeira polémica com uma viagem de Ruben Amorim até Londres para conversar com os responsáveis do West Ham. O treinador acabou por escolher o Sporting e pedir desculpa aos adeptos, tendo não muito depois celebrado o seu segundo título de campeão nacional, na sequência de uma derrota do Benfica em Famalicão.

    Insuficiência de águias, dragões e não só

    Como este último parágrafo indicou, o Benfica foi quem durante mais tempo ameaçou o título do Sporting. As águias vinham de uma temporada em cheio sob o comando de Roger Schmidt, mas não conseguiram manter o nível nem alcançar o ambicionado bicampeonato, sendo que o alemão chegou ao fim da temporada já com a confiança dos adeptos perdida.

    Numa campanha sem um goleador de referência, Ángel Di María e Rafa Silva assumiram-se como as principais figuras da equipa no plano ofensivo, enquanto João Neves foi a grande revelação. Ainda assim, tudo isso se provou insuficiente e a derrota por 5-0 no Dragão, num primeiro dia de março que abriu feridas antigas, apagou parte da crença numa campanha vitoriosa.

    Ataque do Arouca foi destaque da Liga. @Kapta+
    Apesar desse dia infeliz, os dragões tiveram uma campanha infeliz, que justamente terminou bem atrás dos dois rivais na tabela, no que foi o último ano de Conceição no clube. Embora atrás dos dragões na tabela, melhor - em termos de expectativas cumpridas - estiveram SC Braga, com Simon Banza como segundo maior goleador da Liga, e Vitória SC, com Jota Silva em grande plano.

    Rafa Mújica e Cristo González, dupla de espanhóis do ataque goleador do Arouca, foi outro dos fatores marcantes desta temporada que acabou com os lobos a venderem ambos ao Al-Sadd no verão seguinte por uma soma que chegou aos 19 milhões de euros. Costinha (Rio Ave) e Ricardo Velho (Farense) foram outros grandes destaques da Liga.

    A temporada ficou marcada também por uma grande luta pela manutenção. GD Chaves e Vizela foram os primeiros e principais perdedores, caindo de volta ao segundo escalão, sendo que o Portimonense acabou por descer também pela via do playoff, depois de terminar com os mesmos pontos que o Boavista e menos um ponto que Estrela e Estoril. 

    Sporting regressou aos títulos. @Kapta+

    Comentários

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    Motivo:
    joaoluisgouveia 26-11-2025 18:20
    Editado a 2025-11-30 17:05
    Atenção
    Na primeira volta o Sporting perdeu com Benfica e V. Guimarães
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