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Acabou a pausa destinada às seleções nacionais, período em que Portugal garantiu o apuramento para o Mundial 2024, depois de conseguir um recorde de oito vitórias conquistadas de forma consecutiva num apuramento. Nunca a nação valente se tinha apurado tão rapidamente, sem precisar de fazer uso das competências matemáticas em que os portugueses são especialistas reconhecidos.
As competições de clubes regressaram, com a estreia das equipas do principal escalão do futebol português na Taça de Portugal. O atual modelo de sorteio condicionado privilegia a visita das equipas de maior dimensão às equipas de menor cartel que se saúda, uma vez que esta é a oportunidade de algumas localidades receberem jogos em que atuam as principais equipas. A este propósito, lamento que várias vezes as equipas pequenas mudem de recinto na receção aos seus adversários de maior poderio, quer seja por opção ou por imposição. Esta situação deve ser revista com urgência, uma vez que a deslocalização de jogos retira um lado belo da prova rainha.
O SC Braga deslocou-se ao reduto do Rebordosa, que viveu um dia inesquecível com a visita de tão ilustre visitante. A curta distância entre as duas localidades, aliada à prática de preços acessíveis à carteira da maioria dos portugueses, proporcionou uma boa deslocação colorida de vermelho e branco a um estádio com uma boa capacidade, se atendermos que o clube disputa o quarto escalão do futebol português. Prevendo uma intensidade competitiva apertada nos próximos tempos e confiando na qualidade do plantel à sua disposição, Artur Jorge elegeu um onze com diversas alterações, premiando alguns atletas com empenho elevado no trabalho, apesar de uma menor utilização do que são as suas reais expectativas regulares.
O resultado foi o desejado e previsível, tendo em conta o histórico do clube contra equipas de divisões inferiores, tendo ficado carimbada a passagem. Apesar disto, o ritmo de jogo apresentado foi baixo, sendo também limitado pelo efeito das condições climatéricas no terreno de jogo.
O próximo jogo bracarense é para a Champions League, já na próxima terça-feira, com a Pedreira a engalanar-se para uma Real visita proveniente de Madrid. Os merengues são o clube mais titulado na competição, com uma distância considerável para os restantes rivais ao longo da história, pelo que não espanta a procura do bilhete milagroso que permitisse a entrada neste encontro histórico para o SC Braga e que a lotação permitida no estádio para este encontro esgotasse mais de uma semana antes da partida.
Os adeptos braguistas que vão ver a visita do Real Madrid têm uma oportunidade de desfrutar de um dia que ficará, por certo, para a história centenária dos Gverreiros do Minho. Em relação à equipa, o céu é o limite de um sonho que pode acontecer, uma vez que num contexto destes há muito mais a ganhar do que a perder. Que os artistas brácaros saibam aproveitar bem a montra para mostrar a sua qualidade, sem abusos que levem a uma razia do plantel nos tempos vindouros. É claro que existe vontade do grupo de trabalho de crescer com estes adversários de um poderio superior, ainda que exista a consciência das dificuldades imensas que irão surgir.
Em poucos dias o SC Braga passa de ilustre visitante a Rebordosa a anfitrião de um colosso do futebol mundial, em duas competições tão distintas, o que mexe certamente com o aspeto mental dos jogadores, por certo ansiosos de ver a bola rolar no tapete verde da Pedreira. O momento é ímpar e que todos saibam dele tirar o devido proveito.