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É um problema velho, muito velho, mas que, ciclicamente, se repete de cada vez que o Vitória tem a «ousadia» de vencer jogos que para alguns estava
destinado a perder.
E nesses alguns estão, não só os dirigentes do clube perdedor, mas também a nada isenta comunicação social portuguesa, na sua quase totalidade, que, nessas alturas, se torna uma caixa de ressonância da azia de quem perdeu. Neste último Vitória - Sporting isso voltou a suceder. Num jogo em que, se há quem tenha razão de queixa da arbitragem é o Vitória, assistiu-se a uma autêntica barragem de mentiras e deturpações com origem no clube leonino e que foram prontamente seguidas por quase toda a comunicação social.
Desde o Doutor Varandas, que, noutras ocasiões em que tinha razão para falar, ficou calado talvez pelo receio ao então adversário, até ao treinador que entende que, quando há situações de arruaça provocadas pelos seus jogadores, toda a equipa deve ir de arrasto para participar naquilo que é realmente um belo «exemplo» de desportivismo e fair-play. Foi um forrobodó para os comentadores televisivos, pseudo-analistas de arbitragem, cartilheiros leoninos, perante o consentimento de jornalistas amestrados, que prontamente seguiram crucificando o árbitro (a quem chamam jocosamente Pinheiro de Natal como se por acaso as prendas não tivessem ido todas para o Sporting) e passando para a opinião pública a mensagem de que o Sporting perdera por causa da arbitragem.
O que é mentira!
Mentira!
Perdeu porque o Vitória foi melhor e se esses micos de circo estivessem mais preocupados em analisar o jogo como um todo, em vez de dissertarem sobre as tácticas de Amorim, as substituições de Amorim, as exibições de Adam e companheiros, os problemas e erros do Sporting e as declarações de Varandas,
teriam visto que Álvaro Pacheco venceu o duelo de treinadores, que Tomás Handel reinou no meio campo, que Borevkovic, Jorge Fernandes e Tomás
Ribeiro meteram no bolso Gyokeres, Paulinho, Trincão e quem mais lhes apareceu, e que André Silva fez uma soberba exibição, infernizando a noite aos
defesas do Sporting numa equipa que esteve toda ela bem.
Mas não viram porque, para essa gente, quando há um resultado como este, é sempre o «chamado» grande que perde e nunca o outro clube que ganha.
E, por isso, as desculpas de maus perdedores de Varandas & Cia são por eles tomadas como a explicação real do que sucedeu quando em boa verdade não foi nada disso.
Arbitragem? Vamos a isso.
Penálti por marcar sobre André Silva.
Primeiro golo do Sporting nasce de falta inexistente assinalada pelo quarto árbitro, numa altura em que o Vitória já saía para o ataque e o árbitro nada
marcara.
No golo, há uma carga de Morita sobre Miguel Maga que não é assinalada. Ricardo Esgaio, quando viu o amarelo, já devia estar na rua porque já tinha feito
faltas suficientes para isso. Por alguma razão, saiu ao intervalo.
No lance do penálti assinalado, as palhaçadas dos jogadores leoninos, com Matheus Reis à cabeça, passaram sem a mais que justa sanção disciplinar, tal como as agressões de Essugo e Luís Neto ao apanha bolas, originando um monumental sururu da total responsabilidade dos jogadores do Sporting, mas
que pelos vistos agradou ao seu treinador.
Finalmente, o penálti assinalado sobre Ricardo Mangas.
É penálti e há imagens que mostram o toque do guarda-redes no jogador do Vitória. Aceito que é lance de difícil análise, mas tanto o é para marcar, como
para não marcar, sendo certo que, se a jogada fosse na outra área, nem assunto era para os que agora o debatem até à exaustão de quem os ouve.
Em suma, o Sporting, e por tabela quem embarca no baba e ranho dos seus responsáveis, não tem nenhuma razão nas queixas.
Mas então, perguntará quem leu até aqui, qual é o velho problema?
Para lá do cíclico favorecimento aos chamados «grandes».
O velho problema é que jornalistas, comentadores nada isentos, analistas de arbitragem com palas na sua maioria e cartilheiros dos três clubes dizem o que
querem e lhes apetece sem qualquer contraditório e sem que o clube acusado de ser favorecido (até dá vontade de rir, mas enfim...) possa exercer o
contraditório a que evidentemente devia ter direito.
Porque, dando de barato que nos programas de esterco que semanalmente emitem, não sobre futebol mas sobre o futebol desses três, não tenham
assento comentadores de outros clubes, dentro da lógica parola e de vassalagem aos três que desde sempre existe, é completamente inaceitável
que depois de um jogo destes não seja dado ao Vitória (ou a qualquer outro clube em idênticas circunstâncias) a possibilidade de defender a sua verdade.
Que não vale menos que a verdade do oponente.
E mais inaceitável é quando se trata do pseudo-serviço publico de televisão (RTP) ou de um canal que tem como fornecedores de conteúdos todos os
clubes que disputam a primeira divisão, com a excepção que se sabe, e que por isso devia trata-los a todos com o devido respeito como é o caso da cada
vez mais parcial Sport TV, cujos comentadores, na esmagadora maioria, são adeptos dos três clubes que se sabe e repercutem isso nos comentários e
análises aos jogos.
Esse é o velho problema.
O problema da falta de isenção, de equidade, de respeito pelo futebol. Que em momentos como este potencia a indignação de todos quantos não se
sentem na obrigação de serem adeptos dos chamados «grandes».
Em tempo: mesmo falando em causa própria há que realçar cada vez mais o zerozero que dá um espaço semanal de comentário a adeptos do Vitória,
Braga e Boavista. É a saudável excepção que confirma a regra abominável de para a restante comunicação social haver três clubes e depois, muito depois, os outros.