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    2023/11/14
    E4
    A Tasca do Silva é o espaço de opinião sobre e à volta do FCP, dinamizado por Paulo Silva, um dos podcasters responsáveis por A Culpa é do Cavani, o podcast de referência do universo portista.

    1. Anjos e Demónios

    O FCP ganhou em Guimarães, a uma boa equipa que parece, por fim, bem orientada. Veremos se os resultados acompanham esta expetativa, mas a matéria-prima está claramente lá e os sinais são animadores. Vai daí, bela e muito importante vitória que nos permitiu assistir de cadeirinha ao derby da Segunda Circular. 

    Ao contrário do que fui lendo e ouvindo, não acho que o FCP tenha entrado mal na partida. Gosto do desenho que o treinador imaginou, exceção feita à tendência centralista do Pêpê que só ajudou a atrapalhar a construção, e creio que a equipa se apresentou pronta a aplicar a estratégia. Aliás, o primeiro lance de golo é mesmo nosso, num belo entendimento do ataque com – rufem tambores, pasmem-se as Almas – remate pronto do ponta de lança.

    Isto de fazermos sempre de conta que quando o adversário não é terraplanado é porque o “pinheiro” jogou pouco é demasiado redutor. O Porto não entrou mal, mas o Vitória entrou ainda melhor. Esse é que é o ponto: mérito dos da casa, muito mais do que demérito dos que estavam de visita. Durante 15 minutos, até ao penalty escusado de João Mário – mais um jogo muito simpático do miúdo – e a uma necessidade um tanto inexplicável de responder depressa, já, com urgência antes que nasça a criança, a coisa foi equilibrada. A partir desse momento, às malvas o equilíbrio, a nós as falhas individuais que abriram avenidas até à baliza de São Diogo. Em resumo, mais do que do sistema, sofremos é da cabeça.

    Creio que não vale a pena repisar a exibição superlativa de um dos melhores guarda-redes do Mundo, pelo que retenhamos um detalhe: entre o golo de penalty – que São Diogo defendeu uma vez e meia – e o empate caído na cabeça mais improvável do Minho e do Universo conhecido, o Vitória, a reboque de disparates consecutivos dos nossos, podia ter resolvido o jogo em transições rápidas. Fê-lo bem, com Jota em destaque, de forma harmoniosa, objetiva e concluindo cada uma dessas jogadas com aquela tecnologia nova que agora anda para aí: o remate.

    Entre o golo da vitória, saído dos pés milagrosos de São Francisco, e o final da partida, o FCP beneficiou de um número muito semelhante de transições rápidas para resolver o jogo. E falhou em todas. Porque o passe era comprido demais, curto de mais, demasiado forte ou tão fraquinho que parava a jogada. Ou não se treina, o que seria muito preocupante e estranho, até porque esta já foi uma arma poderosíssima do FCP de Conceição; ou então, e estou a apostar nesta alternativa, são aquelas cabeçorras que estão todas atrofiadas. Venha de lá a (yet another) paragem do campeonato, a ver se estabiliza o 4-3-3 – vamos acreditar no processo, ok mister? – e se arranjam forma de limpar o sótão.

    2. Bem-vindos a 1989

    Decorreu uma AG. Depois de termos visto cadeiras pelo ar, adeptos agarrados pelo pescoço e presidentes destituídos, tivemos agora o sócio arrastado para fora do recinto para não apanhar mais nas trombas. Eu até queria escrever que ninguém se pode rir, mas o que quero mesmo é chorar. Porque agora tocou aos meus. Daí a vir manifestar a minha surpresa indignada é que vai uma grande distância. A mesma que vai da honestidade brutal à hipocrisia. Eu explico:

    O FCP marcou uma AG para um local onde cabiam cerca de 10 vezes as pessoas que costumam comparecer a estes atos do clube, perdoem o exagero. Com a repercussão que os temas em discussão tiveram, era claro que, desta vez, não caberiam os sócios nesse recinto, pelo que bastaria ter, em tempo útil, mudado de local. Mas não, a esperança é sempre a última a morrer e deixa lá ver se a malta não acaba por se ir embora e fazemos isto com, vá lá, 380 Super Sócios e uns dez papalvos. Não aconteceu e viram-se obrigados, em cima do joelho, a suspender a AG. Pronto, assunto resolvido, passa-se isto para uma data e local adequados, certo? Nem pensar, como assim? Então se estamos em 1989 e podemos fazer o que bem nos apetecer? Afinal de quem é isto, nosso ou destes amigos que estão aqui a fazer filinha até à VCI? Eles já se cansam.

    Não tendo as pessoas, chatas do caraças, ficado convencidas a irem para suas casas, passa-se ao discurso do Presidente que, já agora, está contra praticamente tudo o que vem proposto. Admira-me é não ter sido agredido, mas talvez ainda não tivesse entrado a Brigada de Limpeza. Enquanto isso, boa parte do povo continua lá fora. Depois foram as cenas tristes que todos já vimos e, das redes sociais, veio o clamor: ISTO NÃO É O PORTO.

    3. Não tinha de ser assim

    Lamento, caros amigos, mas é, sim senhor. E nenhum de nós, exceto os que não forem do Porto, já se vê, está isento de culpa. Nem mesmo o Cavani. Por omissão, desinteresse, esquecimento, seja pelo que for, o facto é que se o Porto somos nós em Viena, em Gelsenkirchen, em Sevilha, nas luzes apagadas e na rega do Campo do Colombo, nos joelhos de Jesus, então também somos nós no Dragão Caixa, ontem à noite. Podemos é não querer sê-lo mais, mas isso será uma luta difícil, provavelmente longa e que não se faz com um ruído de rede social. Apesar de ajudar porque já não é…1989.

    O facto é que esta AG não teve ingredientes assim tão diferentes de muitas outras. Teve foi mais gente e, por isso, mais câmaras, mais micros, mais telefones. De resto, o mito com que eu e muitos outros, na era gloriosa dos blogues, tantas vezes fomos brindados (se queres criticar, vai à Assembleia, vamos discutir dentro de casa, seu traidor, ainda te vamos é pichar um muro) só servia de carapuça a quem queria muito permanecer de olhos fechados. E é por isso que não tive ontem nenhuma surpresa indignada. Só uma esperança frustrada. Esperei que, apesar de todos os sinais, não acontecesse assim. Como quem espera, depois do apito, que apareça alguém e diga que era a brincar e que o FCP não perdeu.

    Pinto da Costa é o maior presidente da história do futebol mundial. Isso perdurará. E também perdurará a imagem de uma Direção inteira, sentados nas suas cadeiras, serenos e impávidos, parados no tempo, a verem sócios serem espancados e expulsos da sua própria casa. Essa, Jorge Nuno, a dor que ficará presente, o fantasma que viverá ali, basta atravessar a rua, lado a lado com as orelhudas, com as Intercontinentais, com o Kelvin, contigo. E foi pena, não tinha de ser assim.

    Comentários

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    Motivo:
    CO
    ColorBlue 17-11-2023 22:53
    EspecialistaDaB ola
    Ora nem mais. Isso é que é triste. Já aqui havia dito há anos e fui ridicularizado por alguns, que por este andar da carruagem, quem viesse a seguir, provavelmente já não vinha a tempo.

    E vai ser uma triste realidade a continuar neste prenûncio.
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    CO
    ColorBlue 17-11-2023 22:51
    Boblawblob
    Claramente leste na diagonal.
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    Boblawblob 17-11-2023 19:25
    Isto não é Porto.
    Meu caro, a história recente, (o Reinado se Sua Eminência PdC) do Porto foi criada pela corrupção, violência e coacção. Quando era com os outros era engraçado. Era o "Somos Porto". Agora envergonha porque se virou para dentro. Já é o "Isto não é o Porto". É sim senhor. Só vocês não viam. Ou não queriam saber. Mas continue no seu mundo de negação. É um direito seu.
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    EspecialistaDaBola 15-11-2023 01:05
    1982
    Não é 1989, caro. Pinto da Costa está a levar o clube de volta a 1982. . Falido, a perder em casa com o Estoril, e em pé de guerra. Como quem diz: "entrego o clube como o encontrei"
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