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    António Costa
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    O sítio dos Gverreiros
    António Costa

    Parar e refletir

    2024/10/12
    E0
    "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

    O último artigo espelhava alguma desilusão, em função da fraca prestação do SC Braga em Atenas, frente ao Olympiacos. Foi, de facto, uma exibição nada conseguida, onde os erros individuais se sobrepuseram ao labor do coletivo, que começaram sobre o intervalo, quando nada o fazia prever. Para trás ficava uma derrota por três golos sem resposta, que em nada se coaduna com os valores de cada uma das equipas, pois os bracarenses valem claramente mais do que mostraram em terras helénicas. O novo modelo de competição da fase regular da Liga Europa indica que este duelo não se repete nesta etapa, ainda que desse vontade de acolher os gregos na Pedreira para tentar corrigir aquela fotografia tão tremida que ficou nos registos. O fator mais positivo desse duelo é que o resultado nada determinou, a não ser o aparecimento de uma mancha de dúvida evitável que ficou a
    pairar sobre a equipa arsenalista.

    O regresso a Portugal obrigava a parar e refletir sobre o que se passara na Grécia, pois de uma coisa daquelas não se recomenda a repetição. O jogo seguinte acontecia no Dragão, onde, por norma, os adversários sentem muitas dificuldades em função da fortaleza em que os portistas transformam o seu
    estádio. Estava criado um cenário nada propício para a recuperação do brilho perdido em Atenas, pois o FC Porto a nível interno só não venceu um encontro, ainda que as exibições estejam distantes do fulgor de outros tempos, como se espelha na reação negativa das bancadas às incidências de uma
    partida em alguns momentos, tal como se observou frente aos brácaros.

    O SC Braga entrou mal no Dragão, tal como sucedera na Grécia e foi crescendo ao longo do tempo, equilibrando o duelo por volta da meia hora, mas voltando a cometer um erro individual sobre o intervalo, numa repetição do ato grego antes verificado, que foi transformado em grande penalidade
    bem à maneira “tuga”. É um daqueles lances em que nos estádios portugueses se assinalam em função da equipa que dele beneficia, mas que a nível internacional nenhuma arbitragem sanciona, criando maus hábitos a nível interno, sempre para os mesmos emblemas. Em boa verdade, João Ferreira pôs-
    se a jeito, uma vez que deveria saber que uma imprudência daquelas, com Galeno envolvido, não passa despercebida a João Pinheiro, num contexto deste tipo.

    Ao intervalo a Legião braguista voltava a ter a mesma sensação com que terminou aquela tragédia grega, já detalhada. O segundo tempo agradou sobremaneira aos braguistas que estavam no Dragão, como se pôde ver no incrível apoio prestado ao longo de todo o tempo, independentemente do
    resultado que se registava. Os meus parabéns àquela bancada que ficou triste com o resultado merecido, mas satisfeita com os sinais dados pela equipa, que levaram o desconforto ao Porto em diversas ocasiões, pelo que no final o tributo aos jogadores foi merecido, havendo apenas a lamentar a
    ineficácia que impediu um desfecho substancialmente diferente. 

    O futebol português mantém vícios antigos que impedem o seu desenvolvimento, como as arbitragens tendenciosas, sempre a favor dos mesmos, que depois se refletem quando, a nível internacional, essa proteção arbitral não existe. Não podia deixar de sublinhar, como fator de cobardia, a poupança do
    segundo cartão amarelo ao portista João Mário, por mais que uma vez, que levou o seu treinador a seguir a “recomendação” do juiz da partida para o substituir ao intervalo. Nunca saberemos, mas o guião do jogo poderia ter sido, certamente, outro se o árbitro tivesse feito o que lhe competia. São os
    velhos vícios referidos, que perduram no tempo em Portugal.

    Este fim de semana não há competições dos principais clubes, por causa da paragem destinada às seleções, com Portugal a ter dois jogos fora de portas, frente à Polónia e Escócia, que podem ditar o apuramento luso, esperado por todos sem grandes surpresas. Veremos se a Nação Valente é capaz de
    mostrar em campo a sua teórica superioridade. Que o hino da portuguesa inspire a sua seleção principal, de modo a que ela consiga desde já o apuramento, tal como conseguiu a equipa de Sub-21, ao vencer as Ilhas Faroé, também fora do país.

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