solverde
    José Pedro Pais
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    O meu mundo aos quadrados
    José Pedro Pais

    O rolo compressor

    2019/12/07
    "O meu mundo aos quadrados” é uma coluna de opinião que pretende fugir ao império comunicacional dos três grandes, sob a perspetiva de um adepto do futebol pela positiva, profissional e transparente, que por acaso é boavisteiro.
    Não vou fazer qualquer análise subjetiva ao jogo de ontem. Sobre isso já foram escritos centenas de artigos e estão a ser televisionadas centenas de horas de debates. 
    A minha crónica de hoje é apenas sobre o lance do segundo golo do jogo de ontem. 
    Bem sei que provavelmente o Boavista acabaria por perder o jogo na mesma, mas essa não é a questão. O objetivo desta crónica não é reindivicar o ponto potencialmente perdido, mas sim fazer uma reflexão sobre o que conduziu àquele (e a tantos outros) flagrante erro de arbitragem.
     É um facto que o segundo golo do Benfica - o golo “saca-rolhas” - resulta de um gravíssimo erro da equipa de arbitragem, incompreensivelmente subscrito pelo VAR. 
    Sejamos claros: não se trata de um lance de análise subjetiva, de intensidade ou de centímetros. Trata-se de uma falta evidente que seria imediatamente assinalada caso dela não tivesse resultado um golo para o Benfica. 
    Não estou com isto a dizer que o árbitro Jorge Sousa - que btw acho um péssimo árbitro - estivesse comprado ou coagido a interceder em nosso prejuízo ou em benefício do Benfica, de todo. 
    Acredito sim que o que levou a esta decisão - e a tantas outras em favor dos mesmos clubes a cada jornada - foi o verdadeiro problema do futebol português: o rolo compressor montado pela oligarquia dominante (Porto, Benfica e Sporting) constituído pelo poder exercido sobre os meios de comunicação social, sistema financeiro, governo(s) e autarquias. 
    Digo-o sem qualquer reserva: o que levou Jorge Sousa e o VAR a não assinalarem aquela falta foi o receio de serem esmagados por este rolo compressor nas semanas que se seguem.
     A verdade é que é muito mais fácil aos árbitros beneficiarem estas três equipas do que prejudicá-las, até porque o benefício já é encarado com “normalidade” tendo em conta a força relativizadora dos adeptos da equipa beneficiada. 
    A responsabilidade de quem é afinal? 
    1. A principal responsabilidade é, claro está, das direções do Porto e Benfica (e Sporting no passado), que tudo fizeram para moldar o sistema à medida das suas necessidades, e que apenas discutem - ruidosamente - a forma de o inquinar mais a seu favor. 
    2. Das direções dos restantes clubes (G15) que se têm revelado incompetentes na defesa dos superiores interesses colectivos em detrimento do interesse individual imediato. 
    3. Da Liga, que não tem sido capaz de agregar os interesses da maioria dos clubes, assim como não tem sido capaz de denunciar e condenar alguns comportamentos estranhos entre clubes. 
    4. Das CDs da Liga e da FPF que continuam a ser a vergonha do futebol português, pela forma discricionária como aplicam - e a quem aplicam - as suas sanções. 
    5. Do(s) sucessivos Governo(s), que cobardemente persistem na desvalorização do futebol em Portugal, e mais especificamente do seu papel enquanto regulador através da Secretaria de Estado do Desporto (e do IPDJ sob a sua égide), e que continuam a avalizar mecanismos extraordinários de regulação de dívidas ao Porto, Benfica e Sporting, em bancos intervencionados.
     6. Da hipocrisia dos governantes, que continuam a sentar-se ao lado daqueles que, comprovadamente, já prejudicaram os interesses do Estado em centenas de milhões de euros, como se nada fosse. 
    7. Dos meios de comunicação social falidos, que se prostituem diariamente na guerra de audiências, afunilando a agenda sobre apenas três clubes e, dessa forma, desvirtuando o natural desenvolvimento da base de apoio dos restantes clubes em Portugal. 
    8. Das autarquias, incapazes de trabalharem com os clubes de forma a promoverem efetivamente a ligação dos seus munícipes aos clubes, como alternativa ao esquema habitual de investimento em infraestruturas (às custas do erário público). 
    No fundo, a responsabilidade acaba por ser de todos nós que assistimos, impávidos e serenos, semana após semana, a este triste espetáculo que é o futebol português sem nada fazermos. 
    Todos nós somos atropelados por este rolo compressor.

    Não vou fazer qualquer análise subjetiva ao jogo de ontem. Sobre isso já foram escritos centenas de artigos e estão a ser televisionadas centenas de horas de debates.

    A minha crónica de hoje é apenas sobre o lance do segundo golo do jogo de ontem.

    Bem sei que provavelmente o Boavista acabaria por perder o jogo na mesma, mas essa não é a questão. O objetivo desta crónica não é reindivicar o ponto potencialmente perdido, mas sim fazer uma reflexão sobre o que conduziu àquele (e a tantos outros) flagrante erro de arbitragem.

     É um facto que o segundo golo do Benfica - o golo “saca-rolhas” - resulta de um gravíssimo erro da equipa de arbitragem, incompreensivelmente subscrito pelo VAR.

    Sejamos claros: não se trata de um lance de análise subjetiva, de intensidade ou de centímetros. Trata-se de uma falta evidente que seria imediatamente assinalada caso dela não tivesse resultado um golo para o Benfica.

    Não estou com isto a dizer que o árbitro Jorge Sousa - que btw acho um péssimo árbitro - estivesse comprado ou coagido a interceder em nosso prejuízo ou em benefício do Benfica, de todo.

    Acredito sim que o que levou a esta decisão - e a tantas outras em favor dos mesmos clubes a cada jornada - foi o verdadeiro problema do futebol português: o rolo compressor montado pela oligarquia dominante (Porto, Benfica e Sporting) constituído pelo poder exercido sobre os meios de comunicação social, sistema financeiro, governo(s) e autarquias.

    Digo-o sem qualquer reserva: o que levou Jorge Sousa e o VAR a não assinalarem aquela falta foi o receio de serem esmagados por este rolo compressor nas semanas que se seguem.

     A verdade é que é muito mais fácil aos árbitros beneficiarem estas três equipas do que prejudicá-las, até porque o benefício já é encarado com “normalidade” tendo em conta a força relativizadora dos adeptos da equipa beneficiada.

    A responsabilidade de quem é afinal?

    1. A principal responsabilidade é, claro está, das direções do Porto e Benfica (e Sporting no passado), que tudo fizeram para moldar o sistema à medida das suas necessidades, e que apenas discutem - ruidosamente - a forma de o inquinar mais a seu favor.

    2. Das direções dos restantes clubes (G15) que se têm revelado incompetentes na defesa dos superiores interesses colectivos em detrimento do interesse individual imediato.

    3. Da Liga, que não tem sido capaz de agregar os interesses da maioria dos clubes, assim como não tem sido capaz de denunciar e condenar alguns comportamentos estranhos entre clubes.

    4. Das CDs da Liga e da FPF que continuam a ser a vergonha do futebol português, pela forma discricionária como aplicam - e a quem aplicam - as suas sanções.

    5. Do(s) sucessivos Governo(s), que cobardemente persistem na desvalorização do futebol em Portugal, e mais especificamente do seu papel enquanto regulador através da Secretaria de Estado do Desporto (e do IPDJ sob a sua égide), e que continuam a avalizar mecanismos extraordinários de regulação de dívidas ao Porto, Benfica e Sporting, em bancos intervencionados.

     6. Da hipocrisia dos governantes, que continuam a sentar-se ao lado daqueles que, comprovadamente, já prejudicaram os interesses do Estado em centenas de milhões de euros, como se nada fosse.

    7. Dos meios de comunicação social falidos, que se prostituem diariamente na guerra de audiências, afunilando a agenda sobre apenas três clubes e, dessa forma, desvirtuando o natural desenvolvimento da base de apoio dos restantes clubes em Portugal.

    8. Das autarquias, incapazes de trabalharem com os clubes de forma a promoverem efetivamente a ligação dos seus munícipes aos clubes, como alternativa ao esquema habitual de investimento em infraestruturas (às custas do erário público).

    No fundo, a responsabilidade acaba por ser de todos nós que assistimos, impávidos e serenos, semana após semana, a este triste espetáculo que é o futebol português sem nada fazermos.

    Todos nós somos atropelados por este rolo compressor.

    Comentários

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    Motivo:
    TM
    TMCosta1982 11-12-2019 17:51
    Editado a 2021-08-16 00:00
    helder2002
    Eles não perceberam minimamente onde o senhor comentador queria chegar LOL enfim, é mesmo isto. . .
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    El-Mago-10 09-12-2019 10:49
    Editado a 2021-04-26 00:00
    virose_pt
    A tecnologia do fora de jogo é infalível. . . não depende do ponto onde a imagem é parada, ou seja, mais um décimo de segundo, menos um décimo de segundo não fazem diferença nenhuma. . .
    É curioso que a Sport TV mostrou 20 repetições do segundo golo do Benfica, mas do golo anulado só me lembro de duas repetições (e só isto é significativo para acreditar que Pizzi não estava em fora de jogo. . . ), sendo que na primeira repetição reparei que a bola já estava no a...
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    virose_pt 08-12-2019 17:59
    Editado a 2021-04-26 00:00
    grunhos
    O rolo compressor é isto: a tecnologia do fora de jogo mostra que o golo foi bem anulado mas os grunhos metem na cabeça e repetem até á exaustão que o golo foi mal anulado. O nível é este. Quanto ao segundo golo, todos os jornais de sábado e seus comentadores de arbitragem disseram que era falta. Tanta unanimidade deve fazer confusão na cabeça dos grunhos.
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    JC
    JCCortez 08-12-2019 16:43
    Editado a 2021-04-26 00:00
    E o Baile?
    Aposto que se fosse ao contrário, a mesma jogada mas na baliza do SLB com golo do Boavista, a jogada era "limpinha, limpinha" e o recurso ao VAR, uma pura perda de tempo. É assim que se mostra a cor da camisola. Tudo bem o futebol é isso mesmo. Mas vir escrever uma crónica que mais não é que atirar poeira para os olhos e falar de tudo menos do baile que o Boavista levou . . .
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    El-Mago-10 08-12-2019 01:07
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Tem razão. . .
    Foi um rolo compressor do Benfica sobre o Boavista em todos os aspetos. O rolo compressor fez 5 golos, dominou o jogo todo, mesmo sendo constantemente prejudicado pela arbitragem, desde a invalidação de um golo, paragens de jogo em posse de bola, penálti transformado em amarelo, vermelho transformado em amarelo, cotoveladas perdoadas, sucessão de faltas com perdão de amarelos. O Boavista foi anti-futebol, defendendo com 10 jogadores mesmo a jogar em casa. Tudo fizeram para trava...
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    Torinha 08-12-2019 00:06
    Editado a 2021-04-26 00:00
    marcelinoSF
    O cunho do Lito no VFC era jogar com 2 trincos, não com 3 centrais. Propagou-se um pouco essa ideia depois do jogo no Bonfim com o FCP. Mas um dos centrais, penso que foi o Dankler, foi adaptado a trinco, porque o Mikel Agu era emprestado pelo Porto e não podia fazer a habitual dupla com o Semedo nesse jogo.
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    HE
    helder2002 07-12-2019 23:22
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Sou o unico
    Pelos vistos sou o unico a subscrever na integra o artigo de opinião. O que se vê nos comentários abaixo só lhe dão ainda mais razão. Para reflexão do verdadeiro adepto de futebol enquanto desporto e não "religião" que alguns seguem de forma cega e porventura só seguindo a sua dita "religião" pela televisão com a ajuda com acólitos do costume.
    Quem perde é o futebol português! Não conseguir ver isso de longe é triste. . . .
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    dgc98 07-12-2019 22:01
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Já agora
    Referir apenas que enquanto me lembrar do nome deste cronista não irei ler mais nenhuma destas "opiniões", uma vez que para textos destes basta me a secção dos comentários onde ao menos é possível debater com quem escreve a opinião.
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    dgc98 07-12-2019 21:57
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Vergonhoso
    Esta crónica parece me feita apenas com o intuito de tecer críticas ao árbitro e aos 3 grandes e sem nenhuma vontade de dar a "perspetiva de um adepto do futebol pela positiva" como o próprio se caracteriza.

    Para além disso a crónica em si está deveras mal redigida uma vez que é elaborada tendo por base um lance que se assume ter sido mal decidido pelo árbitro, algo que não é muito discutível e por isso nunca poderá servir de base para uma crónica destas.
    "...
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    nextstep 07-12-2019 21:33
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Preocupante
    É deveras preocupante que alguém com possibilidade de escrever uma coluna venha aqui escrever o que escreve este senhor. É que árbitros têm fracções de segundo para decidir e VAR segundos ou poucos minutos. este senhor teve o tempo todo do mundo para ver as imagens e comprovar que oque diz é uma completa mentira. E depois traça uma série de considereções caluniosas e falsas acerca de um conjunto depessoas e entidades com uma falsa moralidade e superioridade que manifestamente lhe fa...
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    marcelinoSF 07-12-2019 19:11
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Boaviscalimeros
    essa teoria da conspiração dizendo que o Boavista é maltratado pela arbitragem, enfim. . .
    Boavista /SCP: o Axadrezados não se fartaram de dar porrada à Bruno Fernandes, e por fim o capitão dos Leões foi expulso.
    Boavista/FCP: o Axadrezados jogaram uma miséria, com mais esforço o FCP goleava
    Boavista/SLB: os Axadrezados tiveram a sorte por não acabar com 9 em campo.

    Como treinador, o Vidigal é uma nódoa. Perguntem aos adeptos do Aves, Vit�...
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    marcelinoSF 07-12-2019 18:54
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Chama_Gloriosa
    e não foi só uma:
    também Ricardo Costa dá uma cotovelada acertada no rosto de Vinícius, e atira-se pro chão, o árbitro aipta falta contra Vinícius. era (mais) um caso de VAR-expulsão
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    DA
    Darth_Kenobi 07-12-2019 18:46
    Editado a 2021-08-16 00:00
    Que loucura
    Que loucura, é só teorias da conspiração. O Boavista tem sorte em ter estado empatado tanto tempo, e deve agradecer ao árbitro por ter interrompido uma jogada de ataque do Benfica, em que um jogador do Boavista faz falta, mas a bola nunca sai da posse do Benfica, e acaba até nos pés do Tomás Tavares, sozinho, e em zona de finalização, à entrada da grande área. Foi o 2º caso mais grave de todo o jogo.

    A seguir, o Boavista pode agradecer ter ficado com 11 em...
    Ler Mais
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    LU
    lumialfe 07-12-2019 18:43
    Editado a 2021-04-26 00:00
    Telhados de vidro
    Lembro-me daquele rolo compressor que era o Boavista quando foi campeão. Nesse ano estamos no auge do apito dourado e os jogos só acabavam quando o Boavista marcava o golito da vitória.
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    Chama_Gloriosa 07-12-2019 18:41
    Editado a 2021-04-26 00:00
    José Pedro Pais
    Não, o 2º golo do Benfica foi bem validado. Cervi antecipa-se a Marlon e desvia a bola para a baliza, ao mesmo tempo Marlon tenta cortar o lance e acaba por atingir o calcanhar de Cervi, não sendo o suficiente para impedir o jogador encarnado de faturar. Se não tivesse sido golo do Benfica, no mínimo teria sido penalty para as Águias.

    Depois, devia também falar do golo mal anulado ao Benfica aos 3 minutos, do penalty perdoado ao Boavista pelo SuperDragão Jorge Sou...
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