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A pausa destinada às competições das diferentes seleções de futebol, por esse mundo fora, permite uma incursão ocasional a uma abordagem fora do âmbito habitual. O tema de hoje é, genericamente, constituído pelo conjunto de preocupações em que está mergulhado o futebol português, com a agravante de nadar muito mal, com todas as consequências inerentes a essa situação. Em boa verdade, as preocupações de que eu falo estão apenas nas pessoas que contribuem para a existência do mundo da bola e raramente ocupam alguma massa pensante naqueles que vivem dele, direta ou indiretamente.
Os adeptos surgem no topo dos que se vão incomodando com o estado lastimável em que se encontra o futebol português. Eles, os adeptos, que gritam, saltam, choram e sorriem com os acontecimentos que este desporto proporciona amiúde, são os que menos proveito tiram do desporto, para além das emoções que vivenciam. Os estádios são, inúmeras vezes, os “locais de culto” onde alguns rezam e outros descarregam as suas frustrações, lavando a alma, numa espécie de catarse que os purifica em cada jogo que assistem ao vivo.
Neste contexto, existem as equipas de futebol que treinam, com uma regularidade impressionante, a melhor forma de enganar os adversários, os árbitros e, pasme-se, os adeptos que estão presentes para, supostamente, verem um espetáculo, que raramente acontece. A formação dos clubes também tem como vetor de obrigatoriedade essa “escola” que os pode conduzir a verdadeiros artistas na forma de enganar. É triste, mas é a realidade, pelo que não admira que os “homens” ali formados fiquem aquém do que seria desejável.
No meio das equipas surgem os árbitros, que são habitualmente os alvos da cólera dos adeptos de futebol e, não raramente, dos intervenientes diretos no jogo, ainda que muitas vezes não exista motivos para isso. Os árbitros, que antes de o serem são meros seres humanos, surgem com um condicionamento absurdo no desenvolvimento da sua função, que já de si é bastante complicada e que se agrava com essa pressão inaceitável que fabrica resultados e que alimenta o sistema instalado.
Neste domínio da arbitragem longe vão os tempos em que o modo de comunicar se resumia ao apito, uma vez que os árbitros hoje surgem em campo em condições de comunicarem com os restantes elementos das equipas constituídas para arbitrar e, nos últimos anos, receberam a tecnologia no auxílio à clareza das suas decisões.
Os mais otimistas pensavam que os erros iam diminuir drasticamente com a ajuda tecnológica, mas rapidamente essa ideia se foi diluindo, uma vez que o fator humano ainda está ainda muito presente nas decisões e, também por isso, os erros graves têm surgido em doses indesejáveis. Claro que têm existido melhorias em muitos lances, com muitos erros corrigidos graças à intervenção do VAR, mas quero acreditar que as melhorias serão mais efetivas à medida que a mão humana diminuir a sua intervenção e esse caminho será, indubitavelmente, percorrido no futuro. Há margem larga para a evolução e aproximação à verdade desportiva, diminuindo a fraude no desporto que faz mover multidões.
Quando houver mais verdade no futebol e forem introduzidas as alterações que tardam em chegar ao futebol português acredito que a competitividade aumentará exponencialmente e as equipas portuguesas tornar-se-ão mais fortes além-fronteiras. Penso que todos os que gostam de futebol querem ver chegar essa fase positiva que eleve a qualidade lusa para um patamar superior. Contudo, é preciso que cada um deixe de olhar apenas para o seu umbigo e seja capaz de contribuir para esse fim, que alguns hipocritamente dizem querer, mas que efetivamente não desejam.
Haja fé, que ela por vezes consegue fazer mudanças que se traduzem em melhorias em qualquer setor das nossas vidas, incluindo no mundo da bola.