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1. Sei o que fizeste o Verão passado
Depois de ter sido inapelavelmente engolido pelo trânsito na rotunda da Boavista, o meu FCP apareceu de fatiota nova na Amoreira. Quer dizer, nova, nova, não era, mas estava toda engomadinha e cheirosa, assim como se lavada com aqueles detergentes que há agora, que parece que chovem flores e aparecem moços que sim senhor em tronco nu. De tal forma nos assentava que a Nemesis de 2024 se transformou num inofensivo canarinho saltitante, visto que saltou borda fora da Taça de Portugal. Sem espinhas.
Depois veio o terceiro Sporting da época, depois do de Lisboa e do de Faro. Confesso que temi um regresso aos tons cinza burocrata e negro depressão, habituado que estou a ver Sérgio Conceição regressar à sua zona de conforto sempre que a coisa ameaça complicar-se. Mas não, nada disso, inspirado pela anterior crónica nesta Tasca, que defendia que ele insistiria até à exaustão no seu modelo esgotado, manteve tudo igual ao Estoril. Como resultado, metemos de maneira muito competente um valoroso adversário no bolso. Menos espampanantes do que na zona fina da capital, mas igualmente eficazes. Certo que Diogo "O Santo" Costa voltou a brilhar, segurando a vantagem, mas a superioridade dos azuis e brancos foi tão vincada que nem um golo nesse lance a abalaria.
Está claro que Sérgio Conceição tem mérito nesta mudança. No entanto, olhando para o plantel que o FCP construiu no Verão, era óbvio que aqui teríamos de chegar. Demorar meia época para concluir o óbvio não será propriamente motivo para lhe atribuir o Nobel da Física. Trata-se de um processo de simplificação, aliás, deixando a cada um aquilo que melhor sabe fazer e, sobretudo, mais gosta de fazer. E isso nota-se tanto na qualidade do futebol como na alegria de quem o pratica. Até nas bolas paradas se vai eliminando a burocracia e, em resultado, olha, golo!
O Porto não está a praticar o melhor futebol de que há memória, mas vimos de tão poucochinho que andamos aqui a esfregar a barriga, quase empanturrados. Mas sempre com o Síndrome Pós-Traumático no vermelho: quando será que vai voltar tudo para trás? A lesão do Evanilson? O regresso de Taremi? Uma birra de SC? Este texto? Uma unha encravada do David Carmo? Deus nos livre e guarde, cruzes canhoto, lagarto, lagarto, lagarto. Lá está, 3 Sportings.
Sobram questões, é certo. Como fazer isto com Toni em vez de Evanilson? Simples, não se faz! Que lógica tem Namaso não ser primeira opção, nesse caso? Não tem. Porquê dispensar Fran em vez de Toni se era para mudar assim? Because, baby. Mas vá, se isto é o trailer do resto da época, não está nada mal. Antes tarde...
2. Manobras na Casa Branca
As we speak, André Villas-Boas apresenta, com alguma pompa, oficialmente a sua candidatura à presidência do FCP. Enquanto proto-candidato, agitou bastante as águas estagnadas da eterna direção do clube e da SAD. Pouco habituados a debaterem ideias e projetos, ainda menos a uma contestação audível e credível, a entourage de Jorge Nuno Pinto da Costa e os seus apoiantes assustaram-se e apressaram-se a tomar de assalto o Mundo Novo. Só que o querem fazer com os métodos e discurso que usam lá no momento em que cristalizaram no tempo. Em consequência, tem sido um sem fim de tiros nos pés. Do outro lado, a tentativa de doutrinação é a mesma, mas feita com maior subtileza e muito mais racionalidade. Ponto para lá.
No entanto, as eleições não se ganham (só) nas bolhas. Depois de confirmada a candidatura de PdC - e arrumada a possibilidade de algum golpe de teatro que isto as sondagens, mesmo as mais subreptícias, não devem enganar - passaremos a uma nova fase do filme. Será chegada a altura do terreno, da rua, dos campos e pavilhões, das casas do clube, das palavras de ordem, do agitar dos fantasmas do costume, da criação da dicotomia gratidão/mudança e, em alguma altura, aposto, das lágrimas. Aqui, Pinto da Costa é peixe na água e não há quem lhe faça sombra, mesmo aos 86 anos. Ponto para cá.
Será também o período em que a relva entrará nas contas e em que o principal trunfo eleitoral de PdC será jogado. O capital de apreço do treinador do FCP depende sempre do momento da equipa, mas o de SC permanece altíssimo e, aparentemente, está prestes a ser reforçado. É, aliás, muito engraçado reparar como os papagaios do lado AVB se esforçam por não beliscar o treinador. O próprio candidato foi o primeiro a levantar a questão da renovação. Ninguém quer ser contra SC, como se não esperassem a sua demissão no mesmo dia em que PdC seja destituído. Por outro lado, Conceição não tem alternativa. Vai e vai entrar na disputa porque qualquer outra posição seria - aqui sim e não no caso de um histórico capitão do FCP - traição. Subirá ao relvado, receberá a sua jarrinha, manifestará a sua fidelidade e, acredito, não deixará grande margem para especulação.
Também há Nuno Lobo, primeiro a apresentar-se e que anunciou já 300 medidas que tomaria. E é isso, obrigado.
Pelo trailer, promete vir a ser uma grande fita, repleta de intriga, ação, mistério, suspense, algum romance e muita, muita comédia.
3. África minha
Começou o CAN 2023. Sim, 2023, não perguntem. Pela primeira vez, 4 seleções de PALOP estão apuradas para a fase final da mais importante competição Continental. Na primeira jornada, Cabo Verde (vitória), Angola e Moçambique (empate) surpreenderam potências candidatas à vitória final e encheram de orgulho as suas nações. Eu bem sei que há Peseiro e Vitória, para além de Pedro Gonçalves por Angola, mas o meu coração vai com os povos meus irmãos. E com o meu, é claro! Kanimambo pela compreensão e força Mambas!
Ainda foi só o trailer, oxalá se confirmem as boas interpretações e, já agora, que a Guiné Bissau encontre também um papel jeitosinho para desempenhar.
Next please.
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