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1. É o critério estúpido, estúpido!
Ui, vocês não estão bem a ver o que eu invetivei a família Pinheiro (é chamar-lhes coisas que Maomé nunca chamou ao toucinho). Mas aí umas 30 gerações deles e dos Soares Dias, chegando mesmo a desejar que um dos primeiros nascesse no esfíncter de um dos segundos. A minha querida mãezinha não se orgulharia do palavreado, soltaria um “tshc”, estalando a língua nos dentes, e condescenderia, revirando os olhos: esse menino, ô nha mãe…
E no entanto, é falta, sim senhor. Raisparta! O amigo Cardoso levanta a perna direita e manda o infiel todo inteiro ao chão. Camisolas trocadas e isto não seria sequer uma questão para qualquer Portista. Perceber isso, agir em conformidade e não ter pejo em verbalizá-lo é o que distingue pessoas como deve de ser – um vosso criado, tenham um ótimo dia – das outras e, gosto eu de acreditar, os nossos dos outros.
Se o demónio carcará sanguinolento prosseguiria equilibrado e cheio de compostura em direção ao Diogo ou se, bola pinchona num repente, hesitaria, daria mais um toque, perderia o segundo que permitiria ao Carmo vir lá do meio ou um Galeno da vida recuperar o atraso; se o Costa sozinho não chegaria para lhe frustrar a malevolência, como chegou em ocasião seguinte; isso já é uma questão de interpretação. Ou seja, uma prerrogativa de Pinheiro e Dias. E isso está errado. Porque o simples facto de a nossa conclusão começar com a palavra “depende” deveria bastar para não haver expulsão. Depende da interpretação, então quer dizer que também pode ser de outra maneira. Logo, não se estraga esta coisa aos 19 minutos.
Ah não! Tripeiro de uma figa, então as regras não se aplicam desde o minuto zero virgula um pintelhímetro? Pois claro que sim, não precisais de rasgar as vossas belas vestes, trapinhos de marca, estou certo, Lacroste, Naike e outras pérolas da Feira de Carcavelos ou do Relógio. Estou completamente de acordo. Quem não esteve foram Pinheiro e Dias que consideraram diferente a sola da bota de Bah da de Eustáquio. Porquê? Porque DEPENDE do critério, estúpido. E iam só nove minutinhos de jogo, vamos agora estragar já isto? Tá tudo certo.
2. É o intervalo, mister!
O plano de Sérgio Conceição para o jogo era muito claro: quero cá saber de toquinhos e passinhos e o catano. É recuperar depressa, o mais à frente possível e disparar para a baliza. Se precisarem de tabelar com alguém, e Deus vos proteja de serem muitas vezes, então usem ali o Mehdi. De resto, é explorar o espaço entre central duro de rins e lateral balanceado para a frente.
Para isso, prescindiu do cérebro e dos pezinhos de oiro de Jaime – confessemos que já haviam de andar a enervar o homem – e apostou na verticalidade em condução do Romário. A ideia não era propriamente andar a circular a bola ou dominar o meio-campo em superioridade numérica. Pelo contrário, o propósito pareceu-me ser encontrar o espaço e o momento para soltar Galeno, Pêpê e Romário, talvez através do ponta de lança metido logo ali nas costas dos médios centro dos Mefistófeles, um raio que os grelhasse. Durou 19 minutos, mais seis no papel, mais 20 na cabeça da malta.
O intervalo iria servir para acertar as pontas soltas, insuflar ânimo, trocar as peças que já não faziam sentido e entregar, numa bandeja flamejante de raça de Dragão, o novo e brilhante plano que nos resgataria da injustiça, rumo à glória merecida. Ou então não e ficou tudo na mesma.
Enquanto o jogo corresse para o seu final e a bola não entrasse, o Sérgio estava confiante, aparentemente. Em resultado, nem Jaime para haver quem lançasse com critério e qualidade as setas; nem pernas frescas para combater o inevitável desgaste; nem ideias novas, nem velhas, nem de meia-idade, uma MILF que fosse, nadica. Afinal, quais eram as possibilidades de um mau remate raspar no Wendell e trair o Diogo, se íamos estar 45 minutos a ver o adversário, inteligentemente, rodar a bola e ir apertando as nossas linhas e somando lances de golo? Ora, nenhuma, meus amigos, nenhuma. Quer dizer, depende um bocado da sorte, o que é que uma pessoa pode fazer?
Diga-se que estes lampiões têm uma equipa toda catita que poderia até ter ganho na mesma. Mas aflige-me a inércia, as substituições demasiado tarde com uma equipa a deitar os bofes pela boca, esta falta de rasgo. É uma coisa minha, mas da qual tentarei responsabilizar as famílias Pinheiro e Soares Dias, esses torpes atiradores de isqueiros.
3. É o caminho, malta!
E ele faz-se caminhando. Na quarta, escreve-se uma página nova e nada do que está para trás interessa. Mais um jogo grande que queremos que seja um grande jogo. Acima de tudo que ganhe o FCP. Dá jeito que façamos por isso, porque depende muito de nós, tábem? A bancada, é seguro, não falhará! Vá, ide pra dentro, pensai nisso.
Next, please.
Outros disparates sobre bola, a vida e copos de 3 em http://atascadosilva.blogspot.com/