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    O sítio dos Gverreiros
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    Bicentenário

    2023/12/02
    E0
    "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

    O tema que hoje vos apresento representa um grande motivo de orgulho para mim, neste espaço em que regularmente publico. São duas centenas redondas de vezes em que expresso as minhas opiniões, o que me apraz registar como artigo bicentenário. Ao longo do tempo tenho procurado respeitar a periodicidade de publicação, uma vez que os leitores merecem esse apreço da minha parte. Um bem-haja a todos aqueles que seguem este espaço opinativo.

    O SC Braga teve, a meio da semana que agora termina, o derradeiro jogo da Liga dos Campeões, frente ao Union Berlin. Por agora, a prova milionária despediu-se da Pedreira no que à fase de grupos diz respeito, numa partida em que houve algumas incidências que vale a pena analisar de modo mais detalhado.

    A equipa brácara surgia nesta partida com a vontade de vencer, como acontece regularmente nas diversas competições, pois em Braga já não basta jogar para empatar ou perder por poucos, como em tempos idos dos quais não guardo particulares saudades. Foi com esse intuito que a partida se iniciou, ainda que do lado alemão houvesse um espaço cinzento, criado pela incerteza que trouxe a mudança no comando técnico. O anterior treinador não resistiu a uma série de catorze jogos sem vencer, em competições diferentes, sendo abandonada aquela gratidão ao homem que havia conduzido o conjunto berlinense a um patamar que deixou boquiaberta toda a Alemanha do futebol e levou a um apuramento épico para a mais importante prova da UEFA. Os resultados em futebol são como as ditaduras na política e ditam as suas leis, ainda que elas possam desagradar a muita gente.

    A Pedreira voltou a gritar em uníssono a parte final do hino da Champions League, ainda que a moldura humana tenha ficado distante da lotação esgotada aquando da visita do Real Madrid. A partida decorria com a esperada vocação mais atacante da representação lusa, quando um lance banal no meio campo alemão redundou numa expulsão infantil e justificada de Niakaté, que carece de apoio pedagógico, mesmo que extraordinário, que elimine os erros básicos que por vezes comete e que comprometem a evolução que o seu elevado potencial augura em termos futuros. A jogar com um elemento a menos, houve um período de adaptação ao novo contexto, que os alemães aproveitaram para se adiantar no marcador. Contudo, há um minuto marcante antes do intervalo que merece reflexão, uma vez que o português Diogo Leite evitou o golo bracarense com o braço, num lance que mereceu o protesto geral dos jogadores da casa e que o árbitro francês ignorou, com a inaceitável complacência do VAR. O lance foi tão óbvio que lança suspeitas na forma como a tecnologia não foi capaz de corrigir um erro tão grosseiro, trazendo à memória de todos algumas decisões aberrantes da videoarbitragem em Portugal.

    O intervalo deu nova chance a Artur Jorge para corrigir algumas coisas, que se passaram nesses minutos nefastos para a sua equipa antes do descanso, pelo que os arsenalistas surgiram no segundo tempo quase como se a expulsão não tivesse ocorrido ou, no limite, tivesse acontecido no lado visitante. O empate haveria de surgir cedo por Álvaro Djaló, que voltou a brilhar a nível internacional, aguçando o apetite de clubes europeus mais dotados em termos financeiros. O triunfo não sorriu às cores portuguesas porque a ineficácia fez questão de marcar presença, mesmo que de forma indesejada.

    O futuro do SC Braga vai agora disputar-se em Nápoles, onde o acesso à fase seguinte da liga milionária, exige uma vitória por dois golos de diferença. Se o cenário se afigura complicado, também parecia impensável, no momento do sorteio, que o representante português chegasse à derradeira jornada com chances de apuramento, num grupo que inclui o Nápoles, na qualidade de campeão italiano, e o Real Madrid, que é somente a equipa que mais vezes venceu a competição. Tudo é ainda possível, mas o orgulho braguista tem de ser real em função do bom desempenho verificado, ante adversários de tão elevada qualidade. É neste contexto exigente que o crescimento acontece.

    Agora é hora de virar atenções para a liga portuguesa, na receção ao Estoril, que melhorou bastante com a mudança de treinador e sistema. Espero, sinceramente, que essas melhorias não se notem em Braga e a vitória possa mandar a Legião de sorriso aberto no regresso a casa.

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