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O título do artigo de hoje induz em erro quem pensar que escrevi sobre o monumento francês, que desperta curiosidades planetárias. Factualmente, nada me move contra a cidade de Paris, que aprecio bastante, nem a sua riqueza artística, com uma história que deve honrar o seu povo, mas a minha intenção é relatar a viagem vitoriosa feita a Portimão pelos adeptos braguistas, para mais uma eliminatória da Taça de Portugal.
O jogo no Algarve, a meio da tarde, realizava-se a uma hora muito boa, em comparação com alguns horários impróprios que os portugueses persistem em manter, ainda que isso afaste as pessoas das bancadas, que é o seu lugar natural. Assim, os autocarros que levaram os adeptos nesta longínqua deslocação saíram bem cedo de Braga, com os seus ocupantes carregados de esperança num resultado positivo que alegrasse as suas almas, especialmente na viagem de regresso, após o jogo.
Com os adeptos chegados atempadamente ao local do jogo, depois de várias centenas de quilómetros percorridos, com lugar a duas paragens estratégicas para retempero energético e alongamento das pernas, a entrada no estádio foi pacífica e o ambiente reinante era tranquilo, o que se louva nos tempos que correm. Chegava a hora do arranque da partida inserida na prova rainha, onde o SC Braga tem naturais ambições, dado que esta é uma competição muito estimada na Bracara Augusta.
O guião do jogo teve contornos bastante geométricos, que me agradam pelo facto de o tema estar diretamente relacionado comigo. Não há como fugir do assunto. Eu tinha avisado que a recente goleada registada na Pedreira de nada valia neste jogo e que era importante olhar para o que se tinha passado nesse encontro, sem pensar que isso bastava para vencer.
A equipa assim o fez e ao intervalo saía do relvado em vantagem, depois de um golo espetacular obtido por Álvaro Djaló, cujo remate foi feito com o pé direito transformado no compasso que desenhou aquele arco de rara beleza, que indicou o caminho da baliza ao esférico. Parece fácil às vezes, quando as coisas saem como nós queremos. Afinal, as coisas belas podem ser simples.
Os últimos minutos do primeiro tempo levaram o jogo para um lado mais caótico que desagradava a toda a Legião e, especialmente, ao treinador bracarense, que não se traduziram em golo adversário porque o menino checo Lukas Hornicek defendeu a sua baliza como gente grande, mostrando que pode tornar-se numa aposta de futuro encarada com seriedade e otimismo.
A segunda parte começou de forma diabólica para os portimonenses, uma vez quem em poucos minutos o Capitão Ricardo Horta bisou, sublinhando o bom momento que atravessa, sendo que o seu primeiro remate certeiro resultou de um arco involuntário, após um ressalto num adversário. A Geometria por vezes também pode ter dados aleatórios, que não retiram lhe rigor enquanto disciplina.
A finalizar a tarde de goleada surgiu mais um arco bem executado pelo pé esquerdo de Rony Lopes, que parece ter terminado a circunferência que Djaló iniciara com o outro pé. O arco do triunfo foi determinante no resultado, especialmente nos remates feitos a abrir e a fechar a vantagem gorda dos brácaros. O objetivo de seguir em frente estava conseguido e os algarvios reconheceram a superioridade minhota, tendo a saída do estádio sido feita sem demoras, graças ao bom comportamento geral do público, que nem algum excesso belisca de modo significativo.
A viagem de regresso foi feita em ambiente festivo, com algumas almas a serem capazes de animarem todo o percurso de regresso, com cânticos variados a mostrarem o lado colaborativo nessa tarefa de mostrar alegria pelo bom desempenho dos Gverreiros do Minho, de onde sobressaiu o “jovem” João Moutinho, cujo bom desempenho foi aplaudido pelos seus adeptos e pelos algarvios, de onde é natural. É uma honra ver este “menino” servir com esta qualidade o SC Braga. Parabéns, “miúdo”.
Uma nota final para uma rápida visita a Fátima do autocarro que me transportava, mostrando que a fé vai muito para além do racional. Foi um curto, mas sentido, momento de oração e agradecimento pelo que a vida nos proporciona, sempre na medida da crença de cada um.