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    António Costa
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    O sítio dos Gverreiros
    António Costa

    Acabar bem e acabar mal

    2025/04/27
    E0
    "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

    O futebol feminino do SC Braga está de parabéns, porque a sua equipa de Sub-19 sagrou-se campeã nacional. À entrada para a derradeira jornada, as jovens gverreiras dependiam apenas de si para vencer a competição, bastando um mero triunfo na receção ao Sporting CP. A tarde de sábado terminaria com sorrisos largos de todo o grupo de trabalho, uma vez que a goleada aplicada às leoas (6-0) dissipou todas as dúvidas e acrescentou o troféu ao museu brácaro. As minhas felicitações a todo o grupo de trabalho pelo título conquistado, com este escalão a acabar bem uma grande época realizada, que pode ser inspiradora para a equipa principal no que ainda resta para disputar.

    Ainda na vertente feminina, o SC Braga vai tentar inverter um resultado desnivelado de 3-0, com que foi vergado na primeira mão disputada no terreno do Torreense, para chegar à final da Taça de Portugal. A missão afigura-se muito complicada e vai exigir uma prestação bem distinta daquela fraca exibição realizada em Torres Vedras. Caso tal fenómeno não aconteça, a final será vista por um canudo. Esta é uma época de transição, tendo a irregularidade sido uma constante, algo que terá que mudar se a equipa ambicionar a conquista de títulos no futuro, como já conseguiu no passado.

    Em relação ao futebol masculino, o SC Braga tinha uma deslocação que se antevia complicada ao terreno do FC Famalicão, cuja importância era por demais evidente para todos. Contudo, uma distração, misturada com displicência de alguns jogadores, redundou num penálti logo no começo da partida, que complicou ainda mais a missão difícil ali existente. Para piorar a situação, a primeira parte foi um verdadeiro amor de perdição superior para os famalicenses, frente a um conjunto brácaro distante de outras exibições recentes, onde alguns jogadores estiveram muito longe do seu nível habitual. Ora, a pálida imagem da equipa, associada à exposição que estavam alguns jogadores amarelados, levou Carlos Carvalhal a fazer três mudanças de uma só vez ao intervalo, dando um sinal claro aos seus jogadores que era preciso fazer mais e melhor.

    O segundo período foi consideravelmente melhor para a turma bracarense, uma vez que a equipa se aproximou do seu nível habitual mais recente e as oportunidades de golo começaram a surgir, perante um conjunto famalicense que começou então a sentir dificuldades. Afinal, tratava-se de um conjunto de qualidade como adversário. A entrada de Roger mexeu bastante com o encontro e o empate surgiria num autogolo, após um cruzamento deste jogador sobre a direita. Até ao fim do encontro, houve tempo para Lukas Hornicek brilhar de novo na baliza perto do limite do tempo disponível, alguns segundos antes de Amine El Ouzzani falhar, de modo obsceno, um golo que parecia certo, no último lance da partida que daria a vitória. Esta situação deixou prostrados vários jogadores no relvado, incrédulos com o que acontecera, tal como os muitos adeptos presentes na bancada. Assim, o duelo viria a acabar mal, num guião que poderia e deveria ter tido um desfecho mais favorável. Os detalhes fazem muitas vezes a diferença e há erros que não se devem voltar a cometer, como oferecer um penálti pouco recomendável a começar o encontro ou falhar o golo do triunfo de modo escandaloso sobre a meta definida pelo limite do tempo.

    O empate no dérbi de Famalicão acabaria por ampliar a vantagem na luta pelo último lugar do pódio, uma vez que o FC Porto caiu com estrondo na Reboleira, de onde poderia ter saído vergado por números ainda mais duros. Deste modo, os efeitos negativos do empate arsenalista foram minimizados pelo insucesso dos portistas, pelo que os braguistas dependem apenas de si para concretizar o objetivo de ficar no último lugar do pódio. Mas, o lema deve ser norteado pela vontade de vencer o próximo jogo, sem planos mais adiante, porque no futebol, como na vida, tudo pode ser demasiado efémero. As entradas em falso do Estoril, sem consequências negativas, e de Famalicão, com efeitos nefastos para o resultado, precisam de ser evitadas, uma vez que a equipa deve aprender com os erros cometidos, ainda que eles nunca sejam eliminados, como parece evidente.

    Uma nota final para a equipa de Sub-17 do SC Braga que, depois de vencer no reduto do Sporting e em casa diante do SL Benfica de modo consecutivo, entrou a sério na corrida pelo título de campeão nacional. Porém, o caminho até ao fim antevê-se complicado, a requerer a colocação em campo da qualidade que esta jovem equipa inequivocamente possui. Coragem gverreiros, que o futuro pode ser sorridente.

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