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    Luís Cirilo Carvalho
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    A preto e branco
    Luís Cirilo Carvalho

    A farsa

    2023/12/05
    E7
    "A Preto e Branco” é uma coluna de opinião que procurará reflectir sobre o futebol português em todas as suas vertentes, de uma forma frontal e sem tibiezas nem equívocos, traduzindo o pensamento em liberdade do seu autor sobre todas as questões que se proponha abordar.

    Foi na passada semana noticiado pela generalidade da imprensa desportiva a intenção do Farense, na próxima época, passar a disputar os jogos com Benfica, FC Porto e Sporting no Estádio do Algarve, enquanto os restantes adversários continuarão a ser recebidos no já centenário estádio de S. Luís, em Faro.

    Já se sabe que a organização do futebol em Portugal caminha cada vez mais para ser uma brincadeira sem piada da qual o público pagante é a vítima maior porque vê provas carentes de verdade desportiva e cada vez que entra num estádio está sujeito a assistir a aldrabices várias e muito em especial se em campo estiver um daqueles clubes que se acha dono disto tudo.

    O último campeonato e o actual são exuberantes exemplos disso.

    A culpa pertence a vários protagonistas.

    A FPF, a LPFP, a APAF, os órgãos jurisdicionais e os presidentes dos restantes clubes que assistem passivamente a todos estes atropelos sem usarem a posição maioritária que tem nas AG da Liga para fazerem frente a este estado de coisas.

    Também porque alguns por baixo da camisola do clube usam "camisolas interiores" vermelhas, azuis e brancas ou verde e brancas.

    E, já agora, os sucessivos governos cujo temor reverencial ao futebol os impediu de intervirem com o rigor e a dureza que o futebol há muito justifica a vários níveis desde a gestão dos clubes aos atropelos de alguns grupos organizados de adeptos passando pelas repetidas fraudes à verdade desportiva plasmadas em inúmeros inquéritos judiciais sem conclusões à vista.

    Vem isto a talhe de foice face ao propósito anunciado pelo Farense de, na próxima época, fazer os tais catorze jogos caseiros no S. Luís e os restantes três, nem vale a pena repetir com quem, no Estádio do Algarve.

    O que é uma perfeita aberração.

    Ainda maior, ou pelo menos tão grande como, a Liga permitir que actuem no principal campeonato clubes que não tem estádio e, por isso, vagueiam por casas emprestadas como foi o caso do felizmente falecido B SAD e é actualmente do Casa Pia.

    Ou de clubes como o Rio Ave que tem um estádio com apenas uma bancada e sem condições para receber adversários que se façam acompanhar de número significativo de adeptos.

    Mas este caso é pior.

    Desde logo porque é insólito um clube ter dois estádios e usá-los conforme lhe dá jeito nuns casos privilegiando o apoio à equipa e noutros a bilheteira.

    O que faz sentido, em qualquer campeonato de qualquer país, é um clube ter um estádio e nele disputar todos os jogos sem excepção até porque estamos no século XXI e não umas décadas atrás em que a "habilidade" era alguns clubes jogarem em casa a maioria dos jogos e depois usarem campos emprestados sob o pretexto da transmissão televisiva que sendo verdadeiro era também um frete aos tais três clubes.

    Os que são desse tempo concordarão que defrontar o Salgueiros em Vidal Pinheiro ou o Espinho no Campo Avenida, estádios acanhados e com o púbico em cima das quatro linhas, era bem diferente de o fazer no "bem bom" do estádio da Maia.

    Mas este anúncio do Farense, que se tornará seguramente realidade face aos regulamentos do nosso futebol, e não sendo certamente essa a sua intenção não deixa também de ser uma violação da verdade desportiva do próximo campeonato.

    Dado significar que os "donos disto tudo" passarão a disputar dezoito jogos em casa e apenas dezasseis fora, porque obviamente no Estádio do Algarve passarão a estar em maioria em termos de público face ao reconhecido atraso cultural/desportivo deste país, enquanto os restantes terão de continuar a fazer dezassete jogos em casa e outros tantos fora como é suposto acontecer numa competição a duas voltas em que em princípio as regras devem ser iguais para todos.

    Mas não são.

    Pelo menos na Liga portuguesa e com esta LPFP.

    Que teria agora, a LPFP, uma boa oportunidade de fazer algo pela verdade desportiva e pelo impor de regras de funcionamento admissíveis e iguais para todos se recusasse esta intenção do Farense e o obrigasse a disputar todos os jogos no mesmo estádio dando-lhe a prerrogativa, isso sim, de optar pelo S. Luís ou pelo estádio do Algarve.

    E se não for a direcção da LPFP a tomar essa decisão espero que os presidentes dos restantes catorze clubes façam o seu papel na defesa dos interesses das entidades a que presidem.

    Caso contrário teremos o próximo campeonato a contribuir para que o nosso futebol pareça cada vez mais uma farsa travestida de competição desportiva!

    E digo-o com o á vontade de na última jornada o Vitória ter vencido o Farense no estádio de S. Luís em Faro.

    O problema é mesmo de existirem critérios que tornem os campeonatos iguais para todos em termos de regras, regulamentos e tratamento pelos órgãos dirigentes para que depois a diferença de escalonamento classificativo tenha apenas a ver com questões de mérito desportivo.

    Em tempo: percebo perfeitamente o ponto de vista do Farense em termos de maximizar receitas que tão importantes são para os clubes. É, de resto, um clube pelo qual sempre tive e tenho simpatia. Mas não posso aceitar que um campeonato disputado pelo "meu" Vitória não tenha regras iguais para todos.

    Comentários

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    Motivo:
    aultimapalavra 06-12-2023 15:46
    Caro Luís
    Sou sócio do Rio Ave há quase 30 anos; habitei em Guimarães (aqui com maiúscula) durante 5 anos; conheço bem o estádio do Rio Ave, assim como o do guimarães (aqui com minúscula).
    As atuais condições do estádio do Rio Ave, para os adeptos visitantes, são bem melhores que as do estádio do guimarães. Em múltiplos aspetos.
    Visite-nos antes de opinar.
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    EspecialistaDaBola 05-12-2023 21:50
    E que dizer . . .
    . . . . de um clube transmitir televisivamente metade dos seus jogos do campeonato, usando as suas câmaras, os seus meios e a suas pessoas, caso unico no mundo, e caso também peculiar, obrigando os adeptos a contrarem dois serviços para ver a mesma competição. E nem Liga, nem Governo, nem os outros clubes na AG da Liga se dignam a ver semelhante violação das condiões de igualdade económica, social e desportiva na mesma competição.
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    Triper 05-12-2023 17:32
    Só uma nota sobre o Casa Pia
    Colocar o Casa Pia no mesmo bolso que o B SAD é de muito mau gosto. O Casa Pia, pelo que sei, sempre foi um clube muito certinho e se calhar é ainda um dos poucos clubes que anda por aí que nunca teve ordenados em atraso por muito pouco que tivesse.

    A culpa da situação atual é simplesmente da Câmara de Lisboa, o clube neste caso nem tem culpa porque faz anos (acho que já vai em 5 anos? Já não faço bem ideia do número exato, mas já são alguns) que tenta recupera...
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    Artemis 05-12-2023 14:11
    Tanto dislate. . .
    🍦
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    pedrogilrf 05-12-2023 12:14
    Correções
    O Luís Cirilo Carvalho é uma pessoa por quem tenho estima, meu correligionário e o Vitória é dos poucos clubes portugueses que sinto uma simpatia especial. Por isso sinto-me na obrigação de fazer duas correções e demais considerações.
    I) O estádio chama-se Algarve. Estádio Algarve, não "do" Algarve;
    II) Foi dito pelo presidente que iria fazer uma ponderação, ainda longe da intenção.

    Precisamos perceber que o Farense não é um clube rico. O...
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    DragonKing 05-12-2023 10:18
    Caro Cirilo
    Relativamente ás "camisolas interiores", convém lembrar que, não há muito tempo, o VsC teve um presidente declaradamente benfiquista. Como sabe, o Sr. Emílio Macedo ou Milo como é conhecido em Guimarães, até usou dessa "costela moura" para ir junto da UEFA, a reboque do seu clube do coração, para tentar impedir que o FcP fosse à champions.
    A questão relativa aos estádios em que o Farense pretende defrontar os seus adversários é "palha" para encher artigo de opinião.
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